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Crítica: Tomb Raider – A Origem (Tomb Raider, EUA, 2018)

  • 15 de março de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Tomb Raider – A Origem (Tomb Raider, EUA, 2018)
Rating: 2.5. From 1 vote.
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Dirigido por Roar Uthaug. Roteirizado por Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons. Baseado na série de video-games Tomb Raider por Crystal Dynamics. Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu, Kristin Scott Thomas, Hannah John-Kamen, Antonio Aakeel, Derek Jacobi, Nick Frost.

Neste reboot, Alicia Vikander estrela nas telas dos cinemas como a protagonista dos video-games de Tom Raider, a Lara Croft da nova geração, sucedendo o papel que anteriormente fora atribuído à atriz Angelina Jolie no início dos anos 2000. Em uma era em que a linguagem do próprio jogo está sendo incorporada ao cinema, nada mais natural do que esperar um novo início desta franquia. Como o próprio título sugere, estamos aqui diante de um filme que explica as origens da heroína, quando ela encontra pesquisas acerca de um túmulo de uma antiga rainha da morte, chamada Himiko, localizado em uma ilha próxima a Hong Kong, cujas pistas indicariam as respostas sobre o suposto falecimento de seu pai Richard Croft (West).

A atriz sueca faz jus ao papel da protagonista, e o que vemos desde os primeiros minutos do longa é seu lado esportivo através de treinos de boxe, ciclismo e arco e flecha. Vikander traz um realismo interessante para Lara Croft, sendo palpáveis todos os esforços que a personagem faz a cada obstáculo. Seja correndo atrás de bandidos seja lutando contra uma corrente forte do mar, o diretor norueguês Roar Uthaug se concentra nos movimentos dela e cada passo lógico, inclusive mental, que ela faz para contorná-los. E há quem reclame da mudança de traços curvilíneos que Jolie possuía para o da atriz, já que aquela se aproxima mais com a figura gráfica dos video-games, mas para mim, isso é um ponto positivo. Vikander representa uma atleta e isso justifica suas habilidades e torna ainda mais realista seu desenvolvimento durante a jornada. Por sinal, é extremamente superficial as pessoas se concentrarem em um detalhe enfadonho como este.

Tomb Raider – A Origem (Créditos: Warner Bros.)

Infelizmente, os pontos positivos do filme não passam para além de seu elenco. O roteiro é incrivelmente falho, uma vez que conta com personagens desmotivados e unidimensionais, como o próprio vilão Vogel (Goggins), ou o braço direito de Lara, Lu Ren (Wu), além de inúmeras facilidades que concedem aos personagens resolverem certos impasses. Difícil entender por que convenientemente este último fora poupado por um antagonista supostamente inescrupuloso mesmo tendo ajudado tanto e de maneira tão evidente a protagonista escapar de um trabalho escravo. Outro problema se revela na grande repetição de cenas em flashbacks de Lara e seu pai que não agregam nada à narrativa, pois a impressão que fica é que elas foram inseridas como uma tentativa de preencher o vazio da relação entre ambos personagens, e a ausência de tempo para desenvolver esse aspecto, assim como justificar o tempo todo o abandono da filha.

Essa ausência de um maior aprofundamento também é consequência de um filme que aposta e depende demais de suas cenas de ação para funcionar. Por um lado, Lara realmente põe à prova seus limites físicos em Tomb Raider e é forçada pelas leis da sobrevivência a superá-los. Por outro lado, há uma fraqueza imensa nas coreografias de lutas, muitas delas que se repetem à exaustão e traz pouca eficiência para os embates.  Essa artificialidade se acentua mais quando Uthaug também confia demasiado nos efeitos visuais, com um excesso em CGI empregado que retira todo aquele senso de realismo que Vikander luta tanto para manter vivo e, além disso, retira de alguns momentos qualquer senso de ameaça ou perigo real físico.  Isso sem mencionar a edição e movimento de câmera frenéticos que fazem com que mal possamos compreender o que se passa em tela.

Tomb Raider: A Origem, portanto, representa um ponto de partida bastante fraco para a franquia, porém, em meio a tantos deslizes e equívocos, Alicia Vikander definitivamente foi a melhor escolha desse filme.

Por Gabriella Tomasi, 15 de março de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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