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Em Animação

Crítica: Viva – A Vida é uma Festa (Coco, EUA, 2018)

  • 8 de janeiro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Viva – A Vida é uma Festa (Coco, EUA, 2018)
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Dirigido por Lee Unkrich. Codireção de Adrian Molina. Roteirizado por Adrian Molina, Matthew Aldrich. Elenco:  Anthony Gonzalez, Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía, Edward James Olmos.

A Pixar é uma empresa produtora de animação que todos os anos nos surpreende e impressiona não somente pela qualidade de suas animações, mas também pela universalidade dos valores e temáticas que explora. Desde Toy Story (1995-), Up – Altas Aventuras (2009) até Divertida Mente (2015) e recentemente Procurando Dory (2016), Viva: A Vida é Uma Festa se revela cada vez mais importante quando a analisamos sob a ótica política e social que os Estados Unidos enfrenta com seu atual presidente.

Em um vilarejo do México, o menino Miguel sonha em ser um músico, porém, devido à história de seus ancestrais, essa é uma carreira pouco desejada pela sua família e, ao contrário, incentiva-se uma carreira na fábrica de sapatos iniciada lá pela sua tataravó. Mesmo com a desaprovação, o menino decide se inscrever em um show de talentos local no Dia dos Mortos quando acidentalmente acaba sendo transportado para o mundo dos mortos e, para retornar, precisa da bênção que espera conseguir de Ernesto de La Cruz, um músico popular e famoso da região nos anos 20, com a ajuda do também falecido Hector, antes que o próprio Miguel fique preso neste universo e desapareça do mundo dos vivos.

Cores vivas marcam a animação Viva – A Vida é uma Festa (Créditos: IMDb)

Neste contexto, o roteiro explora o que há de mais rico nesta cultura: a importância da família e também a importância de celebrar a memória dos entes queridos que já não estão presentes fisicamente na data comemorativa. Dessa forma, há uma necessidade de que a fotografia de uma pessoa seja um dos meios de lembrança e de aprendizado de nosso passado, motivo pelo qual esse objeto a todo momento move a narrativa, seja para descobrir quem é o tataravô de Miguel, seja a busca de Hector em permanecer na memória o suficiente para que ele possa visitar sua filha. Aliás, é interessante como as fotos assumem diversas formas: uma foto pode representar um quebra-cabeças, uma história em movimento como os papéis recortados nos primeiros minutos iniciais, ou então pode representar uma forma de esperança.

Dirigido pelo vencedor do Óscar de Melhor Animação, Lee Unkrich (Toy Story 3), o cineasta consegue atingir tanto os mais novos quanto os mais velhos, pela leveza e delicadeza com que trata, através dos olhos de um menino, a temática da morte e da vida sob um viés cultural e de tradição, cuja riqueza das superstições da data são enaltecidas pelas cores vivas, em variação de tons de laranja e amarelo no universo vivo, enquanto o mundo dos mortos, embora sempre escuro, consegue se destacar pela fotografia fosforescente.  Da mesma maneira, a trilha sonora visou garantir a homenagem de gêneros musicais da cultura mexicana, tanto pelas antigas melodias folclóricas – como os mariachi – quanto pelos instrumentos típicos. O design da animação de Adrian Molina possui o mesmo capricho e atenção desde os detalhes mínimos como as rugas e covinhas de seus personagens, até a própria caracterização das caveiras dos mortos, todos cuidadosamente enfeitados em conformidade com a tradição mexicana.

Divertido e comovente, Viva: A Vida é Uma Festa consegue também conciliar diálogos impactantes e engaçados com grande criatividade. Apesar de repetir algumas gags já esgotadas como o braço que sai do esqueleto quando puxado, frases como “aproveite seu momento” passam a ter significados e conotações completamente diferentes durante a narrativa e apenas um roteiro inteligente consegue extrair um momento terno e engraçado com a frase: “espero que você morra logo” sem que isso degrade a história ou desrespeite seu público-alvo.

Viva: A Vida é Uma Festa é, portanto, uma ode à cultura, tradição e povo mexicano – um dos mais afetados atualmente pela política estadunidense – enquanto aborda valores universais e atemporais. É um verdadeiro clássico da animação.

Por Gabriella Tomasi, 8 de janeiro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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