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Em Suspense

Crítica: Jogo Perigoso (Gerald’s Game, EUA, 2017)

  • 11 de outubro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Jogo Perigoso (Gerald’s Game, EUA, 2017)
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Direção por Mike Flanagan. Roteiro por Jeff Howard, Mike Flanagan. Baseado no romance homônimo de Stephen King. Elenco: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Henry Thomas, Carel Struycken, Kate Siegel, Chiara Aurelia.

Jogo Perigoso é mais uma produção original da Netflix de mais uma adaptação literária do escritor Stephen King. Só no mesmo ano temos IT: A Coisa, Torre Negra, a série O Nevoeiro e outros projetos já a caminho, como 1922. Como já disse em outras análises, adaptar uma obra do autor é muito complicado, principalmente porque poucos realizadores conseguiram efetivamente repassar a essência das histórias para as telas do cinema. Mike Flanagan, que já é familiar aos thrillers, foi o responsável por trabalhos já bem conhecidos como Ouija – A Origem do Mal (2016), Hush: A Morte Ouve (2016) e o medíocre O Sono da Morte (2016). Neste, por sua vez, o cineasta faz um esforço considerável, mas não entrega um resultado tão notório quanto seus projetos anteriores.

Na trama, podemos já perceber nos primeiros minutos as características da relação de um casal que está viajando de carro. Jessie (Gugino) e Gerald (Greenwood) são silenciosos e até distantes um do outro, ela contempla a natureza da janela enquanto ele se concentra na rua, até que em um determinado momento Gerald puxa para cima o vestido de sua mulher. Sua mão na sequencia é rapidamente deslocada para longe de sua roupa e Jesse aproveita para disfarçar o ato que lhe havia desagradado fazendo um carinho rápido na mão do marido. Durante a viagem, Gerald se distrai e quase atropela um cachorro no meio da estrada e enquanto Jessie se preocupa com o bichinho, seu marido fica revoltado, causando certo desconforto – e medo – na protagonista. Sendo assim, é fácil notar que não se trata de uma relação amorosa e apaixonante a ponto de nos envolver: há uma distância perceptível no espectador que faz com que ele perceba que o relacionamento entre ambos personagens não é completamente saudável. Posteriormente, eles chegam até uma casa isolada de campo para passar alguns dias a fim de recuperar a vida sexual já não tão ativa e, não demora muito para Jessie estar presa na cama por algemas nos braços. Mas o incidente acontece, e devido ao viagra ingerido minutos antes pelo marido, ele tem um ataque cardíaco causando sua morte. Impossível de se mover, Jessie terá que lidar com o seu passado e seu presente para conseguir se libertar.

Jogo Perigoso disponível na Netflix (Créditos: IMDb)

A metáfora “se libertar” de uma cama, vestindo nada além de uma camisola de seda para agrado de seu marido, aqui não é mera coincidência, pois também simboliza a libertação das fantasias masculinas, do poder e da opressão de gênero. Jessie sucumbe até certo ponto a medos e traumas do passado que passam a refletir nas escolhas do presente. Dessa forma, se em um primeiro momento este filme dava impressão de ser mais um “50 Tons de Cinza” clichê aprendemos que na realidade é um caso de empoderamento, de autoconhecimento e de superação a problemas relacionados ao sexismo moderno: abuso sexual, abuso psicológico, preconceitos e bullyings. A narrativa se estabelece aqui em poucos minutos e se dá praticamente em um cômodo na sua maior parte lidando com os sentimentos da protagonista, mas o grande equívoco de Jogo Perigoso é não conseguir manter um ritmo de suspense e de intriga.

Chega até ser entediante ver 100 minutos de filme quando 3/4 de sua projeção mostra os desesperos de sua protagonista, enquanto didaticamente expõe suas situações por meio de monólogos incessantes, explicações e comparações excessivas, especialmente no terceiro ato quando hesita em acabar a história três vezes. Se não bastasse, o roteiro sente necessidade de apontar sua própria referência, qual seja, a de Cujo. Consequentemente, o ritmo se perde por completo, já que o primeiro ato ocorre muito depressa, o segundo ato é longo e o terceiro ato tem pressa em acabar, recorrendo a elipses e cortes mais rápidos ao contrário das tomadas longas no ato anterior. Os elementos que se repetem, portanto, se tornam cansativos e redundantes, podendo facilmente transportar seu espectador para longe da história.

Jogo Perigoso é, em suma, um filme que deve ser apreciado mais pela sua história do que por sua narrativa e embora aborde uma temática relevante, dificilmente ficará na memória de seu espectador após os créditos finais.

Por admin, 11 de outubro de 2017
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