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Crítica: Robin Hood – A Origem (Robin Hood – Origins, EUA, 2018)

  • 28 de novembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Robin Hood – A Origem (Robin Hood – Origins, EUA, 2018)
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Dirigido por Otto Bathurst. Roteirizado por Ben Chandler, David James Kelly. Elenco: Taron Egerton, Jamie Foxx, Ben Mendelsohn, Eve Hewson, Tim Minchin, Jamie Dornan, F. Murray Abraham, Paul Anderson, Josh Herdman, Cornelius Booth, Björn Bengtsson

Robin Hood é um personagem que teve muitas adaptações cinematográficas ao longo da história da sétima arte, sendo a mais famosa a versão de 2010, na qual estrelava Russell Crowe e Cate Blanchett no elenco. O conto se trata de um herói mítico inglês que essencialmente roubava dos mais ricos para dar aos pobres no século XII, na época de Rei Ricardo Coração de Leão, e também das Cruzadas, movimento militar em que a Igreja Católica visava se deslocar até a cidade de Jerusalém e colocá-la sob a soberania dos cristãos.

O que promete a versão de 2018, em que faz questão de ser explicado por meio da narração nos primeiros minutos iniciais do longa, é uma história diferente que contasse as origens desse justiceiro sem recorrer às versões tradicionais. E o problema disto é quando o filme vai justamente à contramão de seu argumento para desenvolver uma narrativa totalmente sem originalidade, cansativa, repetitiva, clichê sem qualquer nuança atribuída a personagens completamente estereotipados e superficiais.

Isto acontece, na realidade, porque o longa se concentra demais na história de amor entre Hood (Egerton) e Marian (Hewson), ofuscando qualquer tipo de problemática que o roteiro tente resolver como, por exemplo, os traumas da guerra e a pobreza. Não sabemos nada da origem dos personagens, a não ser que o protagonista era um rico mimado que caiu de pára-quedas na guerra. Da mesma forma, todos os atos do herói em prol da sociedade são motivados pelo seu amor por Marian, para que ela volte a confiar nele ou então para ser honrado nos olhos dela e tirar o namoradinho Will (Dornan) do seu caminho.

Sim, de fato são justificativas incrivelmente egoístas relacionadas à uma imagem que supostamente era bastante virtuosa no sentido contrário do termo, mas que aqui passam batido por uma completa auto indulgencia, sem o mínimo de responsabilidade pelos atos de seu protagonista, afinal, “ele está apaixonado”.

Robin Hood (Créditos: IMDb)

A ganância religiosa, por sua vez, também transformou os vilões de Robin Hood em personagens caricatos, sem sequer apresentar algum tipo de tentativa de profundidade ou qualquer motivação pelos seus atos, a não ser pelo bel prazer de ficar rico (algo que já vimos incontáveis vezes), tornando o roteiro extremamente esquemático, clichê e novelesco.

Portanto, o resultado é tão desastroso que tira por inteiro o bom talento de excelentes atores como Ben Mendelsohn e Jamie Foxx. Aliás, o único e mais interessante personagem que merecia mais destaque do que teve é Yahya (Foxx), o qual possuía uma intenção realística de tentar cortar o mal pela raiz no recrutamento de Hood, mas que infelizmente não somente criou um laço de dependência com o protagonista que o treina como se fosse o próximo Karetê Kid da Idade Média, mas que também é esquecido no meio do caminho, apenas se apresentando quando conveniente para a narrativa.

A composição técnica tampouco chega a impressionar para salvar o roteiro de Ben Chandler e David James Kelly. O diretor Bathurst traz cenas de ação nada empolgantes e bastante editadas, além de que o uso excessivo de CGI e uma fotografia bastante saturada fazem com que tudo pareça artificial demais.

Assim sendo, Robin Hood é mais uma desinteressante e enfadonha obra sobre o personagem. É um dos piores filmes do ano de 2018

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 28 de novembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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