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Em Drama

Crítica: Submersão (Submergence, EUA, 2018)

  • 18 de abril de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
  • 1 Comentários
Crítica: Submersão (Submergence, EUA, 2018)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido por Wim Wenders. Roteirizado por Erin Dignam. Baseado na obra homônima de J.M. Ledgard. Elenco: James McAvoy, Alicia Vikander, Alexander Siddig, Celyn Jones, Audrey Quoturi, Hakeemshady Mohamed, Jess Liaudin, Harvey Friedman, Alex Hafner.

Submersão é uma daquelas produções com muitas expectativas positivas. Wim Wenders, o responsável por grandes obras como o clássico Paris Texas (1984), Pina (2011), Buena Vista Social Club (1999) e o elogiadíssimo O Sal da Terra (2015), assume aqui a direção, contando em seu elenco duas estrelas principais que já nem precisam provar seu talento: Alicia Vikander, vencedora do Oscar pelo seu papel em Garota Dinamarquesa (2016) e James McAvoy o protagonista do excelente Fragmentado (2017). Curioso é que mesmo com tantos pontos a seu favor, Submersão consegue decepcionar.

Na trama Danielle Flinders (Vikander) é uma cientista fascinada pela vida no mar, principalmente por suas profundezas, que se apaixona pelo agente secreto James More (McAvoy), o qual se apresenta como um falso engenheiro hidráulico contratado para uma empreitada, mas que possui o intuito de conseguir informação sobre o Al Qaeda na Somália. Ambos se conhecem em um hotel remoto e íntimo na Normandia antes de prosseguirem com suas respectivas missões: enquanto James se prepara antes de se dirigir à África, Danielle também planeja viajar até as profundezas do oceano Ártico em busca de evidências de vida. A narrativa também alterna os acontecimentos logo antes de ela embarcar para o oceano – e portanto depois de seu tempo com James – ao mesmo tempo em que este já se encontra em cativeiro, sendo capturado e torturado por um grupo de radicais.

A fotografia em tons mais quentes e iluminação amarela torna o ambiente conchegante e íntimo em Submersão (Créditos: IMDb)

Esse é um filme que trata do encontro e desencontro de duas pessoas, tomadas por seus próprios destinos e, neste aspecto, Submersão funciona relativamente bem.  Porém, a história não vai além do amor superficialmente apresentado. Em outras palavras, o longa não tenta ir além de uma história entre duas pessoas que se cruzam na vida, fazendo Wenders um péssimo e confuso trabalho ao alternar os espaços temporais dramáticos entre presente e passado, contando ainda com um suspense banal e falso nos minutos finais.  Os personagens não possuem vida fora de seus respectivos trabalhos, não possuem uma personalidade ou um arco dramático definido. Tudo, literalmente tudo gira em torno no romance entre eles. Por outro lado, o design de produção fez um papel eficiente em conceder um tom melancólico à produção desde o começo do longa, cuja fotografia apenas adquire tons mais quentes quando ambos estão confortáveis nos aposentos e espaços ao redor do hotel, compartilhando a vida solitária que assumiram.  No entanto, não há mais nada fora dos detalhes frívolos que o compõem.

Além disso, o enredo se torna cada vez mais contraditório ao retratar alguém tão focado e tão engajado em seu trabalho como a protagonista é, para ela depois ter uma mudança de comportamento brusca, na qual as prioridades mudam e colocam a personagem de Vikander olhando o celular a cada cinco minutos na esperança de um contato de James, como uma obsessão nunca motivada, enquanto este sofre realmente um perigo muito mais palpável. Dessa forma, o drama torna-se cansativo, esquemático, repetitivo, o que não ajuda com a adição de diálogos risíveis como “a minha camada de água preferida é a do corpo humano” (?).

Wim Wenders tinha um potencial grande em suas mãos, tendo em vista a sua habilidade única de transpor as especificidades das regiões onde filma como parte do enredo narrativo do próprio arco de seus personagens. Mas aqui, nada disso foi feito.

Submersão é, em suma, um filme que será difícil de agradar seu espectador.

Por Gabriella Tomasi, 18 de abril de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.
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Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

1 Comment
  • CRISTINE S AFFONSO
    19 de abril de 2018

    A impressão que tenho é que todos os críticos analisando esse filme beberam na mesma fonte e só ficam repetindo as mesmas coisas, tipo ‘Danny olhando o celular de 5 em 5 minutos”. É difícil achar uma crítica que realmente tenha se preocupado em analisar Submersão sem essa montanha de clichês críticos. Muito chato isso, pois o filme é lindo e merece mais atenção e cuidado.

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