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Em Romance

Crítica: Podres de Ricos (Crazy Rich Asians, EUA, 2018)

  • 26 de outubro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Podres de Ricos (Crazy Rich Asians, EUA, 2018)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Dirigido por Jon M. Chu. Roteirizado por Peter Chiarelli, Adele Lim. Baseado na obra Crazy Rich Asians de Kevin Kwan. Elenco: Constance Wu, Henry Golding, Gemma Chan, Awkwafina, Nico Santos, Lisa Lu, Ken Jeong, Michelle Yeoh

Podres de Ricos é uma comédia romântica que chegou para conquistar seu espaço com um forte e impactante argumento. Na trama, a professora universitária em economia Rachel (Wu) viaja para Singapura com seu namorado Nick (Golding) para um casamento e conhecer sua família. Quando chegam lá, ela descobre que seu amado é um dos solteiros mais cobiçados do país e herdeiro de todo um império construído por sua família, porém, a notícia do relacionamento não é bem recepcionada pelos parentes, já que Rachel não possui uma ascendência de prestígio.

Sim, essa é uma história típica da menina “nerd” que se apaixona pelo garoto lindo e popular da escola, ou então a plebeia que se apaixona pelo príncipe encantado, mas sofre os preconceitos por suas origens. Neste aspecto, o longa repete várias de suas fórmulas e clichês, como por exemplo, a transformação do guarda-roupa, os olhos invejosos à la irmãs gêmeas da Cinderela, entre outras situações que denotam uma alta futilidade dos mais ricos, e acaba tornando a narrativa bastante previsível e sem graça. O mesmo acontece com personagens estereotipados que não contribuem nem para o humor do filme, criando situações constrangedoras como o menino pervertido, irmão de Peik Lin (Awkwafina), que inclusive é o detentor das piadas mais piegas e de mau gosto.

Por outro lado, é uma pena que Podres de Ricos tenha demorado tanto para estrear nos cinemas, contando com o sucesso nos Estados Unidos para chegar até o Brasil, já que a distribuição original é de agosto de 2018. Isso apenas ressalta a importância de prestigiarmos um filme que até então estava em descrédito em relação ao seu sucesso de bilheteria.

Neste contexto, sua assertividade é um dos pontos mais importantes e, não é somente algo notado em sua temática, mas também faz parte da narrativa. A começar pelo fato de possuir um elenco majoritariamente sino-americano em uma produção hollywoodiana, o que já é por si só um grande avanço.

A alegoria da Cinderela em Podres de Ricos (Créditos: Warner Bros.)

Além disso, com uma fotografia e design de produção visivelmente coloridos, e uma presença muito grande de cores primárias e vivas, podemos notar um apoio muito evidente às diversidades e o perigo do apego à tradições que, embora sejam motivos de orgulho e relevantes para uma preservação cultural, ao mesmo tempo pode ser um aspecto bastante segregador e discriminatório, ao rechaçar qualquer tipo de transformações culturais. É o que acontece com o fato de Nick ser criticado por não ter ido embora dos Estados Unidos antes para seguir os passos empreendedores da família, ou mesmo pelo passado de Rachel ser duramente perseguido pela sogra. Em outras palavras, Podres de Ricos não visa pregar uma revolução, mas sim é a favor de abraçar as diferenças e o novo, agregando às suas raízes já firmadas, sem que isso implique em uma abdicação completa de um ou de outro.

Da mesma forma, as personagens femininas principais são todas independentes e demonstram, bem sutilmente, uma luta contra o preconceito de gênero: Rachel é a mais notável, já que se impõe diante das rechaças de Eleanor (Yeoh), mãe de Nick, em relação à sua origem; esta por sua vez também passa pelo por represálias similares sendo forçada a abdicar de muitas de suas vontades e ao mesmo tempo sofre da ausência do marido; Astrid (Chan) vive um relacionamento abusivo; além das constantes pressões que os membros da família se submetem para passarem a imagem da “família tradicional” perfeita.

A direção de Chu, por sua vez, não é nenhuma inovação para aqueles bastante familiares com o gênero. Ao contrário, o seu trabalho é bem simplista e por vezes adquire um tom novelesco, principalmente pelas repetições de elementos clichês anteriormente mencionados. Por outro lado, não deixa de ser inteligível e tampouco prejudica a narrativa.

Em suma, Podres de Ricos consegue ser uma divertida, leve e agradável experiência e ao mesmo tempo uma das mais relevantes obras do ano.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural.

Por Gabriella Tomasi, 26 de outubro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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