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Crítica: O Rei do Show (The Greatest Showman, EUA, 2017)

  • 24 de dezembro de 2017
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: O Rei do Show (The Greatest Showman, EUA, 2017)
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Dirigido por Michael Gracey. Roteiro por Jenny Bicks, Bill Condon. Elenco: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Rebecca Ferguson, Zendaya.

Seguindo os passos do musical La La Land: Cantando Estações (2017), O Rei do Show tenta contar a história real da ascensão do primeiro homem circense que apostou em seu espetáculo de horrores, Phineas T. Barnum (Jackman). Com uma intrigante e rica história em mãos, é uma pena que seus realizadores tenham elaborado e pintado um cenário de magia e ilusão, no qual ao mesmo tempo em que tudo se constrói em um estalar de dedos, tudo se resolve da mesma forma.

Isso porque por trás de um roteiro cafona e formulaico de uma jornada em busca de sonhos e de luta pela igualdade que já vimos tantas e outras vezes sem apresentar nada de novo, existe um protagonista que não luta pelos sonhos de ninguém, ao contrário, seu interesse sempre foi a própria fortuna, a ascensão na elite, a acumulação de riquezas – tudo orquestrado como uma incrível vingança ao seu sogro. Tal abordagem não seria um problema caso provocasse uma reflexão ou explorasse as nuances de seus objetivos, mas isso não acontece. O resultado é de um herói masculino e branco que consegue passar por cima de tudo e de todos sem verdadeiras consequências. Barnum, por conseguinte, é mais mascarado como uma vítima do azar e de pessoas que se “aproveitam” de suas “boas intenções” do que um humano falho e complexo.

Hugh Jackman e Michelle Williams em O Rei do Show (Créditos: IMDb)

A aura de música e fantasia é o que prejudica qualquer possibilidade de aprofundar questões essenciais à própria história como, por exemplo, as diversidades e os preconceitos da sociedade elitizada ou a busca por bens materiais. O único momento em que tal temática funciona de forma razoável é pelo amor crescente entre Anne (Zendaya) e Phillip (Efron), o qual se desenvolve de uma maneira delicada, sutil e atemporal. Devo confessar que a coreografia e a música envolvendo ambos personagens é o que se tem de melhor nesse filme. Contudo, parece que tudo o que envolve conceitos morais, raciais e sociais importantes é desenvolvido de maneira genérica e pouco realista, como se a preocupação maior fosse com a assertividade dos valores que aborda e de impressionar a sua audiência com artifícios, ao invés de trabalhar sua narrativa de maneira respeitosa e crível.

Consequentemente temos uma obra que se destaca mais pela sua técnica, pela sua narrativa do que sua própria história – sem que isso seja necessariamente um elogio. Os planos sequencias e as transições de cenários são belíssimas e com uma fotografia em cores vivas a direção de Gracey prova-se habilidosa, embora inorgânica. Dessa forma, ainda que alguns elementos impressionem, impossível não perceber quanta informação a montagem quis condensar em cada plano e cena. O público desde o início é bombardeado de informações e situações diferentes sem que haja qualquer momento para respirar, provendo inúmeros instantes rápidos de altos e baixos. Sendo assim, não é à toa o que mencionei no início: tudo de fato de se resolve e se constrói com uma rapidez, uma facilidade e uma autoindulgência que não convence – parece artificial e fabricado.

O Rei do Show, portanto, prova-se ser um filme que emprega uma cinematografia competente e impressionante, mas que mascara o vazio de seu conteúdo.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 24 de dezembro de 2017 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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