Voltar para Página principal
Em Séries

Por que Punho de Ferro não foi bem sucedido? (1ª Temporada)

  • 4 de abril de 2017
  • Por admin
  • 1 Comentários
Por que Punho de Ferro não foi bem sucedido? (1ª Temporada)
Rating: 1.0. From 1 vote.
Please wait...

Um desastre: essa é a opinião praticamente unânime da crítica especializada, apesar dos inúmeros textos explicando por que de fato Punho de Ferro, o mais novo herói da Marvel que mais tarde vai integrar o grupo dos Defensores na Netflix, não foi bem sucedido, mesmo o público ter recepcionado bem a nova série. Aqui encontra-se mais um para explicar os motivos que não o tornou uma série bem sucedida em sua primeira temporada e por que a crítica sabe do que está falando.

Embora eu pessoalmente mantenha a posição estritamente contra ao fenômeno “whitewashing” que claramente está dominando parte das produções audiovisuais de origem oriental, aqui não tratarei do assunto. Tampouco é minha intenção em questionar se a adaptação da série é ou não fiel aos HQ’s, pois mesmo que seja ou não, pouco interessa. Assim, longe de querer causar polêmicas, o viés é mais educativo, a fim de tentar trazer um pouco de conhecimento sobre o que é ou não importante ao desenvolver uma narrativa imagética.

Grande parte da crítica afirma que a narrativa é morosa, que de fato a história começa a partir do sexto episódio em uma temporada que contém treze. Esse fator realmente é importante? Sim, não só importante, mas essencial. Se compararmos analogicamente, ninguém compra o ingresso de cinema para assistir a um filme de ação de duas horas, sendo que metade dela explora as origens do seu protagonista para então ver o herói lutando contra o inimigo nos minutos finais. Esse método é somente escusável quando, por exemplo, é importante para a narrativa e influencia no desfecho da trama ou; estamos diante de um filme sobre estudo de personagem. Porém, nenhum deles ocorre em Punho de Ferro. Aliás, o tempo é precioso para o espectador e influencia na montagem-decupagem. Em outras palavras, assistir a treze episódios de uma hora cada é uma tarefa árdua para muitos, principalmente quando não se tem tanto tempo livre disponível para investir na temporada. Da mesma maneira, se analisarmos outras séries, quaisquer que sejam, podemos perceber que o arco dramático e o objetivo da trama são, na maioria das vezes, concluídos e estabelecidos em um ou no máximo dois episódios. Isso faz diferença, inclusive em termos de qualidade cinematográfica em geral.

Outro fator essencial é a temática que deve ser bem compreendida e abordada. Aqui temos um personagem em um viés interessante: a cultura e as artes marciais, especificadamente o Kung Fu. Muito disso se perde ao longo dos episódios, pois o foco é simplesmente outro: o passado de Danny, interpretado por Finn Jones. Há alguns momentos pontuais reservados à meditação, ao treinamento rigoroso, e à cultura asiática/budista, mas nada é aprofundado de forma adequada para poder nos familiarizar com esse mundo. Em suma, faço minhas as palavras as da crítica Liz Miller do canal IndieWire: “É um cara fazendo Kung Fu. E durante o curso da primeira temporada, acaba parecendo que é tudo o que show tem a dizer” (Confira aqui a crítica completa em inglês).

Punho de Ferro – Marvel’s Iron Fist (Créditos: IMDb)

O tema mal explorado também desencadeia outro problema da série que é a quantidade excessiva de monólogos e o tom explicativo da trama, o que vai totalmente contrário à qualquer produção séria que tem por base uma narrativa de imagens visuais. Por exemplo, no início, Danny é constantemente (e com esta palavra quero dizer “excessivamente”) atormentado pela traumatizante queda do avião com seus pais quando era mais novo. No entanto, prefere-se muito mais repetir outra e outra e outra vez os flashbacks deste evento, do que apostar em retratar o período vivenciado com os monges em K’un Lun. Percebam, pois, quando o protagonista está no hospital psiquiátrico, ele conta tudo o que lhe aconteceu, mas nenhum dos relatos é reconstituído em forma de imagens, o que faz cansar ainda mais. Neste contexto, é bastante difícil também se importar com uma cultura que somente é referida por Danny como extremamente rigorosa com treinos e dietas que beiram à maldade ao inserir imagens mostrando como o protagonista era espancado pelos seus superiores. E muito embora isso possa até ser verdade em comparação ao material original, ainda há de se ter algo com que possamos nos relacionar e admirar, certo? Afinal, ele é o Punho de Ferro e precisamos nos conectar com algo heróico e grandioso, além da abordagem pejorativa das torturas que ele alega ter sofrido e que o colocam em condição de vítima. Por sinal, o que nos faz remeter ao ponto anteriormente abordado no parágrafo acima, ou seja, o frágil desenvolvimento da cultura asiática.

Mas o esqueleto-base com o qual a primeira temporada fora construída está longe de ser maior problema quando temos os personagens mais caricatos. O exemplo clássico começa com uma pergunta: como fazer o espectador sentir antipatia por um vilão? Os roteiristas devem ter pensado: “Fácil: coloque um estagiário que trabalhe para ele e que tenha medo até da própria sombra, um filho que tem um extremo receio de sua autoridade, e faça-o jogar palavrões e insultos gratuitos a todos em sua volta.” Qualquer semelhança não é mera coincidência, estamos sim falando de Harold Meachum interpretado por David Wenham e Ward, interpretado por Tom Pelphrey que tampouco consegue extrair muitas camadas do personagem embora os esforços do ator. Sim nós temos um pai abusivo e um filho que sofre com as pressões, mas isso é suficiente? Não, menos justificável quando a produção exaustivamente enrola o espectador por seis episódios de uma hora. Ademais, reparem nas conveniências inseridas do roteiro, como nas em que Joy interpretada por Jessica Stroup começa a falar muito de seu pai em um momento bastante “oportuno”, ou no episódio piloto quando um morador de rua aleatoriamente ajuda Danny.

Além de sequer dominar os elementos básicos para se construir um roteiro sem subestimar sua audiência, os aspectos mais técnicos também falham. As cenas de lutas são pouco empolgantes devido às coreografias repetidas e pouco criativas, os cortes rápidos na edição tornam muitas cenas incompreensíveis, e a iluminação da fotografia não faz nada além de prejudicar os atores. Mesmo possuindo mais cenas diurnas, reparem, por exemplo, como a fotografia muitas vezes é tão clara que vemos até alguns detalhes faciais dos atores (longe de ser um elogio) ou então é tão escura que mal podemos ver a expressão facial de outros. Além disso, há um momento inexplicável em que a paleta se torna completamente vermelha no plano, e em outra oportunidade temos igualmente a utilização de luzes que piscam no quadro para cobrir justamente os defeitos da direção nessas cenas. É incompreensível, pois, que falhas como estas estão sendo cometidas por uma produção deste nível.

De duas alternativas, somente há uma: ou é uma extrema falta de competência e maturidade ou é pura preguiça.

Por admin, 4 de abril de 2017
  • 1
1 Comment
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema