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Em Terror

Crítica: Verdade ou Desafio (Truth or Dare, EUA, 2018)

  • 3 de maio de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Verdade ou Desafio (Truth or Dare, EUA, 2018)
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Dirigido Jeff Wadlow. Roteirizado por Michael Reisz, Jillian Jacobs, Chris Roach, Jeff Wadlow. Elenco: Lucy Hale, Tyler Posey, Violett Beane, Hayden Szeto, Landon Liboiron, Nolan Gerard Funk, Sam Lerner, Aurora Perrineau, Sophia Taylor Ali, Tom Choi, Gary Anthony Williams.

Um fato é certo sobre filmes de terror: o gênero sempre acompanha as gerações mais jovens. Se nos anos 80 o público adolescente se cativava com a franquia de Sexta-Feira 13 e nos anos 90, a franquia Pânico conquistava seu espaço, o mercado naturalmente visou a se atualizar e se aproximar de sua audiência resgatando filmes como o Chamado 3 (2017), Atividade Paranormal (2007-2015) e Ouija: A Origem do Mal (2017), da mesma forma em que traz novidades como o original da Netflix A Babá (2017), Grave (2017), as estréias do cinema A Morte Te Dá Parabéns (2017), e o excelente A Corrente do Mal (2015), trazendo um elenco igualmente jovem e com temáticas que se relacionam com essa faixa etária.

Neste contexto, surge Verdade ou Desafio que se espelha e muito no último longa mencionado, protagonizado por Maika Monroe. It Follows – como é seu título original – dá início à trama exatamente da mesma forma do protagonizado por Lucy Hale, ou seja, com um foreshadowing, uma prenúncia do que viria ser todo o enredo quando, nos primeiros planos, uma vítima tenta fugir do poder destrutivo de um demônio. As semelhanças não são de todo ao acaso, já que ambos os longas exploram a adolescência atual e seus infortúnios como uma metáfora para assuntos maiores, misturando realidade e ficção em sua narrativa. No entanto, enquanto Corrente do Mal trata eficientemente de questões sérias como a cultura interiorana dos Estados Unidos, a própria banalização do sexo e das doenças sexualmente transmissíveis, Verdade ou Desafio em contrapartida é um compilado de besteiras e incoerências que o transforma no filme mais descartável do ano.

Neste contexto, sem mencionar a caricatura risível da representação de uma possessão demoníaca, que aparece como uma carinha smile retardada, Verdade ou Desafio simplesmente não faz sentido quando negligencia toda e qualquer discussão relevante acerca da geração retratada e as trata como se fossem meras causalidades sem maior contribuição para narrativa quando são, na realidade, essenciais e de importante desenvolvimento. São traições mal resolvidas, a revelação de homossexualidade que não é nem mostrada em tela, problemas alcoólicos não enfrentados, um triângulo amoroso confuso, briga entre policiais, traumas, e um caso de pedofilia seguido de suicídio que é tratado de forma banal e infantil.

Verdade ou Desafio (Créditos: IMDb)

Outras situações, ainda, não se dão ao trabalho de serem sequer explicadas, como uma foto de uma das vítimas vestida de freira (!), e neste sentido, o pouco da explicação que se dá para a origem de tudo isso não traz qualquer tipo de esclarecimento ou possui um papel minimamente importante que justificasse a existência em seu desfecho, inchando uma narrativa já repleta de absurdos. Da mesma forma, informações aleatórias são jogadas em tela sem nunca previamente terem sinal de vida antes, mas colocadas convenientemente conforme o roteiro as exige como, por exemplo, a história do pai de Markie (Beane) ou a revelação do verdadeiro nome de Carter (Liboiron).

Em Verdade ou Desafio nem seus próprios personagens salvam esse desastre quando se traduzem em estereótipos enfadonhos: temos a menina bonita e inocente, o babaca, o machista, o gostosão popular que todas querem, a bêbada que adora uma festa e a rebelde. Mas nenhum deles possui camadas ou são minimamente complexos, uma vez que suas atitudes são completamente imotivadas ou contraditórias, em especial a relação de amor e ódio entre Olivia (Hale) e Markie. Por conseguinte, não conseguimos nos aproximar dos personagens a ponto de nos importar com a trajetória de cada um deles ou sequer sermos impactados pelo desfecho daquele grupo de amigos. Em outras palavras, embora o filme contenha muita morte e violência perpetrada pelo jogo a que se refere o título, ainda assim o espectador pouco se verá afetado por eles.  

Em suma, Verdade ou Desafio não agradará os fãs mais exigentes do gênero, sendo ainda completamente esquecível mesmo que o espectador encontre algum tipo de entretenimento nele.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 3 de maio de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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