Voltar para Página principal
Em Ficção Científica

Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra (War For The Planet of The Apes, EUA, 2017)

  • 31 de julho de 2017
  • Por admin
  • 1 Comentários
Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra (War For The Planet of The Apes, EUA, 2017)
Rating: 5.0. From 1 vote.
Please wait...

Dirigido por Matt Reeves. Roteirizado por Mark Bomback, Matt Reeves. Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Steve Zahn, Amiah Miller, Judy Greer.

A franquia do Planeta dos Macacos sempre foi muito bem explorada durante a história do cinema, com reboots e versões diferentes, e também nos quadrinhos e na televisão desde 1968, iniciado pelo diretor Franklin J. Schaffner. A última e mais nova e bem sucedida trilogia que começou em 2011 pelo diretor Rupert Wyatt e, posteriormente, assumida por Matt Reeves em suas duas continuações, passando pela Origem; O Confronto e; agora, termina com A Guerra, concretizando e terminando o arco do macaco Ceaser (ou César, interpretado por Serkis), cuja jornada tivemos o prazer de acompanhar, desde pequeno.

Nesta sequencia, César está recluso na floresta junto com outros macacos e consolidou-se como uma figura praticamente sacra em relação a seus companheiros e uma lenda perante os humanos. Ele mantém a mesma postura que sempre adotou: uma busca incessante por paz e o fim da guerra entre humanos e macacos. Contudo, tudo muda quando seu filho mais velho e sua mulher são mortos em meio a tantas emboscadas por um grupo de militares, cuja base fora formada sob o comando de “O Coronel” (Harrelson) para extinguir a raça inteligente de macacos. Esse sentimento de rancor e vingança que nasce nele acaba trazendo à tona sombras e fantasmas anteriores, como o retorno de Koba em sua mente e como os seus atos do seu lado mais sombrio são pautados pelas lembranças dele.

Matt Reeves demonstra novamente a capacidade e o talento que possui na condução de sua narrativa. Com o ar cansado, mas sempre disposto a defender sua raça e garantir a paz, César então parte na jornada junto com seus amigos mais próximos para retaliar os militares e vingar sua família do Coronel. Dessa forma, o cineasta desenvolve uma espécie de road movie, no qual todos devem enfrentar o frio, a tortura, a fome e a sede para alcançar seu objetivo. Interessante observar, portanto, como suas experiências vão moldando suas perspectivas de vida, principalmente para derrubar os preconceitos que possuía em relação aos humanos ao se deparar com alguns atos brutais que estes cometem a si mesmos e, também por conhecer uma menina doente, que não consegue falar, batizada posteriormente de Nova (Miller), cuja inocência de pouca idade passa a cativar o exterior enrijecido do protagonista e deste modo, serve para que, em meio a tantas divisórias, aproxime os dois lados em combate.

Declaração de guerra: referência à Apocalypse Now (à esquerda) em Planeta dos Macacos: A Guerra (à direita)

Sentimento de impotência: referência à O Homem Errado (à esquerda) de Planeta dos Macacos: A Guerra (à direita)

O diretor igualmente possui uma abordagem maravilhosa ao beber da fonte de clássicos de guerra dos anos 70-80 como Apocalypse Now (1979) e Platoon (1986) para reverenciá-los ao mesmo tempo em que utiliza dessas referências para construir seus personagens como O Coronel e o seu exército que nos relembram perfeitamente a década nazista com suas teorias discriminatórias para assegurar uma raça superior, e, contando ainda prisões para macacos, nos quais os fazem executar trabalhos rigorosos e passam por torturas da mesma forma como em campos de concentração, além de se espelhar em westerns para criar um duelo entre César e Coronel (ressalto aqui a linda composição de gaitas). E isso sem mencionar a incrível referência à película famosa de Hitchcock – O Homem Errado – na qual Reeves recria a cena e a sensação de desamparo de César ao entrar em sua cela de prisão.

Mas independentemente das homenagens, Planeta dos Macacos: A Guerra nos entrega muitos momentos icônicos e originais ao transpor tudo o que fora abordado neste texto para o estudo de uma luta por sobrevivência em meio a um literal apocalipse do planeta. Seja ela animal ou seja humana, a trama se torna ainda mais complexa e multifacetada quando aprendemos que o sentimento e a lutar por viver é simplesmente um instinto comum à qualquer raça. Porque aprendemos que, neste caso, não se trata diretamente de garantir a superioridade de um sobre outro, mas por simplesmente garantir que nossa espécie se perpetue. Obviamente que para o lado dos humanos, esta reflexão advém da agorrância do seu próprio ser e como o intuito de sempre ter controle sobre a natureza é uma atitude completamente ultrapassada, porém, lhes mantém em uma condição parecida à dos animais, quando seu habitat é ameaçado, quando sofremos perda e vivemos em meio à incertezas, tal como uma epidemia similar girava em torno do tema central em Ao Cair da Noite (2017). Pois como se sabe, a resposta humana para tudo, inclusive em relação ao que ela não compreende, é a violência e a agressividade, o que o longa certamente faz uma dura crítica sobre.

Planeta dos Macacos: A Guerra é, por fim, um filme que entra na lista dos melhores blockbusters do ano.

Por admin, 31 de julho de 2017
  • 1
1 Comment
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema