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Crítica: Transformers – O Último Cavaleiro (Transformers – The Last Knight, EUA, 2017)

  • 18 de julho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Transformers – O Último Cavaleiro (Transformers – The Last Knight, EUA, 2017)
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Dirigido por Michael Bay. Roteiro por Art Marcum, Matt Holloway, Ken Nolan. Baseado em Transformers da Hasbro. Elenco: Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Isabela Moner, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, John Turturro, Laura Haddock, Anthony Hopkins, Santiago Cabrera, Liam Garrigan, Jerrod Carmichael, Mitch Pileggi.

Três meses antes da estréia nos cinemas brasileiros da quinta sequencia de Transformers, tive a oportunidade de assistir a vinte minutos de alguns fragmentos de cena do novo longa de Michael Bay; alguns trechos do que viria a ser a história e a tecnologia empregada, a qual segundo o diretor, se prestava para tornar a melhor experiência cinematográfica para o espectador. Ao final, não somente eu, mas como diversos jornalistas e críticos apostaram na ideia, a qual tem realmente uma premissa muito boa de explorar o mito dos Transformers como parte da nossa história ocidental. Contudo, após presenciar o resultado em tela, posso afirmar que este é só mais um amontoado de incoerências e absurdos durante intermináveis duas horas e trinta minutos de projeção.

A trama principal gira em torno de uma guerra declarada entre humanos e autobots, os quais são considerados inimigos e isolados do convívio humano. Lá também se encontram o agora fugitivo da polícia Cade (Wahlberg) e seu fiel Bumblebee. Durante o resgaste de alguns jovens que invadiram um local proibido destinado a restos de autobots, Cade conhece Izabella (Moner) – uma jovem órfã que o protagonista acaba acolhendo e protegendo. Ao mesmo tempo, Edmund Burton (Hopkins) recruta Cade e a doutora em letras e filosofia Vivian (Haddock – aparentemente como uma nova Megan Fox) para salvar o planeta de uma nova ameaça que visa destruir toda a humanidade. Para completar, temos também Optimus Prime que retorna à sua terra natal em uma missão pessoal, onde encontra Quintessa, a criadora dos Transformers.

Por um lado, considero até positivo o fato de que a franquia tenha um estilo e uma marca própria na forma de conduzir a sua história, de tal maneira que sabemos exatamente o que vamos encontrar comprando o ingresso. Por outro lado, essa característica não é necessariamente um elogio, pois a qualidade, as inovações, a simplicidade não estão realmente presentes, pois o roteiro cria subtramas e inclui personagens que vão e (não) voltam (como um sujeito que dá informações a Burton), colocados em situações previsíveis e pífias (é sério que Izabella fica enrolando alguns meninos desconhecidos só para se afirmar perante eles, ao invés de fugir da polícia?), com condutas completamente contraditórias e convenientes demais, soltando frases vagas e vazias de sentido (como “eu nunca mais vou trair vocês”), além de uma câmera incontrolável que pouco conseguimos decifrar o que acontece em cena.

Porque este é um roteiro que visa ser inteligente e complexo, mas acaba sendo muito mal desenvolvido, devido à inúmeras subtramas e a inúmeros personagens em torno disso que o diretor não consegue dar conta também em razão do próprio roteiro. Neste sentido, nós temos a lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda; a relação de Cade com sua filha; a relação de Cade com Izabella; a relação de Cade com Vivian; a relação destes últimos com Burton (o que inclusive, eles simplesmente esquecem da existência do personagem em certo momento); a relação de Cade e Lennox (Duhammel); a missão de Lennox e seu chefe direto; a relação do seu chefe com um cientista; a jornada de Optimus Prime e Quintessa; assim como o arco dramático por qual passam os demais Transformers, como Cogman, Sqweeks, Bumblebee, Megatron, e companhia (isso que não estou contando o elenco secundário, como um dos parceiros de Lennox que tem preconceito contra autobots). Além disso, as lendas não possuem uma função narrativa específica, senão apenas se prestam para justificar os atos dentro da missão dos personagens principais para dar sentido a algo que já não faz sentido (não consigo entender como Cade e Vivian roubam um museu-submarino, como se fosse nada, e Burton “suborna” a mulher do caixa com dinheiro). E sim, é exaustivo de ver e também de ler essa mistura.

Transformers: O Último Cavaleiro (Créditos: IMDb)

E mesmo com esses problemas de roteiro, Bay continua insistindo em planos curtíssimos e muito fechados para forçar os momentos dramáticos, assim como uma decupagem extremamente irregular e fragmentada que não exploram, nem uma única vez, os ambientes (reparem como os personagens não permanecem muito tempo em cada um dos cenários). Tudo é filmado por meio de uma câmera tremida que simplesmente tornam incompreensíveis as cenas, especialmente as de ação. Sinceramente acredito que foram empregadas apenas para maquiar o péssimo trabalho.

Outro problema é que Bay dificilmente sabe trabalhar a mise-en-scène e organizar seus atores em cena. Por exemplo, quando Optimus Prime e Bumblebee se enfrentam, Cade e Lennox parecem ir de um lado para outro, sendo jogados por ondas e só fazem algo quando o roteiro realmente determina; Burton tem uma péssima e ridícula conduta de se jogar em meio a um tiroteio (e achar que não seria afetado) que ofusca outro confronto importante ocorrendo no mesmo momento; além de objetos que são jogados para o espectador e apenas têm muito breves propósitos como um talismã que fica sob a guarda de Cade.

A cereja desse bolo é o possível romance que surge entre Vivian e Cade que revela-se previsível, clichê e cafona demais (e confirma minha teoria sobre como Wahlberg precisa ter um interesse amoroso em todos os seus filmes). Vivian é o tempo todo lembrada de que precisa de namorado (?); piadas sem graça e com conotação sexual são desnecessárias, podendo até ser ofensivo ao público mais jovem e só comprova que a franquia adora objetificar seus personagens femininos.

Por fim, fico em dúvida se é desleixo ou proposital não executar algo com mais substância.

Transformers – O Último Cavaleiro pode até não ser o pior filme da franquia, mas é sim um dos piores filmes do ano.

Por admin, 18 de julho de 2017
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