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Em Comédia

Crítica: Tal Mãe Tal Filha (Telle Mère Telle Fille, França, 2017)

  • 22 de julho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Tal Mãe Tal Filha (Telle Mère Telle Fille, França, 2017)
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Direção por Noémie Saglio. Roteiro por Agathe Pastorino e Noémie Saglio. Elenco: Juliette Binoche, Camille Cottin, Lambert Wilson, Catherine Jacob, Michaël Dichter, Stéfi Celma, Philippe Vieux, Olivia Côte.

Tal mãe, tal filha é um filme francês que teve sua estreia no festival de cinema Varilux em 2017, no Brasil. Com uma simples premissa, esta comédia conta a história de Mado (Binoche), que é uma mãe divorciada e teve Avril (Cottin) com apenas 17 anos, e agora, 30 anos mais tarde mora com sua filha. Após um encontro casual com o ex-marido ficou grávida ao mesmo tempo em que sua filha engravida do namorado. Mado parece ter parado no tempo desde sua adolescência, se comportando de um jeito livre, rebelde, moleca e sem muita responsabilidade, sem emprego ou juízo, morando na casa de sua filha.  Em contrapartida, Avril tem uma vida estável, mais indepedente com emprego, companheiro, e um apartamento.

Quando ambas descobrem a gravidez, contudo, as novas experiências e hormônios mexem com a nova fase de Avril de modo que sua mãe passa a ser quem lhe traz o suporte. E esse, na realidade, é peça central do tom cômico dessa obra que infelizmente tem a péssima escolha de colocar os personagens femininos como loucas ou histéricas em razão da gravidez, enquanto os personagens masculinos são retratados como os mais “racionais”. Essa abordagem não somente perpetua um tipo de sexismo do pior gosto, mas não realmente desenvolve uma das fases mais importantes na vida da mulher de maneira séria, mas superficial: o da gravidez, e, se não bastasse isso, ainda trata o aborto como uma situação banal.

Tal Mãe, Tal Filha (Créditos: Califórnia Filmes)

 

Outro ponto que não ajuda é a forma comédia pastelão estilo Hollywood que cria situações absurdas para tirar risos do espectador, mas na maioria das vezes não funciona: como Avril subindo o telhado já em um estágio avançado da gravidez, ou então o fato de que o namorado de Avril e o ex-marido de Mado simplesmente somem ao final do segundo ato para que ambas possam gestar juntas o resto dos meses que lhe faltam; o fato de Mado facilmente invadir o concerto do ex-marido; e isso sem mencionar outros personagens perdidos que transitam sem propósito na trama como a melhor amiga de Mado ou o assistente de Avril. Outros conflitos tampouco são resolvidos e, ao invés disso, são deixados de lado principalmente em relação à Avril e sua carreira; seu relacionamento com o namorado e até com seus sogros.

E é exatamente em razão da forma como se trata a comédia atualmente, como é tratado aqui em Tal Mãe e Tal Filha, que o gênero passa a se tornar vazio e sem originalidade, pois já não é mais importante que o tom tenha uma função importante ou seja um meio para explorar ou fazer um estudo profundo da temática a que se propõe, basta que o espectador aceite as situações que são jogadas em sua frente sem se importar realmente com a logicidade delas. São filmes como este longa, portanto, que prejudicam  o avanço do gênero e só repetem fórmulas batidas.

Tal Mãe e Tal Filha é o tipo de comédia que pode ser um programa para entreter, mas não esperem qualquer trabalho refinado ou com substância. É do tipo que você esquece logo em seguida.

Por admin, 22 de julho de 2017
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