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Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi, EUA, 2017)

  • 18 de dezembro de 2017
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi, EUA, 2017)
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Direção  e roteiro por Rian Johnson. Baseado em Star Wars de George Lucas. Elenco: Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill, Carrie Fisher, Kelly Marie Tran, Lupita Nyong’o, Billie Lourd, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie, Andy Serkis, Benicio del Toro.

Os primeiros seis capítulos da saga Star Wars certamente se concentraram na história das lendas que se formaram não somente no seu próprio universo, mas para sua legião de fãs: Luke e Leia e seu pai, o maior ditador da galáxia, Darth Vader. Desde o spin-off Rogue One e a sequencia de O Despertar da Força, no entanto, a franquia realmente dava sinais de dar continuidade e expandir para dar espaço a novos personagens, novas histórias e novos protagonistas. Os Últimos Jedi representa tudo isso sendo um longa de transição.

Rian Johnson é um realizador que realmente entende e soube lindamente trabalhar a franquia, respeitando sua essência e ao mesmo tempo dando uma identidade própria, uma característica que a faz avançar para novos horizontes. As auto-referências, por exemplo, não somente reverenciam capítulos anteriores, mas também possuem uma função narrativa bem específica dentro da narrativa como, por exemplo, a presença dos sóis gêmeos vivenciado por Luke Skywalker (Hamill), o seu X-Wing afundado na água e a “apropriação” de Rey (Ridley) do Millenium Falcon são toques sutis e elegantes. 

Aliás, é interessante observar a relação de como a geração mais velha sente o peso de suas ações passadas, ao passo que os mais novos tentam assumir cada vez mais responsabilidades, inspirados pelos princípios e legados que os seus antecessores deixaram. Rey tenta lidar com as transformações pelas quais ela passa, motivo pelo qual insiste que Luke a treine, mas este, por sua vez, sente o peso e a exaustão de tudo o que vivenciou. Neste aspecto, sua mão mecânica passa a ser vista como uma marca, uma cicatriz permanente de suas lutas e de seus fracassos. Leia, nossa eterna princesa interpretada por Carrie Fisher, também não fica muito longe de todo esse sentimento: sua culpa pela perda de tantas vidas em tantas batalhas, seu ar sereno, mas com respiração e postura pesada somente refletem tudo o que ela igualmente passou. Ignorância, imaturidade e impulsividade é o que presenciamos nos mais novos como Finn (Boyega), Rose (Tran) e Poe (Isaac), contudo, os três também representam uma geração que tem muito a aprender mas que mantém a esperança viva, mesmo quando os mais velhos sentem que não há mais. Percebam como Poe recebe o apelido de “o encrenqueiro” justamente por representar tudo isso. Assim sendo, nenhum deles, nem mesmo os membros do lado sombrio da Força como Snoke (Serkis) ou General Hux (Gleeson) se demonstram menos humanos e sim igualmente falhos quando somente enxergam o que querem a ponto de se auto-sabotarem.

Episódio VIII: Star Wars – Os Últimos Jedi (Créditos: IMDb)

Em relação à fotografia, este foi o elemento técnico mais impressionante de todo o filme, junto com uma inteligente direção de Johnson. A sala onde reside Snoke, a título de exemplo, é uma obra prima que fala por si só: um ambiente completamente vermelho, representando a violência, urgência e destruição que ela pode causar, assim como os tons de cinza que enaltecem o lado sombrio e uma túnica dourada para representar sua vaidade.  Ou as mesmas cores na batalha de Crait criando um contraste belíssimo entre o branco da paz e o vermelho sangue que ao mesmo tempo concedem uma pista extremamente importante em relação ao personagem de Luke.

No entanto, o que prejudica o longa é o excesso de informação. Johnson consegue contornar este problema em algumas ocasiões com o uso de raccords e diálogos que se comportam como “cliffhangers” para conectar três linhas narrativas e, em outras vezes, se utiliza de ações simultâneas em uma montagem alternada que se revelou muito eficiente. Ocorre que, embora o sucesso em diversos momentos, outros se mostraram desastrosos, como uma elipse não preenchida pela presença de Rey ao final e personagens deslocados como o de Benicio Del Toro que Finn e Rose encontram em busca de um McGuffin. E apesar de entendermos o propósito desta linha posteriormente, já que ambos conseguem enfrentar seus próprios arcos dramáticos, a sensação de que toda a mensagem sobre esperança, heroísmo, guerra e seus lucros que concedem ao mesmo tempo um caráter mais sombrio à Resistência não possui uma solução satisfatória, mas permanece solta.

É, portanto, em razão de tantas histórias, mensagens e linhas narrativas que a trama de Os Últimos Jedi se torna inchada desnecessariamente, e, ao invés de optar por simplicidade, peca-se pelo excesso e a preocupação exagerada de querer ser complexo.  

Apesar dos aspectos negativos, o filme sai com um saldo muito positivo. Star Wars: Os Últimos Jedi é, em suma, um belíssimo trabalho, sem dúvidas e talvez o melhor resultado visto nos últimos anos, mesmo não sendo uma obra perfeita.

Por Gabriella Tomasi, 18 de dezembro de 2017 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS.
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