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Em Romance

Crítica: Paris Pode Esperar (Paris Can Wait/Bonjour Anne, EUA, 2017)

  • 6 de junho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Paris Pode Esperar (Paris Can Wait/Bonjour Anne, EUA, 2017)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Eleanor Coppola. Elenco: Diane Lane, Alec Baldwin, Arnaud Viard.

Paris Pode Esperar é mais um filme realizado pela família Coppola, Eleanor, esposa do famoso cineasta Francis Ford Coppola e mãe da diretora igualmente prestigiada Sofia Coppola, tem seu primeiro longa-metragem de ficção aos 80 anos, uma curta carreira na qual conta apenas com um documentário sobre o filme de seu marido, Apocalypse Now.

Este filme conta a história de Anne (Lane) em tour pela Europa para acompanhar o trabalho de seu famoso, distante e ocupado marido, o produtor de cinema Michael (Baldwin). Com uma dor de ouvido, a protagonista não é aconselhada a viajar em seu avião particular até Budapeste, motivo pelo qual decide encontrar seu amado em Paris e fazer o trajeto de nove horas de carro com o colega de Michael, o francês Jacques (Viard). Durante a jornada eles aproveitam o que a França pode oferecer de melhor em cultura e gastronomia.

Com uma premissa interessante, acompanhamos uma jornada de autoconhecimento e de certa forma libertária de nossa protagonista que aos 40 anos vivia até então na sombra do marido. Todavia, infelizmente, o resultado dessa experiência é uma viagem em que Jacques simplesmente dita tudo o que eles fazem, comem, bebem, enquanto Anne passivamente aproveita o que lhe é jogado em cima. Durante a narrativa, temos alguns indícios de que Jacques poderia ser um conquistador, um estelionatário, inclusive, mas todos esses elementos nunca são desenvolvidos e apenas se prestam para criar um conflito na trama que, na realidade, não existe. É provocar o espectador e até induzi-lo ao erro acerca de fatos que jamais chegam a ser explorados a fundo, apenas pontuados com resoluções muito fáceis ao final.

 

Paris Pode Esperar (Créditos: IMDb)

 

Da mesma forma, a inexistente química entre Anne e Jacques contribui para a artificialidade dessa nova relação que transita entre o passional e a amizade e que também insiste em estereotipar de maneira bastante rude e de mau gosto o “homem francês garanhão” pelo fato de que uma mulher casada mal consegue resistir aos charmes de seu flerte ao mesmo tempo em que Michael apenas liga para relembrá-la que ele é “francês” e não pode ser confiado próximo à ela.

O trabalho de Coppola chama mais atenção por explorar tão bem os ambientes e as paisagens naturais e urbanas francesas, assim como o fato de que Anne descobre suas paixões através da fotografia e do tecido, além de uma especial visita ao Museu dos cineastas pioneiros Lumières em Lyon. Nosso apetite desperta só de olhar toda a culinária regional, dentre queijos, vinhos, peixes, carnes e chocolates, mas não há nada mais que isso. Em outras palavras, não há nenhum espaço de estudo para que possa fazer seus personagens evoluírem na narrativa e que portanto faça valer nossa atenção. A relação entre ambos personagens é má desenvolvida e muito forçada por vezes já que reitero que Anne é submetida a fazer praticamente nada do que quer, além de um Alec Baldwin incrivelmente mal aproveitado. E se não bastasse somos obrigados a escutar diálogos pavorosos com frases de efeitos como, por exemplo, “o que faz você dançar?”, as quais somente dificultam nossa empatia pelos personagens.

Paris Pode Esperar pode até ser atraente e eficiente pelo seu contexto turístico, mas quem procura uma trama completa e envolvente provavelmente sairá muito frustrado da sessão de cinema após noventa e dois minutos.

Por admin, 6 de junho de 2017
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