Voltar para Página principal
Em Ação

Crítica: Rampage – Destruição Total (Rampage, EUA, 2018)

  • 12 de abril de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
  • 0 Comentários
Crítica: Rampage – Destruição Total (Rampage, EUA, 2018)
Rating: 1.0. From 1 vote.
Please wait...

Dirigido por Brad Peyton. Roteirizado por Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal, Adam Sztykiel. Baseado nos jogos Rampage de Midway Games. Elenco: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Åkerman, Joe Manganiello, Jake Lacy, Marley Shelton, Jeffrey Dean Morgan.

No ano de 2017 muitos filmes que retratavam um universo selvagem, com a típica inimizade e/ou a parceria entre humanos e animais ressurgiram.  Desde o excelente Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) até o blockbuster King Kong: A Ilha da Caveira (2017) e o irregular Jumanji: Bem-vindo à Selva (2017). Neste último, que também estrelava o atleta e ator Dwayne Johnson, possuía uma linguagem mais voltada para os video-games e, desta vez com Rampage – Destruição Total que já é uma adaptação dos jogos, segue a mesma temática.

Na história acompanhamos dois irmãos empresários que desenvolveram um projeto ilegal de edição genética em animais. Ao alterar os genes possibilitava aprimorar velocidade, força, crescimento deles. Mas o plano foge do controle quando sua base espacial explode, suas amostras são perdidas e acabam afetando o simpático gorila George, que até então estava sob os cuidados do primatologista Davis (Johnson). Posteriormente ele conta com a ajuda da Dra. Kate Caldwell (Harris) para encontrar um antídoto que salve seu amigo.

Rampage – Destruição Total pode até cativar fãs pelas similaridades com os jogos e até impressionar pelos efeitos visuais. Neste contexto, podemos mencionar a excelente cena dentro de um avião prestes a explodir, cuja abordagem realista fora extremamente palpável. Por outro lado, ainda que seja um típico blockbuster que está mais preocupado com o entretenimento da ação, a verdade é que o longa é completamente desprovido de substância.

Rampage – Destruição Total (Créditos: IMDb)

Isso porque nada do que o filme tenta desenvolver é efetivamente desenvolvido nos aspectos mais básicos que um roteiro de cinema deveria minimamente ter. A começar pelos personagens: Davis é nada aprofundado em sua história pessoal e a tentativa de retratar o personagem como um antissocial é algo que não combina nem com o próprio ator. Simplesmente não convence. A Dra. Kate, por sua vez, tem um arco dramático mais definido, ainda que sua vida no tempo presente do enredo seja completamente descartada e a trajetória de ambos personagens seja resumida durante um monólogo de dois minutos.  

Já os vilões são patéticos, unidimencionais e caricatos na medida em que eles passam o tempo deles vigiando os outros, assim como matam toda uma tripulação espacial, o prédio onde eles trabalham, um grupo de militares pessoais, sem que o espectador saiba da onde todo aquele império surgiu, e o porquê das suas condutas absurdas. Em outras palavras, nem sabemos os motivos que os levaram a começar a testar edição genética e aplicá-la em animais sendo que nada disso demonstra ser um benefício para eles ou que eles obtenham algum tipo de vantagem com os experimentos. Por fim, o personagem de Jeffrey Dean Morgan permanece uma incógnita sem resposta o filme todo.

Podemos dizer que o roteiro até tenta ser engraçado para compensar e manter a atenção de seu público durante duas horas de projeção, mas suas piadas são forçadas e bastante inoportunas, já que o roteiro resolve brincar com as mortes de milhares de pessoas e agir como se fosse nada – afinal, não importa se houve uma completa destruição e outras milhares morreram no processo, o que importa é que todos estão bem. Nada do que aconteceu teve algum impacto na vida dos personagens ou mudou sua perspectiva, sendo completamente aceitável fazer graça sem maiores consequencias. Por conseguinte, o resultado da falta de conteúdo, de situações pouco críveis e pouco respeitosas torna o filme demasiado superficial, extremamente vazio de substância que sequer permite uma avaliação crítica mais profunda. É um tipo de filme que simplesmente não tem personalidade e não existe fora para além dos tantos efeitos visuais que executa.

Rampage – Destruição Total é um longa, portanto, que não se sustenta nem em si mesmo nem no mundo cinematográfico.

Por Gabriella Tomasi, 12 de abril de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema