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Em Drama

Crítica: Um Homem de Família (A Family Man, EUA, 2017)

  • 18 de maio de 2017
  • Por admin
  • 3 Comentários
Crítica: Um Homem de Família (A Family Man, EUA, 2017)
Rating: 1.0. From 1 vote.
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Dirigido por Mark Williams. Roteiro por: Bill Dubuque. Elenco: Gerard Butler, Willem Dafoe, Anupam Kher, Alfred Molina, Alison Brie, Gretchen Mol, Max Jenkins.

Um Homem de Família conta a história de Dane Jensen (Butler), um headhunter, em outras palavras, um recrutador de profissionais para vagas de emprego na cidade de Chicago nos Estados Unidos. Sedento por dinheiro, inescrupuloso e distante emocionalmente de sua família, Dane é convocado para uma disputa com sua colega de trabalho Lynn Wilson (Brie) para decidir em três meses quem irá ficar no lugar de seu chefe Ed (Dafoe) quando este se aposentar. Todavia, a situação pessoal do protagonista então se agrava e entra em conflito quando seu filho mais velho Ryan (Jenkins) é diagnosticado com leucemia e deve passar por um intenso e pesado tratamento no hospital.

Caro leitor, se você leu até aqui e presume que esta é a típica história clichê do homem que pensa somente em dinheiro e está consumido pelo lado corporativo, mas que, após uma situação traumática, evolui e muda de comportamento, você está certo. O longa tenta adiar ao máximo a epifania do protagonista para que duvidemos até certo ponto deste desfecho, mas ele efetivamente acontece. Contudo, este não é o maior problema de Um Homem de Família (bom se fosse!), porque apesar de premissas batidas e reiteradas ainda assim é possível trazer um novo olhar para os filmes. Ocorre que, não somente este não traz nada de novo, mas trata seus personagens com a mais profunda irresponsabilidade e falta de respeito que chega a ofender qualquer espectador.

Primeiramente, pois o retrato do personagem de Dane é incrivelmente indulgente, sem que qualquer responsabilidade ou uma crítica por seus atos fosse desenvolvida apropriadamente, como o fato de fingir ser um agente do FBI para incriminar um cliente seu de ser pedófilo. Suas fraudes, crimes e atos imorais são passados como se não fossem tão gravosos assim. Desta forma, sua mudança e evolução são forçadas e repentinas apenas pela causalidade da doença de seu filho e não necessariamente porque o protagonista criou uma consciência acerca de seus atos a partir desses eventos. Além disso, seu desfecho redentor como o destino de Ryan ou um bilhete que Dane recebe ao final de seu chefe são completamente improváveis e contraditórios à toda narrativa até então trabalhada e apenas milagrosamente acontecem devido à mudança de atitude do protagonista.

 

Um Homem de Família (Créditos: IMDb)

 

Com uma clara referência e inspiração a O Lobo de Wall Street (2013) de Scorsese, o diretor Williams explora o mundo corporativo pelas inúmeras imagens dos centros urbanos da cidade norte-americana em planos aéreos, como os prédios e a movimentação das estradas, por exemplo, mas não consegue imprimir a mesma intensidade ou até mesmo a ironia do personagem interpretado por Leonardo DiCaprio. Butler tenta passar seu lado ambíguo pela sua devoção à família e sua ambição no trabalho, mas não funciona e o personagem até se passa por um homem infeliz e machista. Afirmando repetidamente à esposa o quanto ele faz pela família para eles terem uma vida confortável e as 70 horas semanais trabalhadas, tudo é como se fosse uma desculpa aceitável por sua ausência, e ele, ainda, diminui constantemente Elise quando ela demanda mais atenção diante da situação de Ryan, criticando ao mesmo tempo sua função em casa de mãe e de criação dos filhos (e não se arrepende), inclusive, tendo em outro momento uma conversa ridícula e desnecessária sobre seu papel durante o sexo que somente reforça a imoralidade de toda a trama. E é claro, Elise é submissa, agüenta todas as pressões e exigências do marido, sendo inteiramente desperdiçada e sem força mesmo quando se espera uma imposição maior de seu personagem.

Isso sem mencionar também o papel da mulher do mercado de trabalho que tampouco é explorado por meio da personagem Lynn, a qual é vista como a principal rival de Dane. Rebaixada por seu superior e colega (Ed sempre reforça o fato de que Dane é seu favorito), a narrativa sequer trás as dificuldades e preconceitos como uma reflexão importante. Pelo contrário, como sendo a antagonista, ela é mais um elemento que de certa forma impede o sucesso do “herói” – tratado muito mais como uma vítima do que um mal para si mesmo.

Neste sentido, é fato que a fotografia contribuiu para transparecer um mundo triste com a sua paleta de cores frias e essencialmente azulada devido a tudo o que ocorre na vida dos personagens principais, e, assim, dificilmente iremos encontrar cores quentes em tela. Um único momento em que observei uma iluminação mais aconchegante é quando Dane interage com Ryan em seu quarto. Mas essa ausência de vida neste mundo que não é presenciada nem quando está com a família, nem quando está em seu trabalho apenas reforça o intuito de toda a obra que é a de arrancar choros do espectador. É criar um ambiente deprimente e infeliz para o protagonista para que possamos nos emocionar. Porém é uma atitude forçada que não contribui ou desempenha um elemento realmente importante para a narrativa.

Ao final, Um Homem de Família defende tudo o que um “homem de família” não deveria ser.

Por admin, 18 de maio de 2017
  • 3
3 Comments
  • Sueli Morgado Bento
    22 de maio de 2017

    Um Homem de Família, filme que emociona, nos faz refletir, o que é mais importante nesta vida, as coisas materiais ou nosso lado espiritual?! Alimentarmos o nosso corpo ou a nossa alma?!?!
    O equilíbrio sempre foi a melhor escolha, mas nesse filme fui mais impulsionada pelo coração, o amor vence no final!

  • Sueli Morgado Bento
    22 de maio de 2017

    Agora vou comentar do meu ídolo, o rei GERARD BUTLER, tão lindo, contracena maravilhosamente bem, ele chora, nunca o tinha visto chorar, tão lindinho…da vontade de beijar inteirinho! Ops! Estou em público…pensei que estava escrevendo no meu diário!?☺️?

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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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