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Em Terror

Crítica: Slender Man – Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, EUA, 2018)

  • 23 de agosto de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Slender Man – Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, EUA, 2018)
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Dirigido por Sylvain White. Roteiro por David Birke. Baseado em Slender Man de Eric Knudsen. Elenco: Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair, Annalise Basso, Javier Botet, Taylor Richardson, Alex Fitzalan, Kevin Chapman.

Acredite ou não, mas a história de “Slender Man” começou em 2009 quando Eric Knudsen fez um même em photoshop, no qual aparecia uma figura fantasmagórica alta e esguia pairando sobre as cabeças de crianças. Não demorou muito para que a foto popularizasse na internet até virar mito e, na sequencia, uma lenda urbana. E é claro, também proporcionando uma interessante inspiração para uma história de terror para os cinemas. Infelizmente, Slender Man: Pesadelo Sem Rosto não passa de mais um resultado medíocre para a lista de filmes do gênero.

Na trama, as adolescentes Wren (King), Hallie (Telles), Chloe (Sinclair) e Katie (Basso) ouvem falar de um monstro chamado Slender Man  (Botet) que é invocado por meio de um vídeo na internet. No maior estilo “à la O Chamado”, as amigas passam a ter pesadelos, visões e a ser perseguidas pelo tal homem sem rosto após assistirem à gravação. Posteriormente, quando Katie desaparece, as demais se unem para tentar enfrentar o monstro e trazê-la de volta.

Quando nos deparamos com uma lenda totalmente nova e instigante como esta, o mínimo que se espera é que ela seja efetivamente explicada. Porém, somente àqueles que já estão familiarizados com a história, ou seja, os adolescentes, poderão compreender o filme. A restrição ao público-alvo, no entanto, não é o maior problema do roteiro, quando este sequer chega a discutir temas importantes como os impactos devastadores do vazamento de fotos e imagens, já que a dita foto chegou a provocar traumas sérios em adolescentes na vida real. O longa até tenta empregar um esforço para chocar a audiência como o efeito causado no interesse amoroso de Hallie, Tom (Fitzalan). Mas tal abordagem é completamente deixada de lado no meio da narrativa.

A figura de Slender Man é repetidamente mostrada por inteiro, prejudicando o mistério envolvendo a criatura. (Créditos: IMDb)

Assim sendo, Slender Man possuía todos os elementos à sua disposição para se tornar um potencial filme de terror relevante, no entanto, as ambições da produção se limitam à técnicas cinematográficas pouco interessantes ou inovadoras para causar jump scares (ou sustos fáceis); a um roteiro raso e sem desenvolvimento algum de seus personagens que faça os aproximarem de seu espectador; à sequencias clichês de suspense e; à uma fotografia tão escura que mal conseguimos distinguir qualquer coisa em tela, porque não passa pela mente de ninguém ligar uma única luz durante a noite. Isso sem mencionar a propaganda flagrante dos telefones celulares da mesma marca produtora.

Em relação à própria criatura-título do filme tampouco encontramos muitos méritos, ainda que seja possível pontuar algumas raras cenas marcantes. A título de exemplo, podemos mencionar a sequencia em que o médico encontra Hallie no corredor do hospital ou então a chamada em vídeo que percorre os aposentos da casa de Chloe. Não coincidentemente, as cenas mais memoráveis são as mesmas situações em que a criatura é somente vista por meio de um feixe de sombra ou presente nas alucinações da mente de seus personagens, o que inevitavelmente acaba tirando a graça quando nos deparamos fisicamente com Slender Man e suas mãos de galho de árvore. Dessa forma, a experiência do espectador diante de um filme como esse é inteiramente entediante e não agrega nada a um gênero narrativo já saturado de previsibilidades.

Por fim, é uma pena que ainda não houve uma produção contemporânea atrativa o suficiente e que aborde com eficiência o tema do terror tecnológico. E se você é do tipo que está procurando exatamente isso, tampouco o encontrará em Slender Man: Pesadelo Sem Rosto.

Por Gabriella Tomasi, 23 de agosto de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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