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Deuses Americanos e a História que se Repete

  • 5 de maio de 2017
  • Por admin
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Deuses Americanos e a História que se Repete
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Deuses Americanos (ou American Gods) é uma série distribuída pela Amazon em streaming, que originou de uma adaptação literária homônima escrita por Neil Gaiman. No início do episódio piloto, acompanhamos a jornada de Vikings que chegam à América após muito tempo de viagem. Cansados, sujos e com fome, acreditando terem encontrado salvação em uma nova terra, eles são logo detidos por índios que simplesmente massacram aqueles que tentam chegar perto para explorar a ilha, o que leva à morte de alguns companheiros. Com muitos sacrifícios e muito sangue jorrado eles logram fugir do local. Em seguida, muito tempo se passa e nos encontramos no presente. Conhecemos Shadow Moon, interpretado por Ricky Whittle, que é liberado antes do cumprimento de sua pena na prisão em razão da morte de sua mulher. No caminho do funeral ele encontra o Sr. Wednesday (Ian McShane), um homem que lhe oferece emprego e como sabemos, o protagonista se vê em meio à uma guerra entre deuses.

Apenas pela análise do seu piloto podemos extrair vários elementos técnicos que contribuíram para a representação de uma história que se repete no mundo em geral: um lugar corrupto, violento e visceral. O tom vermelho que se destaque do sangue e da violência é ressaltado já nos primeiros minutos de projeção quando os Vikings lutam uns com outros em um embate que não economiza na cor, deixando os demais tons da tela completamente ofuscados e mais leves para chamar a atenção. O mesmo se repete na violência perpetrada por Bilquis e nos minutos finais com uma intensa referência ao clássico Laranja Mecânica.

Por óbvio essa realidade se mistura com o universo fantástico que Shadow se depara ao sair da prisão, encontrando figuras místicas, fabulescas e chocantes durante sua jornada de superação e luto pela sua mulher, mas esse retrato não deixa de ser uma crítica dura à uma sociedade que busca constante e repetidamente o poder, e a dominação. Essa representação do divino, por conseguinte, não é à toa que se transparece deturpado: Wednesday é um homem velho, acabado, com vestimentas em cor pálida que revela uma figura ultrapassada; um duende é visto como traiçoeiro e provocador; Bilquis evoca a luxúria e; o Technical Boy com visual limpo devido à presença chamativa da cor branca é como se incorporasse um vírus do mundo organizado e quadrado da tecnologia.

Deuses Americanos

O fato portanto de estarmos lidando com velhos ou novos deuses traz em suas nuanças acima de tudo o objetivo maior: a conquista de poder político, a imposição de um império que já precede nossa história desde as colonizações, ou até mesmo antes. É o que vemos, por exemplo, a arte estampada nos créditos quando imagens de um cowboy, o símbolo da águia dos Estados Unidos ou um astronauta crucificado aparecem. Não coincidentemente, todos representam um símbolo de uma dominação, cada um associado a um momento histórico, mais especificadamente em relação à história dos Estados Unidos.

Deuses Americanos é, por conseguinte, um retrato importante que pode fazer nos refletir sobre nossa história e como ela se repete em diferentes formas: nós tivemos a conquista por terras, corrida bélica, embates tecnológicos que agora personificam entre deuses antigos e deuses modernos.

Que venham mais episódios!

Por admin, 5 de maio de 2017
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