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Em Cinebiografia

Crítica: Stefan Zweig – Adeus, Europa (Vor der Morgenröte, Áustria/Alemanha/França, 2017)

  • 11 de abril de 2017
  • Por admin
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Crítica: Stefan Zweig – Adeus, Europa (Vor der Morgenröte, Áustria/Alemanha/França, 2017)
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Direção por Maria Schrader. Roteiro por Maria Schrader, Jan Schomburg. Elenco: Josef Hader, Barbara Sukowa, Aenne Schwarz, Tómas Lemarquis, Lenn Kudrjawizki, Charly Hübner, Nahuel Pérez Biscayart, Harvey Friedman, Valerie Pachner, Matthias Brandt, Ivan Shvedoff.

Stefan Zweig foi um dos mais importantes escritores austríacos nas décadas de 30 e 40. Sua influência no mundo foi tamanha, que ele é o real responsável pela frase: “Brasil, país do futuro”, o que não coincidentemente é o título de uma de suas obras mais importantes. Sua vinda ao Brasil não foi somente por curiosidade ou admiração pelo país, mas gira em torno do contexto da ascensão do Hitler ao poder e o desencadeamento do início da Segunda Guerra Mundial. Haja vista ser judeu, o autor se refugiou em vários países e dentre deles, permaneceu exilado com sua esposa Lotte no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos.

A trajetória da vida de Zweig (Hader) é aqui então contada em uma narrativa linear, contada em capítulos que pontuam basicamente o período vivido nos três referidos países até sua morte. O longa dirigido pela alemã Maria Schrader é lindo de ser visto, principalmente pela utilização criativa dos ângulos da câmera. No início da trama, por exemplo, um evento político que nos introduz o protagonista é pomposo e cheio de luxo. O plano fixo e centralizado praticamente nos faz enxergar somente uma mesa para um banquete que se encontra regada a flores o que nos indica o que vamos ver do começo ao fim: um homem extremamente valorizado, cultuado e prestigiado.

Stefan Zweig – Adeus, Europa (Créditos: IMDb)

Mas não é porque Zweig está fisicamente longe da guerra que ele não sentirá as pressões e as frustrações do que as ações de Hitler não somente estão causando à sua etnia e população, mas também da forma como o mundo inteiro encara esta situação. Embora se recuse veemente falar mal da Alemanha ou se expressar diretamente sua posição política em suas obras testemunhamos uma vida nômade que o vai consumido pouco a pouco, especialmente devido à sua influência em poder trazer mais refugiados para os Estados Unidos. Neste aspecto, é possível notar pela contemplatividade dos cenários realçada pela maravilhosa fotografia de como as matas brasileiras e o calor intenso o sufocam, assim como o frio e rígido inverno nova-iorquino afeta especialmente Lotte (Schwarz) e suas crises de asma.

Todavia, este é um filme que não aprofunda muito o íntimo do protagonista, deixando um gosto de “quero mais” sobre a vida do autor. É uma jornada pessoal insatisfatória e muito objetiva, cuja notoriedade apenas reside à construção de um ambiente que evoca sensações e trazem um impacto emocional para Zweig e sua esposa, além de alguns diálogos reflexivos sobre seu papel como artista e influente em tempos de guerra, principalmente aqueles com sua ex-esposa Fritzi (Sukowa), em um lindo plano que simboliza os embates e conflitos que os distanciam por meio de duas janelas que separam os personagens em um e outro canto do quadro. Ainda assim, não mergulhamos totalmente na psicologia do protagonista, e ao contrário, sempre nos mantemos um pouco distantes. Em razão da ausência de desenvolvimento de sua personalidade, suas fraquezas e suas virtudes, inclusive se torna mais difícil de nos identificarmos com suas agonias ou até mesmo obstaculiza compreender que Zweig possa sofrer de algum conflito interno. Quem foi exatamente Stefan Zweig? Qual foi efetivamente sua contribuição para o mundo da literatura? Como é exatamente sua forma de trabalhar e raciocinar para criar obras literárias inovadoras? Todos esses questionamentos não são respondidos.

Stefan Zweig: Adeus, Europa é o resultado de uma cinebiografia incompleta. Um relato superficial do percurso do protagonista até os seus últimos dias de vida no Brasil que jamais consegue se aproximar de seu espectador.

Por admin, 11 de abril de 2017
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