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Em Suspense

Crítica: Festim diabólico (Rope, EUA, 1948)

  • 10 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Festim diabólico (Rope, EUA, 1948)
Rating: 5.0. From 1 vote.
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Nota: 5,0/5,0*   

Direção de Alfred Hitchcock. Roteiro de Hume Cronyn e Arthur Laurents. Elenco com James Stewart, Farley Granger e John Dall.

Dois jovens universitários Brandon (Dall) e Philllip (Granger) matam o seu colega David (Dick Hogan), apenas para comprovar que conseguem praticar o crime perfeito. Na sequencia, convidam toda família e amigos íntimos para jantar neste mesmo dia, servindo a comida em cima de um baú, exatamente onde está escondido o corpo.

Não, não são spoilers. É exatamente a história que aprendemos nos primeiros minutos de filme e é tudo o que se precisa saber.

Este suspense é bastante simples, mas também muito inteligente e ousado. Filmado em um único ambiente, ele contém 8 cortes de aproximadamente 4 a 10 minutos cada, dando a impressão de um plano-sequencia. A montagem foi tão bem feita e os cortes foram tão bem disfarçados que parecemos estar vendo cenas em um único plano.

A direção de fotografia é expressiva. Cores pálidas, mas com uma iluminação clara e uma janela enorme na sala principal que faz questão de mostrar o lapso temporal que transcorre durante o filme. Figurino, linguagem corporal (devido à excelente interpretação dos atores), a forma como os ambientes são montados (os livros, o luxo) e até os diálogos demonstram e evidenciam a alta sociedade, a intelectualidade, e a sofisticação, que, inclusive, dão sustentação à história.

A utilização de travellings para a horizontal e os diversos ângulos experimentados, na sua maioria planos médios e de meio primeiro plano, demonstram que, ao mesmo tempo em que somos inseridos no universo da perspectiva dos dois personagens principais, queremos manter uma relativa distância deles, pois não identificamos nem simpatizamos com o tamanho da perversidade de suas mentes.

O melhor de tudo, na realidade, é a forma como o suspense é trabalhado. Não é somente pela trilha diegética e o silêncio, mas é uma tensão criada pela própria narrativa. São planos detalhe que dão foco a objetos que, inicialmente podem parecer banais, mas fazem toda a diferença. É um livro, é um baú, é um chapéu, e principalmente uma corda, ou seja, constantemente somos introduzidos a novos elementos que podem ou não incriminar os assassinos.

 

E, por fim, o desfecho consegue ser visualmente muito bonito. Alfred Hitchcock é, de fato, o Mestre do Suspense.

Por Gabriella Tomasi, 10 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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