Voltar para Página principal
Em Séries

GLOW e o Poder Feminino – 1ª Temporada

  • 3 de julho de 2017
  • Por admin
  • 1 Comentários
GLOW e o Poder Feminino – 1ª Temporada
Rating: 4.0. From 1 vote.
Please wait...

Na plataforma da Netflix chega uma nova série ambientada nos anos 80. GLOW, ou Gorgeous Ladies of Wrestling (lindas mulheres da luta livre), acompanha Ruth Wilder (Alison Brie), uma atriz que se vê em extrema dificuldade em conseguir algum papel em Los Angeles, até que consegue um projeto inusitado para atuar como uma lutadora com outras mulheres. Sendo a sua única chance para ganhar dinheiro, já que sua vida encontra-se no fundo do poço, Ruth se doa completamente para se manter no emprego.

Como se presume, pode até parecer óbvio que uma série elencada e produzida quase exclusivamente por mulheres aborde e enalteça o universo feminino. Porém, GLOW vai muito além disso e, assim como no longa recém estreado Mulher-Maravilha, a série faz um estudo profundo do que significa ser mulher naquela época, principalmente para uma indústria tão machista e superficial como o cinema e a televisão.

É o que se extrai, inclusive, nos primeiros minutos do episódio piloto, no qual Ruth se encontra em mais um dos seus testes de elencos fracassados, lendo para um papel em uma série de televisão. Um discurso empoderador é realizado pela personagem até que a diretora do elenco a interrompe e diz que equivocadamente, Ruth está lendo o papel masculino. “Mas esse papel é muito mais interessante”, Ruth diz. E quando ela vai ler o papel correto, descobrimos que ela, na realidade, estava tentando o papel da secretária do personagem principal que o avisa de um telefonema da esposa. Uma participação que literalmente dura cinco segundos.

O que não é à toa, já que o protagonismo feminino que agora Ruth, na série, tem a chance de participar é algo que naquela época ela não alcançava nos filmes, sendo uma pessoa que desesperadamente faz de tudo para conseguir um papel, até mesmo esperar uma hora no banheiro até encontrar a diretora do elenco. Da mesma forma, é o motivo pelo qual todas as suas outras colegas de ringue também resolvem se dedicar à série que “puxa cabelos” e “dá socos na vagina”. Mulheres, por sinal, de todas as formas, etnias e personalidades: gordas, magras, brancas, negras, imigrantes, gordas, e até mesmo uma que acredita ser um lobo.  É uma oportunidade que não haviam visto antes, além da pornografia. Outros resquícios deste mundo machista nós também podemos perceber pelo alívio de Ruth quando o diretor nomeia uma das meninas a se encarregar dos treinos, momento no qual todas passam a dialogar e a trabalhar efetivamente juntas de uma maneira mais próxima; ou então pelo fato de que Debbie (Betty Gilpin) largou praticamente toda a sua carreira (que já estava desgastada) para se tornar mãe – uma tarefa inclusive que ela se sente mais diminuída por ter antes seu corpo ser usado para tudo, menos para ela mesma; e, ainda, pelos relatos que Ruth dá sobre como é trabalhar em um ramo composto essencialmente por homens e como esse fato influencia no tratamento com mulheres.

GLOW (Créditos: IMDb)

Interessante observar também pelo design de produção a forma como as mulheres são vestidas e produzidas. Em um trabalho extremamente cuidadoso para incorporar a década oitentista, não somente a trilha sonora é empolgante com os sucessos daquela época, mas também a forma sexista com as quais as lutas são realizadas na mente do produtor quando visualiza o programa, suas personagens principais se movimentando de maneira sexy para causar atração e entretenimento na audiência.

E também não é coincidência inserir e criar um ambiente que antigamente era essencialmente masculino, ou seja, a luta livre, sendo a única referência inicial das mulheres o lutador Hulk Hogan. Assim, posteriormente, quando as atrizes assumem diferentes personas para seus personagens, criam-se também vários esteriótipos da Luta Livre para trabalhar os rótulos que a sociedade acaba desenvolvendo, como o lado xenofóbico pelo fato de que Sunita Mani se torna uma terrorista islâmica chamada Beirut nos ringues. Dessa forma, a série consegue equilibrar o tom cômico com o drama, uma vez que a comicidade chega a ser transmitida de maneira trágica.

Mas o que mais torna GLOW tão especial é tratar com respeito uma literal luta por mulheres, a fim de alcançar um espaço relevante e uma figura mais importante no programa. Não pretendendo mudar completamente o sistema, mas fazendo isso de maneira pessoal, ou seja, um esforço íntimo para que elas mesmas se sintam mais valorizadas e apreciadas, enquanto GLOW em si, como série, trabalha de forma para que a mensagem de cada uma se transmita de forma universal para seus espectadores.

GLOW demonstra poder feminino sem nunca perder o charme. É uma das melhores séries da NETFLIX.

Por admin, 3 de julho de 2017
  • 1
1 Comment
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
Advertisement
Siga-nos
Newsletter
Receba nossas Novidades
Encontre-nos no instagram

@iconedocinema