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VI Festival “Tudo Sobre Mulheres” – Silêncio

  • 6 de setembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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VI Festival “Tudo Sobre Mulheres” – Silêncio
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Silêncio, realizado por Bianca Rêgo, nos emociona e nos envolve com os testemunhos de vítimas de abusos perpetrados por homens. Os relatos são muito impactantes, e cada pessoa que participa dessa produção consegue quebrar o seu “silêncio” particular. O curta, portanto, funciona ao mesmo tempo como um desabafo e uma denúncia em relação aos crimes cometidos contra mulheres.

Neste contexto, o título do documentário incorpora essa metáfora não somente pela exposição dos problemas apresentados pelas mulheres, mas por representar justamente uma ruptura contra o descaso de situações que normalmente calam muitas vítimas e que ficam obscuras para a sociedade em geral. Em outras palavras, é a dar à voz às dores reprimidas e sufocantes.

O mérito da diretora reside na exposição de um tema tão delicado, ou seja, a linguagem utilizada permite o equilíbrio entre a seriedade de um assunto desconcertante e um ritmo agradável, ou seja, o curta é sensível aos problemas femininos sem se mostrar sensacionalista, evasivo ou agressivo. Isso é fundamental para que o curta funcione. Rêgo também filma em longos planos, com o intuito de deixar suas entrevistadas à vontade para contarem as suas histórias, cada uma à sua maneira, sem interrupções.

Além dos abusos, as experiências nos revelam outras questões como o racismo, a intolerância, a impunidade em consequência de leis falhas. Dessa forma, demonstra-se que o problema não está somente em uma suposta índole humana do sexo oposto, mas sim em todo o aparato cultural e de sistemas que perpetuam e até mesmo incentivam esse tipo de comportamento.

Assim sendo, Silêncio evidencia o quanto é importante que esses segredos sejam expostos, como um instrumento poderoso de difusão da informação. Mostrando que, ao contrário do que muitos possam imaginar, a misoginia é tão profunda em nossa sociedade que se tornou um problema deveras urgente.

Este curta, portanto, nos ensina e nos faz refletir acerca da imprescindibilidade de ouvir essas experiências. Se formos ouvidas, nossa voz, nosso respeito e nosso espaço serão cada vez mais encorajados. Afinal, até quando teremos medo de falar o que pensamos? Até quando teremos medo de sair sozinhas na rua? Até quando podemos ter mente própria? Até quando seremos desacreditadas e humilhadas por uma sociedade tão masculina? Até quando podemos ser donas do nosso corpo feminino? Até quando podemos lutar por mudanças?

A força deste curta-metragem reside no poder da informação, no registro de histórias. É pela informação, denúncia e debate que esses problemas não ficam mais escondidos no escuro ou mascarados.

Por Gabriella Tomasi, 6 de setembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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