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VI Festival “Tudo Sobre Mulheres” – Um Corpo Feminino

  • 6 de setembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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VI Festival “Tudo Sobre Mulheres” – Um Corpo Feminino
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Um Corpo Feminino, de Thais Fernandes, é um filme relevante e impactante pelo estudo construído dentro de sua teia narrativa. É um curta, no qual se misturam diversas vozes femininas, ou seja, são mulheres de todos os tipos de classe, idade e origem que definem, ao se alternarem para refletir e questionar usando suas próprias palavras, o que é um corpo feminino e o que ele representa socialmente.

Filmado em formato de entrevista, é notável como cada mulher questionada neste documentário possui, ao mesmo tempo, uma visão tão diferente e tão igual uma em relação à outra, muito embora haja uma evidente diferença de contextos sociais que ocupam na sociedade. Por conseguinte, este tipo de abordagem nos permite auferir muitas constatações e muitas conclusões no que tange à posição feminina atualmente.

Um exemplo disto é como as mais velhas, já idosas, enxergam a situação ao contemplarem as gerações mais novas. Há um consenso entre elas de que muito mudou para melhor: a mulher já possui vários direitos e conquistou um espaço significativo e igualitário. No entanto, essa visão é completamente contrariada quando se entrevistam as adolescentes e crianças. É de se admirar o quanto todas ainda têm uma extrema consciência de como o sexo oposto enxerga o corpo da mulher e as expectativas que são geradas a partir disso, como os preconceitos em razão da forma de vestir, de se portar, de falar (é feio mulher falar palavrão!), entre tantos outros. E não só de uma posição de denúncias desses problemas, mas muitas delas compartilham dessa discriminação, obviamente propagada pelo entorno de onde vivem.

Outro aspecto extremamente interessante e inédito (pelo menos para mim) são as experiências contadas pelas transsexuais. Aqui a discussão sobre transformações e identidade é um pouco deixada de lado (sem desmerecer este tipo de abordagem), para, ao invés disso, contar as próprias vivências como mulher. Isso as torna bastante privilegiadas no sentido de que, por terem sido homens uma vez, podem expressar a clara diferença no modo como passaram a ser tratadas, no modo como passaram a ser encaradas tanto física quanto intelectualmente pelo mundo, dentro dessa perspectiva machista, o que é sensacional.

Claro, o machismo e a misoginia são os objetivos de toda essa discussão, mas o que este curta nos traz são os questionamentos e a reflexão do quanto, realmente e de fato, essa sociedade patriarcal mudou, ou se sequer mudou, já que a impressão que passa é de que os direitos conquistados pelas mulheres não são nada, ou ínfimos, perto de toda a violência e preconceito que sofremos durante séculos.  

Não temos uma resposta, evidentemente, para a problematização apresentada e Um Corpo Feminino não tenta fornecê-la. No entanto, nós podemos compartilhar nossas experiências e nos fortalecer a partir da união.

Por Gabriella Tomasi, 6 de setembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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