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Em Cinebiografia

Crítica: Vice (EUA, 2019)

  • 5 de fevereiro de 2019
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Vice (EUA, 2019)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Adam McKay. Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Tyler Perry, Alison Pill, Lily Rabe, Jesse Plemons, Steve Carell.

Vice é mais uma das produções que chegou a nove nomeações ao Óscar de 2019, inclusive na categoria de Melhor Filme. Na trama, acompanhamos a história de ascensão de Dick Cheney até a Casa Branca como um dos políticos que mais influenciou a história dos Estados Unidos e do mundo, ainda que exercendo o cargo de vice-presidente que, como o roteiro gosta de reiterar exaustivamente, era considerado até então como um cargo “nulo”.

Mas assim como Green Book – O Guia (2019), um dos seus concorrentes, o longa é bem sucedido pelo incrível trabalho de seus atores: Amy Adams e Christian Bale personificam impecavelmente seus personagens como o casal Lynne e Dick Cheney, respectivamente, e passam uma grande empatia para seu público. Isso sem mencionar Sam Rockwell, como o ex-presidente norte-americano Geroge W. Bush, que apesar de aparecer pouquíssimas vezes em tela, rouba a cena toda vez que se faz presente.

O filme é um claro apelo crítico, não somente para a política estadunidense, mas especialmente para o partido republicano, do qual o protagonista faz parte. Com muito humor, o roteirista Adam McKay – o responsável pelo incrível A Grande Aposta (2015) – não deixa de alfinetar sempre quando a oportunidade surge, utilizando desse tom, por exemplo, para transparecer um falso final feliz, ou uma ideia inusitada de que os funcionários deveriam andar nu pelos corredores ou então uma risada histérica em resposta a uma pergunta do então inexperiente aprendiz para seu chefe Donald Rumsfeld (Carrell) após questionar em que ideais o partido que acabara de se filiar se pautava, entre outros momentos brilhantes.

Vice (Créditos: IMDb)

O que prejudica, no entanto, Vice, é que embora conte com uma montagem eficiente, ela é ao mesmo tempo frenética, ou seja, que vai e volta no tempo com muitas elipses sem explicação, deixando muito pouco esclarecimento para quem deseja entender o que está acontecendo, principalmente para aqueles que não têm nem noção de quem seja o personagem principal da narrativa. O roteiro depende muito de metáforas para traçar uma personalidade mesquinha e manipuladora e isso nem sempre quer dizer que o público que vai até a sessão conseguirá compreender, como, a título de exemplo, as constantes cenas de Cheney escolhendo a presa certa para fisgar um peixe. É eficaz, sem dúvidas, e em certo nível passa a sua mensagem, mas deixa a desejar quando efetivamente tenta mostrar o deputado em ação e, dessa forma, dimensionar a sua inteligência…ou perversidade.

Neste contexto, o longa tenta copiar a fórmula de sucesso de A Grande Aposta, o que não significa que a mesma ideia se adapta a diferentes tipos de narrativa. Isso foi um grande erro de McKay que não beneficiou a obra como um todo. Felizmente, o resultado passa ainda uma mensagem bem clara e inequívoca sobre o tipo de política que os Estados Unidos costuma a praticar e a opinião de seu realizador em relação à ela, sem que a sua realidade seja apenas relacionável às pessoas que habitam suas fronteiras – principalmente pelo impacto que a vida das pessoas e do mundo todo teve simplesmente por ações egoístas.

Vice é sem dúvidas um filme incrível que infelizmente desperdiçou muito de seu potencial em poder contar uma história completa e inteligível a todos os tipos de audiência. Ainda assim, é uma experiência recomendável.

Por Gabriella Tomasi, 5 de fevereiro de 2019 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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