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Crítica: Power Rangers (EUA, 2017)

  • 23 de março de 2017
  • Por admin
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Crítica: Power Rangers (EUA, 2017)
Rating: 2.5. From 1 vote.
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Direção por Dean Israelite. Roteiro por John Gatins. Baseado em Power Rangers por Shuki Levy e Haim Saban. Elenco: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludi Lin, Becky G, Elizabeth Banks, Bryan Cranston, Bill Hader.

Power Rangers já foi uma grande e popular série de televisão dos anos 90 que contava com cinco adolescentes que, com super poderes, tentam manter a paz na terra e impedem criaturas poderosas de dominarem o mundo. Atualmente, em uma época em que grandes remakes estão sendo feitos, chegou a vez de reviver esta história após o fracasso de Power Rangers: The Movie.

A trama dá início na Era Cenozóica, na qual um ex-ranger vermelho Zordon (Cranston) em meio a um cenário de destruição e morte tenta impedir Rita Repulsa (Banks) de obter posse de um objeto que lhe permite ter controle do mundo. Sendo o último sobrevivente dentre seus companheiros, ele enterra então as cinco pedras para que novos rangers possam as encontrar e dar continuidade à missão. Milhões de anos depois, nós conhecemos os sucessores: Jason Scott, o líder e ranger vermelho (Montgomery); Kimberly Hart a ranger rosa (Scott); Trini a ranger amarela (G); Billy Cranston o ranger azul (Cyler) e Zack como o ranger preto (Lin) que habitam em uma pequena cidade chamada Alameda dos Anjos.

Este é um filme que traz elementos modernos, a fim de também alcançar o público mais jovem. Com uma linguagem atual de brincadeiras com Transformers e referências ao Clube dos Cinco, a fase adolescente é bem explorada, com questões e problemas que são felizmente encaradas de forma natural como, por exemplo, o homossexualismo e o autismo. Os cinco personagens também abraçam e incorporam muito bem a idade, em que, mediante uma abordagem interessantíssima do reflexo individualista da sociedade, todos somente poderão morfar caso estiverem em sintonia e aprenderem a apoiarem uns aos outros, ou seja, o verdadeiro espírito de equipe. Banks como Rita está quase caricata, mas funciona muito bem pois a atriz personifica essa característica que a personagem da série original já possuía. Sua vestimenta é maravilhosa, pois ao mesmo tempo em que o verde destruidor contribui para a narrativa, contribui também para a própria história. Quem saiu mais prejudicado, no entanto, foi Byran Cranston como Zordon que não teve muito material para trabalhar. Inclusive, é difícil nos importar com ele, já que na maioria do tempo o personagem se presta a duvidar da capacidade dos novos rangers serem, efetivamente, rangers.

Power Rangers (Créditos: IMDb)

A narrativa ainda conta com um ritmo extremamente irregular. Com um primeiro ato mais acelerado, o segundo ato se perde completamente e se estende demasiado ao tentar resolver e desenvolver os arcos dramáticos dos personagens e treinamentos rigorosos, os quais não são nem resolvidos nem definidos de maneira clara, como, por exemplo, a conexão de Billy com o seu pai; ou o que de fato acontece entre Jason e seu pai para que possamos ser impactados com sua resolução; ou o encontro de Trini com Rita. Infelizmente, tudo é tratado de forma superficial, expositória e melodramática pelo roteiro, o qual nem teve o cuidado o suficiente para sequer explicar porque os rangers teriam o prazo de 11 dias até o confronto. Por conseguinte, o enorme tempo despendido aqui faz com que pouco se aprecie o terceiro ato apressado, no qual os heróis usam suas “armaduras” para lutar contra o mal: em poucos minutos que restam de projeção eles apenas permanecem em seus Zordes.

Além disso, o longa possui algumas lacunas que são verdadeiros desleixos de execução: notem como em um determinado momento Zack amassa o topo da van. Enquanto o interior do veículo está fundo, o seu exterior está totalmente liso. Reparem também como Kimberly destrói o seu celular, mas aparece posteriormente com outro aparelho; ou então a péssima orientação geográfica do primeiro encontro dos cinco amigos, onde de uma hora para outra Jason se encontra em uma floresta e segundos depois de ouvir um barulho consegue chegar até Billy.

Apesar disso a direção do sul africano Israelite é bastante eficaz em alguns momentos ao optar por planos angulares e alguns movimentos circulares, e, ainda, tem uma escolha bastante feliz ao não utilizar planos tremidos para os confrontos. Os planos contra-plongée, gerais e aéreos que projetam os adolescentes também são bem feitos para engrandecer momentos heróicos e destaco aqui os planos em alinhamento dos personagens e também dos Zordes que são simplesmente maravilhosos e lembram a versão original. A trilha sonora, contudo, prejudica em excesso e não favorece o impacto que cada cena deveria ter. Com uma utilização redundante de músicas da cultura pop-rock para as cenas, o trabalho ainda mistura composições muito diferentes entre si (uma em particular que lembra a temática dos anos 80 de Stranger Things) que invadem de repente e sequer favorecem a narrativa. Por fim, a felicidade de encontrar elementos nostálgicos como a dublagem de “Ai Ai Ai” por Alpha 5 (Hader) e o fomoso “Go Go! Power Rangers” dura aproximadamente cinco segundos. O resultado preguiçoso lembra o desastre de Esquadrão Suicida.

Power Rangers ao final deixa muito a desejar. Apesar de ser o começo de uma franquia com personagens e histórias novas que ainda estão por vir, não é uma introdução que valoriza sua história ou seus personagens, mesmo quando tinha tanto potencial em suas mãos.

Observação: Fiquem até o final da sessão! Há cenas extras.

Por admin, 23 de março de 2017
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