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Em Drama

Crítica: Utøya – 22 de julho (U – July 22, Noruega, 2018)

  • 5 de dezembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Utøya – 22 de julho (U – July 22, Noruega, 2018)
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Dirigido por Erik Poppe. Roteirizado por Siv Rajendram Eliassen, Anna Bache-Wiig. Elenco: Andrea Berntzen, Aleksander Holmen, Brede Fristad, Elli Rhiannon Müller Osbourne, Solveig Koløen Birkeland, Jenny Svennevig, Ingeborg Enes Kjevik, Sorosh Sadat, Ada Eide, Mariann Gjerdsbakk, Daniel Sang Tran, Torkel Dommersnes Soldal, Magnus Moen, Karoline Schau, Tamanna Agnihotri.

Dia 22 de julho de 2011 foi um dos eventos mais trágicos para a Noruega. Não somente a sede do governo fora alvo da explosão de uma bomba na sua capital, mas também o ataque à pequena ilha de Utøya, à 40km de Oslo, a qual se prestava naquele momento para abrigar a colônia de férias de jovens cujos pais eram majoritariamente políticos do mesmo partido, a dos trabalhadores. Obviamente, os motivos eram políticos e após 77 mortes e centenas de feridos fora descoberto que o autor dos crimes se filiava aos movimentos de extrema direita.

Pois bem. O filme dirigido por Poppe conta o trauma vivido a partir da perspectiva de uma jovem chamada Kaja (Berntzen), que tenta entender a situação e ao mesmo tempo encontrar sua irmã Emilie (Osbourne), de quem se separou em meio ao tumulto, assim como sobreviver aos pesados tiros que repentinamente tomavam conta de seu redor.

Na vida real, o terror durou 72 minutos e é exatamente a duração com que esse filme fora projetado. Uma cinematográfica maravilhosa e inigualável, a câmera na mão segue os movimentos da protagonista sem cortes nenhum. O efeito desse grande plano-sequencia se prestou justamente para conferir uma realidade de uma situação caótica e terrível que transforma a pouca duração do longa em intermináveis minutos não só para seus personagens, mas inclusive para seu espectador. Neste sentido, o realismo é impactante e fatal. As cores escuras em que predominam o verde, marrom e cinza também transparecem o ambiente de destruição.

As cores terrosas da paleta de cores da fotografia indicam um lugar hostil em Utøya (Imagem: Califórnia Filmes)

Além disso, é curioso como a narrativa desenvolvida escolheu simplesmente esconder o vilão desse filme e como o verdadeiro perigo se concentrava nos incontáveis disparos da arma de fogo, cujo design de som trabalhou cuidadosamente para que o suspense fosse gerado a partir do volume e da proximidade de cada um deles, em relação à perspectiva de Kaja, com a ajuda de vários figurantes que incessantemente fogem do perigo.

O resultado é surpreendente. Sentimos o desespero, o horror e as incertezas vividas pela protagonista em razão desse tom documental. As dúvidas e as perguntas sem respostas em meio ao caos, sem tampouco entender o porquê de eles serem a vítima desse trágico dia. E não é apenas com o atirador que Kaja sofre, pois ela também tem que enfrentar vários adolescentes negando-lhe abrigo ou se recusando a ajudar em prol do seu próprio individualismo, sintomático de toda uma geração.

Passamos a entender com Utøya – 22 de julho, portanto, as consequências devastadoras do ódio desmesurado tanto físicos quanto psicológicos, e quem sabe este longa traga um pouco mais de humanidade diante de tanta crueldade sofrida por tantas pessoas no mundo inteiro.

Um filme obrigatório para o ano de 2018.

Por Gabriella Tomasi, 5 de dezembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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