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Em Comédia

Crítica: Minha Mãe é Uma Peça 2 (Brasil, 2016)

  • 12 de dezembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
  • 1 Comentários
Crítica: Minha Mãe é Uma Peça 2 (Brasil, 2016)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Direção de César Rodrigues.  Roteiro de Paulo Gustavo. Elenco com: Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Alexandra Richter, Samantha Schmütz, Suely Franco, Patrícya Travassos.

Desta vez, Dona Hermínia (Gustavo) volta como uma bem sucedida apresentadora de um programa de televisão. Rica, famosa, o filme começa com o seu dia-a-dia, no qual consiste em ir trabalhar, fazer compras, e retornar a sua casa para encontrar seus dois filhos mais novos que moram com ela: Juliano (Pandolfo) um gay e Marcelina (Xavier), agora uma aspirante atriz.

Neste contexto, apesar das gags usuais, com xingamentos gratuitos e ataques de nervos que o filme já explorava, ele consegue refinar algumas piadas e criar situações muito divertidas: Dona Hermínia tem dificuldade em aceitar as novas preferências sexuais de Juliano; Marcelina tenta alavancar sua carreira em São Paulo, o que gera surtos apenas com a possibilidade de sua filha abandonar o lar; o neto “anjo” da casa faz uma completa bagunça, muito embora os esforços da avó em tentar agradá-lo (afinal, ele é o primeiro bebê da casa, após os filhos); o modo como a protagonista interage em um jogo de “stop” com os filhos ou quando ela não consegue utilizar os novos recursos digitais do smartphone, de modo que pede ajuda ao filho, entre outros.

Assim, tudo o que sucede com os personagens é tão familiar a ponto de o espectador facilmente se identificar com eles e com a história, principalmente no paralelo em que se faz entre a emoção de construir uma carreira e uma vida independente pelos filhos e lidar com a síndrome do ninho vazio pelos pais.

Paulo Gustavo faz o mesmo papel que fez desde o primeiro filme, lançado em 2013. Mas ainda que o faça muito bem, o seu roteiro peca em deixar os personagens em sua volta de lado, não expandindo as camadas de cada um. Além disto, inúmeros elementos vêm e vão de maneira aleatória, tornando a narrativa sem coerência, como, por exemplo, a visita da sua irmã mais velha Lucia Helena (Travassos). Mesmo se hospedando na casa da protagonista, a parente some em tela em um determinando momento e somente é reaproveitada no terceiro ato.

 

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Paulo Gustavo como Dona Hermínia em Minha Mãe é Uma Peça 2

 

O mesmo acontece com o filho mais velho que aparece quase como figurante nos minutos finais; um aparelho de medir pressão que simplesmente desaparece; uma cameo da Fátima Bernardes que não contribuiu em nada para a narrativa; entre outros. Deixando pontas soltas, o roteiro tampouco se importou em definir uma particularidade de Lúcia Helena, mesmo que tenha provocado a discussão em diversas oportunidades.

Portanto, devido à ausência de desenvolvimento apropriado das pessoas e do que acontece ao redor de Dona Hermínia, é que temos como resultado um filme sem início, meio e fim, sem um objetivo claro e sem um conflito delineado. Por sinal, somente descobrimos tudo isto no final do segundo ato. A montagem emprega um ritmo acelerado, sem deixar um momento de alívio para que possamos absorver tudo o que ocorre com a protagonista e, ainda, a escolha preguiçosa de uma trilha sonora que prefere recorrer à composições melancólicas exageradas, a fim de forçar a dramaticidade em cenas que, além de muitas vezes ficar fora de contexto, não seria tão artificial caso tivesse um esforço maior em evoluir a história até o necessário para que as emoções surgissem naturalmente no espectador.

Dessa forma, a narrativa inteira se comporta como um produto de uma coletânea de episódios de uma minissérie de comédia, na medida em que Dona Hermínia vivencia coisas diferentes e, por conseguinte, trata estas situações de forma singular e momentânea, sem que necessariamente haja uma coesão ou que todos os elementos inseridos se interligassem tal como é feito em um longa-metragem.

Minha Mãe É Uma Peça 2 consegue, até certo grau, tecer as relações familiares problemáticas. No entanto, a maneira novelística como foi tratada a narrativa, impede que seja um filme de qualidade.

Por Gabriella Tomasi, 12 de dezembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.
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Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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