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Ícone Cult | Amnésia (Memento, EUA, 2000)

  • 17 de abril de 2017
  • Por admin
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Ícone Cult | Amnésia (Memento, EUA, 2000)
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Christopher Nolan é indubitavelmente um dos maiores cineastas da atualidade. Responsável por dirigir grandes filmes de super-heróis como o Batman: O Início (2005), o Cavaleiro das Trevas (2008) e sua sequencia (2012), o diretor também produziu obras que revolucionaram o ramo cinematográfico como A Origem (2010), Interstellar (2014) e no ano 2017 lançará o tão aguardado Dunkirk.

Amnésia é um filme que se tornou “cult” pela grandiosa maneira que explora o existencialismo humano, a partir de uma identidade construída por nossas memórias e nossas interpretações do meio em que estamos inseridos. O que nos define em nossas vidas? A verdade é a verdade suprema e objetiva ou o conceito de “verdade” para nós que desenha nossa personalidade (ou o que seria certo e errado) é simplesmente inventada e concebida pelo o que nós achamos que é a verdade? Essa é a discussão filosófica central do longa.

Baseado e adaptado de um conto de autoria de seu irmão, Jonathan Nolan, Amnésia conta a história de um homem chamado Leonard – “Lenny” – Shelby interpretado por Guy Pearce, que tenta se vingar da morte de sua mulher. No entanto, devido a um acidente ele é incapacitado de reter memórias recentes e, assim, confia nas próprias anotações e fotos para conseguir viver normalmente.  

Ao contrário da tradicional tripartição (começo, meio e fim) do roteiro, Nolan aposta em uma narrativa regressiva, que começa pelo fim e termina em seu começo. Assim sendo, o começo, ou o primeiro ato, é o clímax e o ponto alto do longa. Para tanto, a montagem se torna a principal e mais importante ferramenta que vai ser responsável por organizar e conectar todos os pontos e dar-lhe sentido narrativo. Sem esse trabalho, realizado de forma magistral, com certeza seria muito mais fácil perder o sentido da trama ou tornar o filme incompreensível. Felizmente, a decupagem se apoia em planos que intercalam os episódios com planos em preto e branco do protagonista Leonard Shelby em uma conversa telefônica, com diálogos que indicariam uma subtrama (mas que possui sentido dentro da trama principal).

O longa então aposta na fotografia e utilização da cores para identificar o tempo presente e o passado, veja:

Leonard Shelby em contato com o seu passado é visto inteiramente em preto e branco. O ângulo plongé demonstra isolamento no mundo em um momento confuso

No tempo presente há a utilização primordial da cor “azul” em todos os cenários e figurinos. É um mundo triste e solitário na concepção e olhos do protagonista.

A identidade do protagonista e, portanto, “quem realmente ele é” ou “quem realmente ele foi” antes de perder a memória é algo sempre colocado em questão, principalmente pela história de Sammy Jankis (um antigo cliente que também perdeu a memória como ele, e a quem ele se compara) e quem são realmente as pessoas próximas a ele em que poderá confiar para manter viva sua personalidade em sua mente. Objetos em plano detalhe ou metáforas fazem parte dessa construção como “pistas” para o espectador.

Lenny dá as costas para um suposto amigo, o policial Teddy, e se recusa a acreditar nele. A origem das marcas de sangue no rosto do protagonista é um dos detalhes a serem revelados pela trama.

Rimas visuais da seringa em plano-detalhe são vistas como um objeto importante e essencial à trama

Em mais um plano dominado pelas cores azuis, as tatuagens do protagonista revelam uma “identidade” permanente que ele quer ser constantemente lembrado, principalmente quando se vê no espelho. É a imagem que o identifica e o motiva na vida

O plano-detalhe da tatuagem “Lembre de Sammy Jankis” na mão do protagonista é mais um elemento da identidade de Lenny

Em suma, Amnésia é daqueles filmes um pouco difíceis de serem acompanhados e exigem um pouco mais de concentração e atenção do espectador. Porém, mesmo vendo uma, duas, ou trinta vezes, este é um longa que nunca deixará de te surpreender em nenhuma delas.

Por admin, 17 de abril de 2017
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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