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Crítica: Os Vingadores – Guerra Infinita (The Avengers – Infinity War, EUA, 2018)

  • 30 de abril de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Os Vingadores – Guerra Infinita (The Avengers – Infinity War, EUA, 2018)
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Dirigido por Anthony Russo, Joe Russo. Roteirizado por  Christopher Markus, Stephen McFeely. Baseado em Os Vingadores de Stan Lee e Jack Kirby. Elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Don Cheadle, Tom Holland, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Peter Dinklage, Karen Gillian Danai Gurira, Leticia Wright, Dave Bautista, Zoe Saldana, Josh Brolin, Chris Pratt.

Não pude evitar meu receio antes de entrar na sessão do cinema para assistir a Vingadores – Guerra Infinita. Após tantos filmes solos com Doutor Estranho (2016), Pantera Negra (2018), A Trilogia Thor (2011-2017), Capitão América (2011-2016), Homem de Ferro (2008-2013), Guardiões da Galáxia (2014-2017), Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) e posteriormente com a parcial agregação do time nos dois primeiros longas de Os Vingadores, a ideia de juntar praticamente todos os super-heróis até então trabalhados me dava arrepio. Até porque, raramente um longa funciona bem com tanta informação e com tanto personagem junto. Para minha surpresa, Guerra Infinita é uma das sequencias mais inteligentes que vejo há tempos.

Isso porque os diretores Anthony e Joe Russo não perderam tempo com os heróis, já que neste ponto o espectador está minimamente familiarizado com eles. Mesmo que não se tenha visto nenhum dos longas anteriores, Guerra Infinita fica longe de ser incompreensível, pois temos uma rápida retomada do arco dramático de cada um contando, ainda, com um humor que nos remete a jornada anterior deles como, por exemplo, Peter Quill (Pratt) provocando Thor (Hemsworth) dizendo: “eu matei o meu pai e ainda consegui ficar com os dois olhos”. Na realidade, a narrativa gira em torno do antagonista Thanos (Brolin), do qual ouvimos tanto falar principalmente em Guardiões da Galáxia, pelo fato de ele ser o pai adotivo de Gamora (Zaldana) e o biológico de Nebula (Gillian).

Aliás, o que se refina é o equilíbrio entre humor e drama. Se em Doutor Estranho a narrativa fora um tanto quanto desastrosa neste quesito, é visível o gradual amadurecimento do Universo Marvel com Pantera Negra, por exemplo. Rimos e nos comovemos nos momentos certos e o fato de que cada vez mais seus realizadores se conscientizam disso é um progresso de se admirar.

O personagem Thanos é sempre filmado com ângulo de câmera de baixo para cima (contra-plongée) para ressaltar sua superioridade. A fotografia em feixes de luz amarelos denota a destruição (Créditos: IMDb)

Nesta sequencia, Os Vingadores possuem papéis coadjuvantes aqui, mesmo após dez anos de desenvolvimento de suas respectivas histórias. É Thanos quem move a narrativa, quem possui mais tempo em tela, e é ele que age enquanto os demais se defendem. Deste modo, o roteiro não perde tempo para já no primeiro ato anunciar qual é o propósito dele e o potencial destrutivo que possui a partir de sua emboscada à nave de Asgard conforme o final em Thor: Ragnarok (2017). Ao mesmo tempo, o vilão – que aqui é o protagonista desta história –  é completamente humanizado, retratado como alguém que abdica de tudo o que é importante para si em nome do que ele acredita ser um “bem comum”; da “paz”.

A noção de sacrifício e os laços familiares, por conseguinte, voltam a ter um papel significativo durante a narrativa. Enquanto Os Vingadores tentam proteger e preservar a vida de todos, especialmente seus próximos, Thanos atua de forma bem oposta, mas sem que essa perda, que ele não reluta a se submeter, não o atinja de alguma forma. Assim sendo, por mais que o público repudie suas ações ou suas motivações, ele é um personagem completamente relacionável e muitas vezes empático. Sentimos sua dor e o que a sua jornada representa. Uma das cenas mais marcantes é quando Gamora pergunta: “o que te custou?” e Thanos responde com uma melancolia singular: “tudo”.

Em relação ao design de produção, o trabalho funciona de modo extremamente eficiente aqui, pois todos os ambientes são recriados tal como os conhecemos: o universo espacial de Guardiões da Galáxia (que aliás se anuncia aqui com a entrada da trilha oitentista), a natureza de Wakanda, a cidade de Nova York e o esconderijo de Doutor Estranho, por exemplo, parecem se conectar uns com os outros, o que faz da transação entre locações bem orgânica e nos dá a sensação de que todos os heróis partilham do mesmo universo, seja ele no espaço seja no planeta Terra.

A partir disso, interessante notar como a chegada de Thanos em todos os cenários explorados não somente causa o caos nestes lugares, mas os cineastas habilmente se utilizam de planos longos e próximos (e aqui devo mencionar um excelente e curto plano-sequencia com a câmera na mão em Nova York) para conceder uma sensação mais realista ao espectador quando na presença do protagonista. Da mesma forma, a fotografia praticamente drena qualquer feixe de paleta com cores quentes a fim de enaltecer sua figura ameaçadora, utilizando de tons vermelhos e amarelos apenas para simbolizar a violência da cena.

Em suma, Vingadores – Guerra Infinita é uma grata e agradável surpresa que certamente representa um dos melhores (senão o melhor) blockbusters do ano.

Por Gabriella Tomasi, 30 de abril de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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