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Em Séries

Os Defensores e a ausência de redenção – 1ª Temporada

  • 30 de agosto de 2017
  • Por admin
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Os Defensores e a ausência de redenção – 1ª Temporada
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Com uma ótima ideia, a princípio, a Marvel lançou as séries de alguns heróis de sua marca que estariam mais próximos de sua audiência: no conforto do seu lar pela plataforma Netflix. Mas o caminho foi longo nestes últimos dois anos, já que contando com produções extremamente irregulares, o trabalho poderia ter amadurecido com o tempo se tivesse dado atenção à crítica especializada, a qual clamava por resultados melhores e mais convincentes. Por muito tempo, a série Os Defensores que juntaria os personagens Luke Cage (Mike Colter), Jessica Jones (Krysten Ritter), Matthew Murdock de Demolidor (Charlie Cox) e Danny Rand de Punho de Ferro (Finn Jones) já era bastante esperada após cada um protagonizar suas temporadas solo. Ocorre que, mesmo com a baixa expectativa de algum refinamento da qualidade cinematográfica, entrega-se mais um série rasa com seu potencial completamente desperdiçado. Os Defensores, portanto, não consegue se redimir dos desastres anteriores.

Na realidade, há de se reconhecer alguns pontos que enriquecem e contribuem para a narrativa: a montagem que alterna de um herói para outro, apesar da ordem que jamais deixar de ser obedecida, consegue dar conta da história de todos os personagens e estabelecer a identidade de cada um deles. Já no episódio piloto, há encadeamento de narrativas bastante coerentes e lógicas que conduzem até o encontro do quarteto. As cores para diferenciar cada mundo são bastante eficientes: Luke Cage tem cores amarelas exaltadas e cores mais quentes que representam o retorno à vida com sua amada; Jessica Jones com a paleta extremamente fria simboliza seu caráter; O Demolidor lida com um dilema entre diferentes tipos de justiça tão bem representados pelos tons de vermelho e; Punho de Ferro enfrenta o submundo em uma coloração esverdeada.

A cor amarela de Luke Cage (à esquerda) dialoga com a cor vermelha de O Demolidor (à direita) e demonstra parceria (Créditos: IMDb)

É de se lamentar, no entanto, que as qualidades parem por aqui. Quando os personagens se unem tudo o que concedia uma abordagem mais interessante para a narrativa se perde posteriormente. Com uma direção pouco ágil e um ritmo lentíssimo de narrativa executados por um grupo de diretores que não parecem sequer saber o que estão fazendo, fica visível a completa ausência de autenticidade das cenas, com golpes e socos que atingem (literalmente) o ar, em conjunto com uma edição que tenta maquiar a falta da própria competência para filmar cenas de ações no mínimo críveis, assim como contar com uma iluminação tão escura muitas vezes que o seu espectador não consegue decifrar o que está acontecendo. Apenas podemos perceber tal falha no piloto quando o Punho de Ferro confronta um membro do Tentáculo na mais completa escuridão de tal forma ser impossível inclusive nos orientar pela geografia do cenário. A paixão por ângulos holandeses (ou tortos) como um exibicionismo estético é outro elemento que torna o excesso cansativo, desinteressante e demonstra falta de criatividade. Não é possível que outros tipos de enquadramentos e ângulos não foram cogitados neste universo torto por si só; é não entender como se faz uso da linguagem do audiovisual.

O roteiro superficial com diálogos que se recusam a abandonar as frases de efeito que não passam o mínimo de naturalidade que se espera, muito embora os esforços dos atores, como por exemplo, Danny Rand, o qual não desperdiça uma só oportunidade para ressaltar o quanto o seu inimigo é perigoso. Neste contexto, quem realmente se destaca é a vilã Alexandra, interpretada por Sigourney Weaver, nossa eterna Ripley de Alien. A atriz traz nuances, demonstra personalidade e humanidade às vezes quando o texto não dá esse espaço à ela e, em outros momentos, infelizmente até a mais talentosa do grupo tem seu próprio trabalho prejudicado pelo mesmo motivo.

Os Defensores representa, portanto, mais um projeto ineficiente da parceria Netflix/Marvel que definitivamente já ser perdeu no meio do caminho.

Por admin, 30 de agosto de 2017
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