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Crítica: Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, EUA, 2017)

  • 26 de maio de 2017
  • Por admin
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Crítica: Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, EUA, 2017)
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Direção por Joachim Rønning e Espen Sandberg. Roteiro por Jeff Nathanson. Baseado em Piratas do Caribe por Walt Disney. Elenco: Johnny Depp, Javier Bardem, Geoffrey Rush, Brenton Thwaites, Kaya Scodelario, Orlando Bloom, Keira Knightley.

A franquia Piratas do Caribe se tornou inegavelmente um sucesso com a sua inicial trilogia, motivando posteriormente a produção a apostar em novas aventuras e explorar ainda mais o personagem de Johnny Depp, Jack Sparrow, que conquistou tanto o público. Mesmo 14 anos depois de sua primeira estréia nos cinemas, a nova sequencia – A Vingança de Salazar – chega finalmente, potencializando todos os elementos que marcaram seu êxito, mas não que isso seja realmente bom, como se espera.

Tal insucesso se deve principalmente porque os criadores parecem ter se perdido no meio do caminho e não se decidiram exatamente para onde querem levar a franquia. Se os primeiros três longas se apresentaram como uma sequencia completa e quase definitiva, a quarta e desastrosa sequencia – Navegando em Águas Misteriosas – parecia um recomeço a fim de desenvolver o personagem de Sparrow, seu mundo e suas histórias de aventura. Com a quinta versão, no entanto, o que não fica claro é o fato de a história retomar de onde parou, ou seja, em O Fim do Mundo, e continuar a partir daí. A princípio, não haveria nenhum problema, até porque a quarta versão de fato é um pouco desconexa com o resto da franquia (com exceção do Pérola Negra), contudo, o equívoco reside no fato que não somente A Vingança de Salazar não contribui ou aprofunda em nada nesse universo criado, mas definitivamente apenas se estabelece como mais um produto comercial de lucro da Disney.

Um universo que, por sinal, é interessantíssimo de ser explorado, que instiga curiosidade e fascínio, um mundo em que o sobrenatural e o real colidem, onde contos sobre piratas-heróis ou anti-heróis pudessem ser desenvolvidos, mas ao contrário, a franquia parece refazer esse começo, repetindo fórmulas e narrativas dramáticas, como desenvolver os mesmos tipos de conflitos com novos vilões, e também românticas, como o mesmo desenvolvimento amoroso de “ódio-paixão” que já se esgotaram há muito tempo, principalmente trazendo Henry (Thwaites) e Corina (Scodelario) como a próxima geração do casal Will (Bloom) e Elizabeth (Knightley) e, para completar, ampliando em excesso piadas e gags infinitas de Jack Sparrow que raramente têm um momento de alívio e seriedade, desgastando-o por inteiro. O personagem definitivamente se converte em uma persona de Johnny Depp (e infelizmente não o contrário).

O que realmente salva o filme é a manutenção do padrão de design de produção, com competentes efeitos especiais e a maneira como os fantasmas foram desenhados é simplesmente magnífico e possuem um sentido narrativo maravilhoso. Mas o que torna este filme indefensável é justamente pela forma como toda a narrativa fora trabalhada. A nova sequencia reitera todo aquele tom de monólogo e expositivo quando já explorado e também demonstrado pela crítica que tal abordagem nunca funciona. Não é necessário inúmeros personagens explicarem a mesma lenda cinco vezes; reiterar o plano de cada um sempre que se depara com alguém; ver personagens que repetem verbalmente o que vêem (Salazar, por Bardem, é o que mais possui diálogos redundantes, quando ele vê o “sol”, há uma necessidade de repetir “sol” ou o fato de estar “livre”); e lembranças nunca são reconstituídas em imagens, mas são sempre verbais com a básica trilha sonora ao fundo, como se surtisse algum efeito. O único momento em que isso acontece é horrivelmente acompanhado de uma narração redundante de Salazar. Tudo isso transforma os já longos cento e quarenta e dois minutos intermináveis. 

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Créditos: IMDb)

Da mesma maneira, a necessidade de inflar a narrativa com a pretensão de tornar uma obra complexa ou completa somente reforça a fraqueza de seu roteiro, no qual possui personagens desinteressantes e unidimencionais como o próprio antagonista e o chefe militar, assim como outros completamente deslocados com resoluções fáceis e que desaparecem em meio ao segundo ato, como uma bruxa, e o próprio exército britânico que parece caminhar sem rumo ou sem propósito na história.    

Mas não se pode negar que a trama contém elementos sociais e políticos muito interessantes como o fato de Corina ser considerada uma bruxa apenas por ser uma intelectual e cientista, assim como todos os aspectos de dominação e opressão pela “civilização” contra os “rebeldes” ou os “piratas”. Mesmo assim, todos são pontos que nunca chegam a satisfatoriamente a se concretizarem, pois são apenas circunstâncias rasas para focar no objetivo que é quebrar uma maldição, e nada do que implica em torno disso parece importar. Ao invés disso, a narrativa caminha pelo lado previsível e superficial para dar espaço à ação, com sequencias cada vez mais convenientes e desnecessárias como a cena do casamento na praia. Neste sentido, se prestarmos realmente atenção, raramente os personagens ou os atores permanecem mais de cinco minutos em um mesmo cenário ou realmente exploram o ambiente em que estão inseridos ou sequer a direção se esforça para desempenhar um papel importante na construção e organização da mise-en-scène, com uma edição picotada que pula de um evento para outro muito rapidamente, perdendo com isso toda a beleza e grandeza que momentos significantes deveriam ter.

E se não bastasse, nem nos momentos em que deveria ser no mínimo competente este longa consegue ser. As cenas de ação são desenvolvidas no estilo mais “velozes e furiosos” de ser, ou em outras palavras, pouco coerente. Porque é pouco crível andar de barco guiado por um tubarão que coloca o herói em terras seguras; ou arrastar um prédio inteiro com cavalos (!!!); ou ainda não consigo enxergar um motivo porque uma pessoa pode morrer pela queda no mar, mas não surge um arranhão no corpo quando outra é arremessada para dentro de um navio após colidir com um canhão, destruindo parte da embarcação (!!).

Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar é em resumo uma bagunça frenética completamente esquecível.

Observação: Não saia tão cedo da sessão! Há uma cena pós-créditos.

Por admin, 26 de maio de 2017
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