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Crítica: Venom (EUA, 2018)

  • 5 de outubro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
  • 0 Comentários
Crítica: Venom (EUA, 2018)
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Dirigido por Ruben Fleischer. Roteirizado por Jeff Pinkner, Scott Rosenberg, Kelly Marcel. Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Jenny Slate, Woody Harrelson, Sope Aluko, Scott Deckert, Marcella Bragio, Michelle Lee, Mac Brandt, Christian Convery, Sam Medina.

O Universo Cinematográfico da Marvel trouxe aos fãs e ao público geral muitas adaptações emblemáticas do cinema e passamos a conhecer de perto vários personagens. Por um lado, a narrativa leve e o tom humorístico que são amplamente utilizados permitem que famílias, crianças, adolescentes, ou seja, todas as idades possam apreciar as histórias (com exceção de alguns, como Deadpool) e faz com que o seu público alvo aumente. Por outro lado, no entanto, a fórmula “mágica” encontrada e tão repetida pelos produtores, roteiristas e diretores se torna cada vez mais cansativa, podendo reduzir significadamente o impacto de certos filmes. Infelizmente, isso é o que acontece com Venom.

Isto porque, curiosamente, o vilão dos quadrinhos do Super-Homem é o herói mocinho na tela do cinema. É o amigo de Eddie Brock (Hardy) que faz piada, dá conselhos e subitamente vai contra sua natureza destrutiva e decide ficar na terra porque “ele gostou” e porque ele também é um “loser” como o protagonista. Neste contexto, a jornada de adaptação entre hospedeiro e parasita e seu potencial destrutivo fica prejudicada em prol de uma aceitação emocional, mais do que uma transformação física e psicológica – há pouquíssimos momentos em que isso é explorado.  

Não somente o espírito de Venom que é traído, aliás, a história jamais tem qualquer conexão com o Homem-Aranha, mas o próprio roteiro é igualmente cheio de furos e elipses mal conduzidas. São seis meses que o parasita chega a São Francisco? Como há uma facilidade de uma criança entrar em um laboratório químico? Como a Dra. Doria (Slate) magicamente encontra Eddie no mercado? Qual é o papel da polícia da cidade neste filme? (reparem como eles desaparecem de repente após uma equipe inteira SWAT ser comida por um monstro). Existem também outros questionamentos que jamais são respondidos, inclusive no que tange à motivação de personagens como Carlton Drake (Ahmed).

Venom é uma criatura pouco aterrorizante (Créditos: IMDb)

A direção de Fleischer, por sua vez, é pavorosa. O uso excesso da tecnologia CGI é palpável desde os primeiros minutos do longa quando uma nave espacial aterrissa na terra. Nada parece autêntico, e por conseguinte tudo parece artificial. Com cenas de ação sofríveis devido à péssimas resoluções e câmera tremida, o cineasta não consegue dar credibilidade nem quando seus personagens olham de frente quando conversam com o parasita, tendo que todas vezes ajustar o ângulo do aparato em 45 graus para consertar o problema.

Isso sem mencionar o fato de que a textura de Venom não tem profundidade ou contornos algum para evidenciar um potencial lado negro na criatura, causando no espectador zero impacto emocional quando ele causa caos na cidade ou arranca cabeças ou come pessoas inteiras.

Venom é, portanto, um péssimo filme que não faz jus ao seu legado na história dos quadrinhos.

Observação: Não saiam da sessão! Há duas cenas pós-créditos.

Por Gabriella Tomasi, 5 de outubro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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