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Em Comédia

Crítica: Um Espião e Meio (Central Intelligence, EUA, 2016)

  • 10 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Um Espião e Meio (Central Intelligence, EUA, 2016)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Nota: 2,0/5,0*   

Direção: Rawson Marshall Thurber. Roteiro de Ike Barinholtz, David Stassen, e Rawson Marshall Thurber. Elenco: Dwayne JohnsonKevin HartAmy Ryan, Aaron Paul, Danielle Nicolet, Timothy John Smith, Megan Park, Ryan Hansen, Thomas Kretschmann, Phil Reeves, Jason Bateman.

A história gira em torno de Bob Stone (Johnson) que se tornou um agente da CIA, mas que, no passado, era um nerd que sofria muito bullying na escola. Ele então recruta Joyner (Hart), o cara mais popular da escola, que agora é um contador, para resolver um caso ultrassecreto.

Este trama tem como principal objetivo, a superação das inseguranças dos personagens. A busca da sua verdadeira identidade. Dito isto, o que realmente funcionou neste filme foram os pequenos símbolos que refletem esse estado de “ânimo” dos personagens. Por exemplo, a escola representada em arquitetura grega, filmada em um leve contra-plongée, nos indica um lugar histórico, do passado, mas ao mesmo tempo sua história está muito presente na vida de todos. Ainda, a representação do “golden Jet” ou “jato dourado” em tradução livre, como símbolo de vitória e sucesso, servindo de inspiração e motivação para conquistar algo.

Contudo, apesar da historia ter um grande potencial, a narrativa foi mal colocada. Primeiramente, o tema de bullying, muito atual e um tema muito sério, foi transmitido como um clichê. É um menino gordo e nerd que é rejeitado, vítima de brincadeiras maldosas que depois se dá bem na vida e se torna um garanhão musculoso. O cara mais popular, esportivo, e bonitão, entra em um declínio, sendo um fracasso na sua vida profissional. Será que já não vimos algo assim antes?

Além disso, tem-se a impressão de que o filme tentou desesperadamente ser engraçado, o tempo todo. Foram vários recursos visuais utilizados ao mesmo tempo, que não atribuíram um efeito natural à comédia. As elipses foram exageradas, alguns movimentos de câmara para criar tensões ou efeitos cômicos não funcionaram. As cenas de ação foram mal executadas e os sucessivos tiros para o nada é outro clichê mal resolvido. (porque, por serem agentes da CIA, eles conseguem atirar uns aos outros com balas que nunca atingem ninguém).

As piadas são tão sem graça, sem sentido e nada inteligentes, que chega a ser de mau gosto. Como, por exemplo, a cena em que mostra a forma como Bob Stone (Johnson) tenta fazer com que Joyner (Hart) confesse que ele queria ser pai simulando a queda do avião, ou então a cena do discurso do próprio bully Trevor (Bateman) que foi bem maldosa e tentou passar um tom cômico desnecessário. Podemos citar também a cena que a agente Harris (Ryan) tortura Johnson por horas, mas se desculpa dizendo que não foi “nada pessoal”, entre outros.

Por fim, os personagens também foram interpretados de uma forma muito exorbitante:  Bob Stone (Johnson) é o machão com um lado tão emotivo que chega a ser infantil, dando a impressão até de um nível de burrice do personagem; Joyner (Hart), por outro lado, grita o tempo todo e não consegue tomar uma atitude séria sem surtar.

O filme, em seu conjunto, resultou em uma comédia forçada com uma história de espionagem muito mal desenvolvida.

Por Gabriella Tomasi, 10 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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