Voltar para Página principal
Em Festivais

[EXCLUSIVO] Entrevista com a atriz e produtora Eli Zavala de “La tierra aún se mueve”

  • 14 de junho de 2017
  • Por admin
  • 0 Comentários
[EXCLUSIVO] Entrevista com a atriz e produtora Eli Zavala de “La tierra aún se mueve”
No votes yet.
Please wait...

Na sexta edição do Olhar do Cinema – O Festival Internacional de Cinema de Curitiba – tivemos a oportunidade exclusiva de entrevistar a super simpática atriz e produtora mexicana Eli Zavala do filme experimental La tierra aún se mueve, ou A terra ainda se move (Leia a crítica aqui!).

Confira como foi nossa conversa:

[ICONE DO CINEMA]: Como surgiu a ideia de realizar este filme e como foram os primeiros contatos com o diretor Pablo C. Gutierrez?

[ELI ZAVALA]: A ideia de colaborar com Pablo surgiu desde que vi seu primeiro filme (Terrafeni, 2012) no festival de cinema de Monterrey (México). Foi me deparar com uma narrativa muito particular, quadros de tomadas longas, contemplativas, onde inclusive a inserção dos créditos estava “fora do lugar”; para mim foi vislumbrar as possibilidades cinematográficas de um diretor que estava se arriscando a romper com as regras ditadas do que um filme “deve ser” (assim, entre aspas) e expressar sua própria voz assim, mais nada. Alguns anos depois, Susana (a outra atriz do filme) e eu começamos a conversar com ele, primeiro de uma maneira muito casual sobre a possibilidade de fazer um projeto juntos, e é assim que o projeto começou a se desenvolver. A premissa que desde o início interessou Pablo sempre foi a exploração, indagar em outras possibilidades expressivas (para nós como atrizes) e nos afastarmos da criação de personagens concretos, ir descobrindo o filme pouco a pouco e nos permitir nos surpreender com as possibilidades que as próprias locações, luzes, sombras, textos, texturas e os próprios corpos poderiam contribuir para a configuração do filme.

[ICONE DO CINEMA]: Quais foram as dificuldades dentro da produção?

[ELI ZAVALA]: Justamente o que faz o filme a obra que é: que foi um exercício cinematográfico, no qual a incerteza foi uma constante (incerteza no maravilhoso sentido em que tudo era uma possibilidade), poucas coisas estiveram “set on stone”, pois a premissa mesmo do projeto era a fluidez em todas as instâncias, o descobrimento constante, inclusive no set e isso é em si uma maneira muito heterodoxa de fazer cinema porque, apesar de que Pablo desde o início tinha claro o que queria explorar, desde o ponto de vista da produção, foi contar com uma Gerente de Produção, cujo trabalho era prevenir nada mais do que as necessidades gerais que já estavam estabelecidas como premissa desde antes de começar a rodar, para estar acompanhando como estava evoluindo a produção no dia a dia para prever e resolver praticamente sobre o andamento das pequenas e menores eventualidades que estavam gerando. Mas em si, tudo isso foi pesado, por ser diferente, mas não considero que houve uma dificuldade tal qual. O que sim foi difícil foi construir um artefato que permitisse conter a aguar na frente da lente da câmera e que tivesse a possibilidade de manipulá-la para gerar essas imagens aquosas que permeiam o filme. Felizmente, José Luiz Arriaga, o Diretor de Fotografia, passou meses experimentando com materiais diferentes, construindo protótipos, até que pôde desenhar um dispositivo que lhe concedeu e concedeu a Pablo essa possibilidade de brincar com a água.

[ICONE DO CINEMA]: Como foi a experiência de trabalhar com o diretor Pablo C. Gutierréz no set como atriz?

[ELI ZAVALA]: É uma experiência que estava procurando faz muito tempo, durante as filmagens compartilhava com Susana: “se eu pudesse trabalhar assim em todos esses projetos, com essa liberdade, seria a coisa mais genial do mundo”. Não foi fácil, porque como atriz geralmente você tem uma linha a indagar no roteiro, o breakdown do personagem, em sua relação com os outros personagens, mas esse projeto sequer se propunha a existência de personagens! Então fiz uma confrontação para me distanciar da técnica, e tentei usar as ferramentas de atuação de uma maneira mais crua, tratar de abordar o que o Pablo propunha no set de uma maneira mais intuitiva. Parece fácil dizer, mas esse foi o desafio de trabalhar com Pablo. O que eu agradeço muito é que sempre houve um caminho aberto para comunicação e discussão (no sentido de compartilhar argumentos e dialogar) e isso é muito enriquecedor.

[ICONE DO CINEMA]: Quais formas de expressão audiovisuais por movimento se buscaram?

[ELI ZAVALA]: La fluidez, a água, as mudanças das coisas

[ICONE DO CINEMA]: Qual foi o objetivo desses experimentos?

[ELI ZAVALA]: Indagar outras possibilidades de fazer cinema, de se aproximar da expressão cinematográfica e ir descobrindo de maneira intuitiva o que funciona ou não para criar uma obra que atenda aos sentidos e não ao intelecto.

[ICONE DO CINEMA]: Na sinopse, o filme é descrito como um experimento sensorial “baixo a torção da serpente”. Poderia exatamente explicar o que essa expressão significa?

[ELI ZAVALA]:  Bom, essa frase foi algo que Pablo, junto com Alex Alva, encontram enquanto liam sobre a serpente na arte pré-hispânica e se depararam com o texto “insinuante a figura da serpente”, desde então Pablo se apropriou e propôs essa frase como sinopse do filme.

[ICONE DO CINEMA]: O que é que a audiência pode encontrar no filme?

[ELI ZAVALA]: Fluidez, movimento, sensações…

La tierra aún se mueve

Por admin, 14 de junho de 2017
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema