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Em Séries

Mindhunter e a Mente Criminosa – 1ª Temporada

  • 17 de outubro de 2017
  • Por admin
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Mindhunter e a Mente Criminosa – 1ª Temporada
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Psicologia forense não é para muitos. É um assunto extremamente delicado e profundo, mas principalmente, há que se ter uma mente muita aberta quando se quer analisar o psíquico de pessoas muito perigosas. Mindhuner, a nova série disponível no catálogo da Netflix, protagonizada por Jonathan Groff como o Agente do FBI Holden Ford e dirigida por ninguém mais e ninguém menos que David Fincher, adentramos nos primeiros passos da história da criminologia que eventualmente classificou e identificou os padrões de distúrbios para os posteriormente denominados “serial killer” na década de 70.

Não é à toa que esse estudo inédito é compartilhado com vários departamentos de delegacia ao redor dos Estados Unidos na companhia de seus colegas Agente Bill Tench e na sequencia a psicóloga Dra. Wendy Carr, cujas teorias desenvolvidas prontamente chamam a atenção para casos locais de difícil solução.

Desde o início do piloto, o protagonista – e o espectador – é confrontado com a seguinte questão: a mente maliciosa e o impulso para a violência e o crime é algo nato ou desenvolvido ao longo dos anos na vida de alguém? Somos introduzidos à pessoas que cometem os mais abomináveis atos como, por exemplo, Ed Kemper que decapita suas vítimas e depois faz sexo com seus corpos. Ainda assim, o que será que o motivou a fazer não só uma, mas 35 vezes? Na década em questão, a criminalidade era considerada praticamente nata, adotando as teorias de Cesare Lombroso acerca de características físicas específicas como instrumento para identificação do criminoso, embora houvesse uma discussão acadêmica sobre o assunto. O método policial era quadrado, não se buscava um entendimento ou sequer uma sensibilidade maior para obter melhores resultados em casos como o de especialidade de Holden, qual seja, a de situação do refém. Se alguém comete um crime, ele é imediatamente classificado como uma aberração social (mentalidade, por sinal, que persiste atualmente). Mesmo assim, o protagonista teve a coragem de ser pioneiro nesse tipo de investigação para entender essas pessoas “loucas” que, embora pareçam superficialmente normal, são ao mesmo tempo pessoas que sofreram algum tipo de trauma ou condições que as moldaram daquela forma. Afinal, é uma falácia dizer que somente a índole das pessoas as define, já que é comprovado pela psicologia que nossas experiências, nossa cultura, nosso conhecimento adquirido desde cedo também contribuem para moldar nosso caráter e personalidade.

As sombras definem o caráter do personagem Richard Speck em Mindhunter

Isso também se deve pela nossa propensão genética em desenvolver certos distúrbios e desequilíbrios psicológicos que certamente interferem na conduta de uma pessoa e, com isso em mente, Holden tenta achar um padrão ou similaridades que possam auxiliar em uma investigação, já que estudar o ser humano nunca foi e nem é uma tarefa fácil. Aliás, é tão ardil que o próprio protagonista se vê impactado pelos seus casos, transformando-se em uma pessoa completamente diferente da que testemunhamos no início e, por conseguinte, trazendo uma jornada fascinante e surpreendentemente empática tanto com seus heróis quanto com seus vilões. Por conseguinte, esta série traz o que de fato a realidade representar: pessoas multifacetadas, complexas, sem rótulos ou estereótipos, algo que o roteiro logra com maestria.

Neste contexto, já que nada é preto ou branco, é interessante como a escolha da paleta de cores em tons pálidos como o bege, o cinza e o verde claro diz muito sobre a sua própria narrativa. Poucas cores vivas sim, afinal, estamos lidando com um universo perigoso e destrutivo para as próprias pessoas que vivenciam tudo aquilo. A direção, neste aspecto, não deixa a desejar a fim de contribuir para a construção do estado emocional de seus personagens: Ed Kemper, por exemplo, meticuloso e organizado é enquadrado em tons azul (devido aos seus traumas) e posicionado em um ângulo simétrico e, Richard Speck, por sua vez, possui sombras mais visíveis com tons de preto que se mesclam com o verde e é posicionado na câmera de lado. Isso sem esquecer de mencionar o lindo plano dos primeiros passos de Holden em uma prisão que, acompanhando a expressão de sua face, desfocando todo o resto da gritaria, xingamentos e provocações dos presos em sua volta, transparece a mesma tentativa de o protagonista ofuscar tudo o que se passa para longe de sua mente.

Mindhunter não é uma série qualquer: é um trabalho que desenvolve movimentos, ideologias, teorias, e as revoluções de uma determinada época.   

Por admin, 17 de outubro de 2017
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