Voltar para Página principal
Em Faroeste

Crítica: Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
  • 0 Comentários
Crítica: Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, EUA, 2016)
Rating: 3.0. From 1 vote.
Please wait...

Nota: 3,5/5,0*   

Dirigido por Antoine Fuqua e roteiro por Nic Pizzolatto, Richard Wenk. Baseado no filme Sete Homens e Um Destino de John Sturges – 1960 e Os Sete Samurais de Akira Kurosawa – 1954. Elenco com Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung-hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Peter Sarsgaard.

Em um pequeno vilarejo, encontramos seus habitantes reunidos na igreja discutindo sobre a atual situação do local. Sofrendo constantes ataques do poderoso Bogue (Peter Sarsgaard), motivado pelo capitalismo, e buscando cada vez mais expandir seu poder e suas terras para exploração do minério, eles são expulsos. Desejando justiça, Emma Cullen (Haley Bennett) pede ajuda a Sam Chisolm (Denzel Washington), o qual reúne um grupo com os maiores anti-heróis para contra-atacar os vilões em troco de recompensa.

A partir daí embarcamos na jornada para recrutar e conhecer um pouco dos outros seis personagens. Nesse sentido, o filme incorpora elementos muito modernos, opondo-se a convenções do gênero. Ao contrário do que vemos na versão de 60, nós somos introduzidos à uma diversidade que traz qualidades diferentes dentro do elenco: Emma Cullen abraça o empoderamento feminino, simbolizando a fragilidade e a força; Washington representa a figura central do líder negro que faz questão de reafirmar que não é um caçador de recompensas. Ele é quem sustenta o filme o tempo todo com uma extrema elegância. Ainda, o interessante é que ele também enfatiza muito sobre o fato de ser da cidade de Lincoln, “como o presidente”, remetendo à imagem que temos desse nobre político: um líder, que como ele, é símbolo da União, liberdade e abolição da escravidão – o que para Chisolm ele alcança isso não somente em relação ao povo, mas à situação análoga à escravidão a qual estão submetidos os trabalhadores na mina que ele liberta.

Chris Pratt interpreta maravilhosamente bem Faraday, um apostador, que adora truques de mágica e usa-os de uma maneira a trazer o entretenimento para os espectadores. Ethan Hawke tem o pavoroso nome de Goodnight Robicheaux, que se tornou uma lenda pela sua habilidade com um rifle, mas esta glória carrega em si suas próprias cicatrizes. Vincent D’Onofrio está irreconhecível – no bom sentido – como Jack Horne, um idoso perseguidor que traz boa parte da comicidade em tela. Byung-hun Lee é Billy Rocks, um japonês assassino, a reencarnação do sumarai, o qual faz coreografias belíssimas para mostrar sua maestria com a faca. Manuel Garcia-Rulfo é um bandido mexicano procurado pela polícia chamado Vasquez e Martin Sensmeier como Red Harvest, um nativo americano.

Peter Sarsgaard, por fim, faz um belo trabalho se entregando completamente ao material de vilão que o roteiro lhe entrega, porém, desperdiçado em um desfecho indigno e ridículo para seu personagem.

E não, não é porque são muitos personagens que eu me limitei a destacar a história de apenas alguns. O filme peca muito em privilegiar uns em detrimento de outros e, portanto, poucos possuem um arco dramático, ou uma história que conhecemos com profundidade. Dessa forma, falta pessoalidade, visto que não conseguimos realmente entender qual é a motivação dos heróis durante a trama. Vemos que Chisolm se sensibiliza com a causa, especialmente quando conversa com um pastor. É nesse momento em que ele se dá conta que não é simplesmente pelo dinheiro, mas a vida e o destino das pessoas daquele vilarejo dependem deles. No entanto, os demais não têm a mesma epifania, não explorando, consequentemente, o propósito de cada um para se submeter a um sacrifício tão grande. Como o vilão falou: “Todos os homens têm um preço” e aí o filme perde uma grande oportunidade de refletir sobre essa questão. Ora, apesar do vínculo de amizade criado, os sete magníficos aceitam o desafio proposto, apenas pela promessa de algum benefício em troca, e não há muito mais que isso para manter eles na batalha, inclusive, para incentivar os outros a fazerem o mesmo.

Mesmo assim, se tem alguma coisa que o filme realmente acerta são os vários clichês para quem é fã de western: a trilha sonora típica dos momentos de heroísmo, de ação; a bandeira dos Estados Unidos; os dentes de ouro; a poeira do deserto; as cavalgadas; o duelo de armas; o cigarro, entre outros. Ainda, o filme traz elementos muito legais que dão reforço à narrativa, e que não são colocados em tela por um acaso. É como se o diretor plantasse algumas imagens na cabeça do espectador para depois utilizá-los de uma maneira que ficasse bastante familiar, como, por exemplo, a forca na mina, que posteriormente vemos a sua marca em Chilsom, a igreja que serve como um refúgio para todos, os cata-ventos, e também a forma como alguns os capangas de Bogue são mortos: um caí em meio a caixões, outro dentro da casa do coveiro.

E apesar do desfecho altamente computadorizado, isto não prejudica um competente trabalho das três direções – fotografia, arte e do próprio Fuqua – no qual temos o resultado de belíssimos momentos cinematográficos: a ambientação do faroeste, o vestuário, o modo como cada personagem é introduzido em primeiríssimo plano, seja por um travelling para frente ou então vertical; os planos detalhes em 3/4 com foco nas armas, antecipando os duelos; os planos abertos para a trilha a cavalos em direção à batalha; o clássico alinhamento dos sete personagens em seus respectivos cavalos e, é claro, as cenas de ação extraordinárias.

Inúmeros momentos fazem desse filme um maravilhoso remake, mas as falhas pontuais podem prejudicar com que ele se torne uma obra memorável.

Por admin, 14 de novembro de 2016
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema