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Em Comédia

Crítica: Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s Eight, EUA, 2018)

  • 8 de junho de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s Eight, EUA, 2018)
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Dirigido por Gary Ross. Roteirizado por Gary Ross, Olivia Milch. Baseado nos personagens de George Clayton Johnson e Jack Golden Russell. Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina, Rihanna, Helena Bonham Carter, Richard Armitage, James Corden, Dakota Fanning, Damian Jovens.

Após dezessete anos do começo de uma trilogia muito bem sucedida comandada pelo talentoso diretor Steven Soderbergh, Onze Homens e Um Segredo ganha um spin-off inteiramente feminino, cuja trama envolve as habituais traições, planos inteligentes, crimes e muito dinheiro envolvido – óbvio. Substituindo a dupla que antes era centralizada nos personagens de George Clooney e  Brad Pitt, encontramos em Oito Mulheres e Um Segredo as amigas Debbie Ocean (Bullock), irmã de Danny Ocean, e Lou (Blanchett) que decidem juntar mais cinco mulheres para roubar uma jóia avaliada no valor de 150 milhões de dólares.

Importante salientar que muito se subestima a importância da realização de um filme como esse. Muito se fala de empoderamento feminino, sim pois raramente na história da indústria cinematográfica nos deparamos com personagens femininas em papéis centrais que executam funções para além do tradicional par romântico masculino. Mais importante do que isso, na realidade, é a divergência de origens, histórias e etnias que cada uma de suas integrantes representa (o que é mais raro ainda!) ao invés de onze homens, brancos e héteros da sua versão de 2001.

Oito Mulheres e Um Segredo (Créditos: Warner Bros.)

 

Essas mudanças são importantíssimas mesmo que sirvam para falar o que já deveria ser óbvio. Neste contexto, interessante observar também como cada uma das mulheres recrutadas tem algo a oferecer e a dizer sobre o universo feminino. Nine Ball (Rihanna) demonstra sua inteligência ao manipular com a tecnologia; Rose (Carter) tem dificuldades no empreendedorismo; Tammy (Paulson) é a típica mãe do subúrbio norte-americano que ao mesmo tempo lida com seu “trabalho”; Constance (Awkwafina) lida com o fato de morar na rua e; Amita (Kaling) sofre com as pressões de sua cultura dentro da família, ao passo que Daphne Kluger (Hathaway) quebra o estereótipo da mulher que vive em um mundo superficial. Da mesma forma, não é coincidência as “alfinetadas” que o roteiro co-assinado por Olivia Milch faz em relação à essa questão, como por exemplo, a recusa constante de Debbie em recrutar homens.

Ross, o cineasta mais conhecido pelo seu trabalho em Jogos Vorazes, traz um competente trabalho apostando mais no humor e na dinâmica das oito atrizes principais, uma abordagem um tanto quanto diferente daquela adotada por Soderbergh, mas sem perder a eficiência ou a sagacidade de seu roteiro. Contudo, muito se perde da qualidade de seu material quando desperdiça tempo narrativo nas dezenas de cameos de celebridades em cenas sem qualquer propósito, como por exemplo, uma envolvendo a jornalista Anna Wintour ou a modelo Heidi Klum. Ainda, outro problema que se revela no longa é alguns clichês empregados que tornam algumas situações bastante previsíveis, principalmente aquela envolvendo o ex romance de Debbie, além de um plot twist nos minutos finais bastante improvável e que mal se encaixa em sua própria história, prejudicando, por conseguinte, toda uma trajetória que por quase duas horas observamos ser planejada e executada.

No entanto, Oito Mulheres e um Segredo sai com o saldo positivo. Inteligente, cativante e divertido, mal podemos esperar por novas sequências e novos roubos.

Por Gabriella Tomasi, 8 de junho de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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