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Em Drama

Crítica: Últimos Dias em Havana (Últimos Días en la Habana, Espanha/Cuba, 2017)

  • 24 de agosto de 2017
  • Por admin
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Crítica: Últimos Dias em Havana (Últimos Días en la Habana, Espanha/Cuba, 2017)
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Dirigido por Fernando Pérez. Roteirizado por Fernando Pérez, Abel Rodríguez. Elenco: Patricio Wood, Yailene Sierra, Jorge Martínez, Cristian Jesus Pérez, Gabriela Ramos.

Se Woody Allen é um cineasta que consegue captar a magia e os encantos de qualquer cidade, então o cineasta Fernando Pérez merece o mesmo prestígio por lograr fazer com que uma cidade, ou um país, seja da mesma forma elevado a condição de personagem central de um filme. Com exceção de alguns documentários, como Buena Vista Social Club, Últimos Dias em Havana é o retrato mais sincero e verdadeiro da capital cubana: uma imensa pobreza em meio ao velho e decante  – mas ao mesmo tempo deslumbrante – bairro de Habana Vieja, sem que seu povo perca o sorriso, a alegria e a música.

A iluminação quente do quarto de Diego (Créditos: Esfera Filmes)

Neste contexto, somos apresentados ao personagem Miguel (Wood), com seu olhar melancólico e passos lentos que parece destoar de todo o barulho e agitação da cidade. Aos 45 anos e com pouca instrução, seu sonho é ir viver em um lugar melhor, nos Estados Unidos e, portanto, passa noites idealizando seu destino com um mapa ao lado de uma mesa onde aprende por conta própria o idioma. Ele vive com seu amigo Diego (Martínez), de quem cuida, que por sua vez é um homem portador de HIV já extremamente debilitado em razão da doença contraída.

Totalmente opostos um em relação ao outro, é interessante a dinâmica dessa dupla e é impossível não deixar de se emocionar com a história que os uniu. Miguel é um homem introvertido, calado, a ponto de ser descrito como “homem sem sangue”, possivelmente pelas suas frustrações como o fato de que não poder nadar o impossibilitou de chegar ao país norte-americano, mas que é, em contrapartida, incrivelmente protetor de seu companheiro. Diego é uma pessoa presa à uma cama, mesmo desesperado para sair dela com muita vontade e força de viver. Falastrão, brincalhão e muito extrovertido, ele é o principal responsável pelo tom cômico da narrativa.

A fotografia é um destaques do longa, pois tem um papel muito essencial que evoca o ânimo dos personagens: Miguel praticamente se camufla com suas roupas de cor cinza em meio à uma paleta fria e igualmente cinzenta, combinando por sua vez com a coloração dos cenários. Ao contrário de transmitir alguém que pertence a um lugar, aqui a sensação é de alguém que está preso lá e praticamente resignado. Todavia, nunca perde a esperança, perguntando todos os dias se o carteiro passou ou, também, o olhar curioso e interessado quando alguma notícia dos Estados Unidos aparece na televisão. O único lugar que possui cores quentes e lhe é mais aconchegante – já que até o local onde dorme é mergulhado em cores azuladas da melancolia – é o quarto de Diego, cujo humor também é ressaltado pela paleta, mas que é o único local onde se tem mais cores vivas. Da mesma forma, a direção de Pérez foi fundamental para captar todo o senso de claustrofobia nos planos mais fechados, assim como um sentimento de isolamento e desamparo pelos planos mais abertos, o que contribui diretamente para que o espectador sinta as dores de Miguel.

O resultado, portanto, é de uma representação bastante humana dos personagens, sem que recorra a nenhum tipo de estereótipos ou clichês: são pessoas com virtudes e defeitos, mas principalmente sonhos e desejos de uma vida melhor, como compartilham também Yusisleydis (Ramos), a prima de Diego que almeja se libertar dos abusos da mãe e P4 (Pérez), o qual embora tenha uma profissão considerada imoral, tem ambições muito relacionáveis a qualquer um.

Últimos Dias em Havana é uma envolvente história projetada com amor e com carinho, mas principalmente por tratar com seriedade ímpar o viés realista da trama é que ele tanto se diferencia.

Por admin, 24 de agosto de 2017
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