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Em Suspense

Crítica: Obsessão (Greta, EUA/Irlanda, 2019)

  • 17 de junho de 2019
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Obsessão (Greta, EUA/Irlanda, 2019)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Neil Jordan. Elenco: Isabelle Huppert, Chloë Grace Moretz, Maika Monroe, Stephen Rea, Colm Feore, Zawe Ashton, Parker Sawyers, Jane Perry

Neil Jordan é um diretor de destaque, mais comumente lembrado por Entrevista com o Vampiro (1994). Dessa vez, o diretor retorna com mais um filme de suspense, estrelando mais uma vez um elenco de peso, uma vez que conta com Isabelle Huppert e Chloë Grace Moretz nos papéis principais.

O enredo narra a história de Frances (Moretz), uma jovem garçonete que acaba de se mudar para Nova York e tenta se adaptar ao ritmo da cidade. Certo dia, ela encontra no mêtro uma bolsa que pertence à uma senhora que se chama Greta (Huppert) e, a partir disto, ambas iniciam uma amizade, aparentemente inofensiva, até Frances descobrir um segredo sombrio de sua nova amiga.

O argumento é extremamente interessante. Trata-se da história de pessoas mal amadas, “isoladas” e que de uma forma tentam se apoiar (ou fugir) em alguma coisa. A aproximação de Frances e Greta, portanto, seria natural, a princípio, já que ambas revelam que perderam pessoas próximas e importantes na vida de cada uma. A forma como lidamos com essa perda, e por conseguinte, com a solidão que o sentimento nos causa é o que está realmente por trás de toda a trama, ou seja, como o luto pode se tornar um pesadelo, algo que aprisiona as pessoas. Vemos, neste sentido, como isso se incorpora especialmente na narrativa de Greta.

Obsessão (Créditos: IMDb)

O suspense trabalhado tem elementos maravilhosos. A trilha sonora que recorre a canções amorosas possuem um ar sombrio aqui, visto que encaixam com cenas deste tipo. Uma das cenas mais memoráveis deste filme certamente é a cena em que Greta espera do lado de fora do restaurante onde Frances trabalha, a qual possui uma semelhança muito grande com a cena de Pacto de Sangue (1944), de Hitchcock, no qual o inimigo permanece encarando o mocinho completamente estático enquanto que ao seu redor a movimentação das pessoas apenas ressalta ainda mais o perigo e a obsessão que cria o personagem. Em Obsessão, temos esse mesmo efeito.

No entanto, a execução infelizmente não chega à altura do talentíssimo elenco e tampouco de uma ideia originalmente instigante. A produção deixa evidente seu orçamento baixo, os chamados “B-movies” e seu roteiro recorre a clichês previsíveis à la “stalker”. Assim sendo, as motivações, as relações familiares, nada parece ser profundamente abordado pelo roteiro, como por exemplo a relação de Frances e seu pai e a de Greta com sua filha, apenas pontuando muito superficialmente, sem oferecer respostas satisfatórias ao público.

Portanto, uma relação de amizade que deveria transitar para uma relação bastante dependente e ambígua, parece não ser muito trabalhada para que o espectador sinta esse avanço e desenvolvimento. Isso porque há uma inversão abrupta demais, que depende exclusivamente de uma descoberta de Frances que passa a encarar Greta como uma mulher carente a uma sociopata e simplesmente não convence. Não por culpa da atriz, já que todas dão o seu melhor para transparecer naturalidade em suas personalidades, mas sim por culpa de uma narrativa lacunosa e bastante falha, assim como uma edição desastrosa que deixa evidente seus cortes.

Obsessão é, pois, mais um daqueles filmes que parece prometer de longe apenas pelas atrizes principais, mas que se revela decepcionante quando sua execução não se dá no mesmo nível.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 17 de junho de 2019 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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