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Em Animação

Crítica: O Touro Ferdinando (Ferdinand, EUA, 2018)

  • 9 de janeiro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: O Touro Ferdinando (Ferdinand, EUA, 2018)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Dirigido por Carlos Saldanha. Roteirizado por Robert L. Baird, Tim Federle, Brad Copeland. Elenco: John Cena, Kate McKinnon, David Tennant, Gina Rodriguez, Peyton Manning, Bobby Cannavale, Anthony Anderson, Jerrod Carmichael, Flula Borg, Daveed Diggs, Jeremy Sisto, Raul Esparza, Sally Phillips, Boris Kodjoe, Gabriel Iglesias, Miguel Angel Silvestre.

Se Viva – A Vida é uma Festa (2018) da Pixar retratava a cultura mexicana, O Touro Ferdinando chega para falar sobre a cultura espanhola de tourada, muito polêmica, inclusive no Brasil. O diretor de animação brasileiro Carlos Saldanha, responsável por projetos notórios como Rio (2011-) e A Era do Gelo (2006-) retorna e consegue, até o presente momento, duas indicações na categoria de melhor filme animado: uma no Globo de Ouro e outra nos PDA – Sindicato de Produtores da América e, ainda, aguarda uma possível nomeação ao Oscar 2018.

Quando afirmo que a cultura das touradas é polêmica é em razão da discussão que gira em torno dos maus tratos dos animais, muito importante até hoje. Neste contexto explora-se a temática de maneira delicada através dos olhos do pequeno bezerro chamado Ferdinando que morou e cresceu a maior parte de sua infância na “Casa del Toro”, uma fazenda que treina touros para os espetáculos em Madrid. No entanto, a característica meiga e amigável do protagonista faz com que ele fuja do lugar devido à sua repulsa em ter que lutar nos “ringues”. No meio do caminho, ele encontra Nina, uma menina que o acolhe em sua família para uma vida tranquila e feliz. Anos mais tarde, já um touro adulto, forte e gordo, Ferdinando acidentalmente acaba retornando à Casa del Toro, e para fugir novamente irá precisar da ajuda de antigos amigos.

O Touro Ferdinando

É de se louvar o trabalho do diretor que consegue desenvolver um tema extremamente sério, forte e difícil de ser direcionado a um público tão jovem, especialmente quando envolve mortes de touros em abatedouros em seu roteiro. Durante a exibição questionei muito a menção de frases fortes. Mas Saldanha o faz com bastante maestria pela comédia leve e, de certa forma, pela inocência de seus personagens. Ferdinando nos cativa, sua jornada anti violência é plenamente relacionável. Devo confessar que, em meio à sessão, muitas crianças gritavam para a tela “luta Ferdinando, luta!”, mas observar o protagonista a tomar o rumo contrário para promover o respeito, a caridade, e a compaixão pelo outro, ainda que este outro lhe tenha feito mal, é uma mensagem muito poderosa, além de necessária.  Neste sentido, o filme se destacou aos meus olhos.

Por outro lado, o filme falha em repetir, a exaustão, tantas fórmulas do cinema animado: as inúmeras cenas de ação à la Madagascar (2005), a narrativa estilo Okja (2017) da jornada de um animal querendo retornar à casa, assim como gags forçadas sempre enaltecendo o quão desastrado Ferdinando é, cansam após alguns minutos. Por conseguinte, a abordagem batida afeta bastante o arco dramático de Ferdinando. Ele não possui nada que não vimos antes, as frustrações são as mesmas, os objetivos são os mesmos, e o resultado é o mesmo. Além disso, ao contrário do que vemos em Viva – A Vida é uma Festa, é uma pena que aqui a cultura espanhola não fora melhor explorada, revelando uma certa pobreza na contextualização de algo tão enraizado na história do país como as touradas: a maioria do elenco original não é espanhol e as músicas da trilha sonora tampouco incorporam tradições do país, já que a maioria delas são assinadas por Nick Jonas (E antes que alguém reclame, esclareço que “Despacito” sequer é da Espanha, já que o compositor é porto-riquenho).

O Touro Ferdinando está longe de ser um desastre, uma vez que consegue transmitir uma bela mensagem tão bem em relação a um assunto complicado de explicar para seu público-alvo. Uma animação linda, bem feita, que, contudo, possui um conteúdo extremamente formulaico.

Por Gabriella Tomasi, 9 de janeiro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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