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Em Drama

Crítica: Pendular (Brasil, 2017)

  • 22 de setembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Pendular (Brasil, 2017)
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Direção por Julia Murat. Roteiro por Julia Murat, Matias Mariani. Elenco: Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Neto Machado, Marcio Vito, Felipe Rocha, Renato Linhares, Larissa Siqueira, Carlos Eduardo Santos, Valeria Berreta, Martina Revollo.

Pendular, o longa-metragem  estreante da diretora Julia Murat, envolve essencialmente como a arte, em geral, é um trabalho que demanda não somente da técnica, mas também do nosso íntimo, do nosso subjetivo, o que inclusive acaba interferindo na nossa vida privada. É dessa forma que inicia a trama: um casal, interpretado por Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, que acabara de se mudar para um galpão abandonado, vê ali uma oportunidade para crescerem juntos profissionalmente: ele, escultor e ela, dançarina são pessoas com experiência e até mesmo reconhecidas cada um em sua área, porém, é evidente que o sucesso financeiro não acompanhou. No entanto, conforme a narrativa progride, percebemos que os rumos do relacionamento começam a interferir na suas carreiras.

A direção de arte, neste contexto, passa a ser praticamente um terceiro personagem do casal, somente pela riqueza de simbolismos que aquele espaço representa: a linha delineada por uma fita vermelha define a metragem do espaço reservado a cada um o que não permite uma privacidade (como a esposa que joga aviões de papel enquanto o marido trabalha); os planos gerais que encolhem seus personagens em meio ao imenso espaço cheio de equipamentos, fiação entre outros objetos, refletindo o emocional de cada um; as brincadeiras que se permitem entre amigos e parentes, entre outros. Da mesma forma, é interessante observar como Murat enquadra precisamente os planos para serem os mais fixos e centralizados possíveis para ressaltar esse ambiente que possui um propósito, um sonho muito específico de seus proprietários, e também ao mesmo tempo a distancia entre um e outro, haja vista a escassa comunicação entre o casal. Dificilmente, portanto, nos deparamos com momentos íntimos e de parceria que não seja o sexo.

Pendular (Créditos: Vitrine Filmes)

Além disso, aquele galpão parece ser um local alheio ao mundo, um lugar que pode comportar muitas pessoas, muitas alegrias, muitas tristezas, mas também um lugar que não dialoga com o mundo exterior e onde raramente os personagens são vistos do lado de fora. Pois é no interior do imóvel que reside o mundo inteiro deles, que não possui interferência dos sons da rua, que é particular ao resto, principalmente, pelo apego emocional de cada um ali.

Vários outros elementos tornam muito rica esta obra como o fato de não sabermos nada dos personagens – nem seus nomes – além de sua profissão de tal maneira que todos os diálogos com outras pessoas giram em torno deste assunto. Tão dedicados e inclusive sendo referenciados por “workaholic” é fácil denotar o quanto esse aspecto da vida deles está acima de tudo, o que acaba desgastando aos poucos a sua relação amorosa. E da mesma forma que a arte interfere nas suas vidas pessoais, o contrário também se aplica, fazendo com que a escultura e a dança se tornem linguagens narrativas incorporadas à do cinema em relação ao que cada personagens pensa e sente em um determinado momento.

Pendular é, por fim, uma experiência muito agradável e um estudo maravilhoso sobre o contato do ser humano com a arte. 

Por admin, 22 de setembro de 2017
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