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Em Cinebiografia

Crítica: Punhos de Sangue (Chuck, EUA, 2017)

  • 24 de maio de 2017
  • Por admin
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Crítica: Punhos de Sangue (Chuck, EUA, 2017)
Avaliação: 3.0. De 1 voto.
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Dirigido por Philippe Falardeau. Roteirizado por Jeff Feuerzeig, Jerry Stahl. Elenco: Liev Schreiber, Elisabeth Moss, Ron Perlman, Naomi Watts, Jim Gaffigan, Michael Rapaport, Pooch Hall, Morgan Spector, Jason Jones, William Hill, Wass Stevens.

“Você me conhece, mas você não sabe que você me conhece”.

Uma das frases ditadas por Chuck Wepner, neste longa, conhecido nos Estados Unidos como “The Bayonne Bleeder” ou em tradução literal, o sangrento de Bayonne, sua cidade natal, foi um boxeador bastante famoso que como seu apelido já indica, era bastante referenciado desta forma pelo fato de sangrar muito com os golpes que recebia durante os embates no ringue. O profissional ficou famoso e alcançou até status de celebridade quando enfrentou Muhammad Ali na categoria de pesos pesados. O que seria uma oportunidade de alavancar sua carreira ainda mais se derrotasse seu oponente, mas caiu por terra ao ser nocauteado no 15º round. Porém, por ter agüentado por tanto tempo os ferimentos e cada soco no rosto é que ele se tornou uma espécie de herói para a pequena cidade a ponto de inclusive inspirar Sylvester Stallone e basear sua história na criação de seu roteiro do clássico Rocky – Um Lutador (1976).

Por esse motivo é que Chuck (Schreiber), em narração em off, afirma que já o conhecemos sem saber. Mas muito menos intencionado em retratar o lendário “Rocky”, conhecemos, ao invés disso, o lado mais biográfico de “Chuck”, como o próprio título em seu original indica.O design de produção foi completamente eficiente em recriar a época setentista de maneira crível. Desde os figurinos, maquiagem e cabelo com os penteados e roupas que marcaram a referida década até a composição dos cenários, como o ringue da luta contra Ali (Hall) que quando alternadas com os arquivos e imagens reais praticamente se camuflam entre as imagens filmadas. A fotografia, por sua vez, contribuiu enormemente para esse efeito, com seus efeitos em sépia e película granulada que igualmente enriquecem a narrativa e não só o ambiente.

Punhos de Sangue (Créditos: IMDb)

Por estarmos conhecendo essa história mais de perto, a narrativa comporta referências a filmes clássicos do boxe no cinema. Não somente Touro Indomável (1980) ou o próprio Rocky que já lhe é inerente, mas também o Réquiem Para um Lutador (1962), este sendo o que o protagonista afirma diversas vezes se tratar de seu favorito. Os dois últimos, na realidade, exercem praticamente uma abordagem metalingüística no longa, momentos nos quais Chuck muitas vezes se compara (e inclusive se espelha) em ambos os filmes e de que maneira a trajetória dos heróis são ou não diferentes da sua.

Mas é impossível também não enxergar a enorme e maior referência: a de Bons Companheiros (1990) de Scorsese que é possível vislumbrar somente pela forma como a estrutura narrativa de Chuck foi desenvolvida. Mesmo que Punhos de Sangue não contenha o mesmo charme, o cinismo ou a mesma irreverência com que aquele diretor tratava seus personagens mafiosos, Chuck é introduzido da mesma maneira como o personagem Ray Liotta, interpretado por Henry Hill, fora apresentado à câmera. Se Chuck aparece nos primeiros segundos narrando sua vida se perguntando como sua carreira chegara ao ponto de humilhantemente brigar com um urso em um ringue, Liotta, por sua vez, questiona o rumo de sua vida ao presenciarmos o assassinato de uma pessoa. Além disso, o diretor Falardeau mantém em foco os mesmos dramas e os mesmos conflitos que o protagonista de Scorsese possuía: o envolvimento com bebidas, drogas e tráfico, a traição da esposa, os sintomas de se tornar uma celebridade, o isolamento de sua família, entre outros. Não posso deixar de mencionar tampouco o bar onde Chuck frequenta, sempre muito bem iluminado em tons de rosa, o que simboliza não somente sua atração pela garçonete Linda (Watts), mas é onde o protagonista mais se encontra para fazer propaganda de seus trabalhos, e ainda pode ser comparado ao cenário vermelho e luzes quentes da cena em que contracena Henry Hill e Joe Pesci.

Em outras palavras, assim como no clássico de 1990, Punhos de Sangue aqui se trata de uma típica história de altos e baixos com uma possível redenção, contudo, bastante convencional e imparcial que ainda que passe batido por alguns dos temas mencionados ou não seja tão impactante quanto as obras a quem reverencia ao “chegar no fundo do poço”, ainda é cativante o suficiente pelo seu competente elenco, principalmente a atuação principal de Liev Schreiber que consegue imprimir empatia no espectador apesar de suas atitudes reprováveis. Afinal, ainda que por vezes seja mostrado de forma superficial, conseguimos nos convencer dos efeitos que sua fama instantânea lhe causaram.

Assim sendo, embora careça de uma auto-crítica mais evidenciada e forte, Punhos de Sangue é ainda uma obra decente e envolvente.

Por admin, 24 de maio de 2017
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