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Em Ficção Científica

Crítica: Vida (Life, EUA, 2017)

  • 19 de abril de 2017
  • Por admin
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Crítica: Vida (Life, EUA, 2017)
Avaliação: 3.0. De 1 voto.
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Dirigido por Daniel Espinosa. Roteirizado por Rhett Reese e Paul Wernick. Elenco: Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare, Olga Dihovichnaya

O gênero da ficção científica é um tema riquíssimo de se explorar, principalmente as várias facetas sobre as consequencias do contato humano com o mundo extraterrestre, podendo criar resultados positivos e pacíficos como O Dia em Que a Terra Parou (1951), ou gerar discussões filosóficas e existencialistas do ser humano como 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), A Chegada (2016), e Interstellar (2014) ou até podem criar situações de luta por sobrevivência em meio ao completo vácuo como Gravidade (2013) e, por fim, a experiência hostil com seres e monstros desconhecidos como o clássico Alien – O 8º Passageiro (1979). Da mesma maneira, desde que a NASA confirmou as descobertas das expedições para tentar encontrar novas formas de vida em nosso planeta vizinho, Marte, ao mesmo tempo em que investiga o potencial que possui para ser habitado e colonizado por nós humanos, a indústria cinematográfica igualmente arranjou a oportunidade para explorar o assunto. Um dos mais recentes longas estrelou Matt Damon em Perdido em Marte (2015).

Vida é mais uma obra que se passa na órbita do planeta terra, próximo o suficiente para que suas fronteiras fossem captadas pela câmera. Lá, seis membros da ISS (Estação Espacial Internacional) da NASA embarcaram em uma jornada para estudar o material coletado do planeta vermelho que chega até eles: o médico americano Dr. David Jordan (Gyllenhaal); a Dra. Miranda North (Ferguson); o engenheiro Rory Adams (Reynolds); o piloto japonês Sho Murakami (Sanada), o biólogo britânico Hugh Derry (Bakare) e a russa “Kat” Golovkina (Dihovichnaya). Eles encontram então uma célula orgânica, o que indicaria o primeiro sinal de vida fora da Terra. A descoberta gera tanto clamor pela mídia e população, que o ser é atribuído o nome de Calvin após um concurso realizado. Porém, após aproximadamente um mês de testes e estudos, a célula começa a crescer e a se desenvolver rapidamente e de maneira inteligente até sua hostilidade colocar em risco o time e a vida no planeta Terra. Assim. Calvin se torna todo “músculos, cérebro e olhos”, iniciando uma luta de sobrevivência pelos tripulantes para ao mesmo tempo impedir que o alienígena chegue à Terra.

O ambiente espacial é muito bem executado pelo design de produção e a direção do sueco Espinosa contribui muito para a experiência. Com um maravilhoso e longo plano-sequencia inicial que mapeia o interior da estação e ao mesmo tempo apresenta a tripulação para o espectador, o diretor ainda brinca com a noção de gravidade (reparem como não existe um lado correto para ficar em pé) empregando movimentos circulares e angulares e a forma como são realizados os travellings nos dá a impressão de que flutuamos junto com os objetos e personagens.  Em conjunto com o trabalho de fotografia por Seamus McGarvey somos inseridos em um ambiente labiríntico, estreito e com formatos geométricos marcantes banhados em uma paleta cinzenta e cores pouco vivas, com exceção da iluminação clara e limpa que cerca a preciosa descoberta. O conceito de “vida” é literalmente transmitido por essas cores claras em conjunto com uma composição de trilha sonora que glorifica os primeiros momentos de contato com o minúsculo e aparente inofensivo ser. Na medida em que somos provados justamente ao contrário, as cores vermelhas e verdes se tornam cada vez mais intensas e os planos fechados utilizados desde o começo por Espinosa contribuem para aumentar a sensação de claustrofobia, enquanto os enquadramentos mais distantes do lado de fora da estação ressaltam o vácuo do espaço. Isso sem deixar de mencionar as lindas rimas visuais dos objetos circulares que simbolizam a vida e a morte.

 

Vida (Créditos: IMDb)

Apesar de um bom e competente trabalho técnico, Vida falha mais em seu roteiro problemático, o qual é co-assinado por Rhett Reese e Paul Wernick. A falta de criatividade dos roteiristas é visível ao testemunhar cenas frustrantes como ver competentes e renomados cientistas discutindo igual crianças diante do primeiro problema que lhes aparece. Por outro lado, o texto compensa em outros momentos como as reflexões dos personagens sobre o que estar no espaço representa para cada um deles, como por exemplo, o fato de Hugh se sentir mais livre sem o peso da cadeira de rodas. Além disso, o filme não apresenta nada de diferente, ou imaginativo que apresentasse maior impacto como o clássico de Ridley Scott já mencionado, a obra possui um vazio em suas entrelinhas e acaba não agregando muito ao gênero. E se faço esta comparação é porque não é ao acaso, já que a sua obvia semelhança deixa pouco espaço para originalidade. Por conseguinte, o seu resultado limitado dificilmente irá acrescentar, provocar ou ainda instigar o espectador acerca de questões importantes para fora da sala de cinema. 

Mesmo com muito erros em sua execução, Vida é satisfatório o suficiente quando cria suspense a partir do medo do desconhecido. Ainda que o mau uso de efeitos especiais não contribua para causar um medo mais palpável e impactante em relação ao alienígena, a tensão é plena e eficaz. Assim sendo, temos como resultado uma obra que cumpre sua proposta de um competente thriller que agradará aos fãs enquanto ansiosamente aguardam para a estréia da nova sequencia de Alien. O desfecho, devo salientar, advém de um incrível e habilidoso trabalho de montagem que certamente surpreenderá a muitos.

Vida, portanto, jamais será equiparado aos clássicos da ficção científica devido à ausência de complexidade em sua trama. É um filme que não chega a ser extraordinário, mas é decente o suficiente para atrair nossa atenção.

Por admin, 19 de abril de 2017
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