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Em Drama

Crítica: O Mínimo Para Viver (To The Bone, EUA, 2017)

  • 17 de julho de 2017
  • Por admin
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Crítica: O Mínimo Para Viver (To The Bone, EUA, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Marti Noxon. Elenco: Lily Collins, Carrie Preston, Lili Taylor, Keanu Reeves, Alex Sharp, Liana Liberato, Brooke Smith, Leslie Bibb, Kathryn Prescott.

Se analisarmos a forma como o mercado se comporta, é louvável que a Netflix concentre suas produções em temas delicados, mas ainda muito importante de serem discutidos, ainda que a produção cinematográfica e a televisão optem por caminhos mais conservadores. Dessa forma, somos introduzidos a novos temas que poucos ousam desenvolver como os males da indústria em Okja; o suicídio adolescente na série 13 Reasons Why e; agora, os distúrbios alimentares em O Mínimo Para Viver, os quais estão cada vez mais presentes em nossa sociedade.

Se por um lado é um extremo avanço permitir que tais questões sejam debatidas e refletidas pelo espectador, até para educar as pessoas; por outro lado pode se revelar muitas vezes um perigo como cada um absorverá as informações desenvolvidas em tela. Nem preciso mencionar a polêmica gerada em 13 Reasons Why para comprovar o que falo. E, neste aspecto, o cinema tem um compromisso e uma responsabilidade muito séria.

A história envolve Ellen, de 20 anos, interpretada por Lily Collins que sofre de anorexia. Após sair de mais uma internação por sabotagem própria, ela retorna à casa do pai e da madrasta, onde se reúne com sua meia-irmã para a vida de classe média. Cada vez mais preocupada com o estado quase cadavérico de sua enteada, a madrasta a leva para um médico renomado, Dr. Beckham (Reeves), como último recurso, acreditando que seu método não tão convencional possa ajudar com a recuperação de Ellen.

O Mínimo Para Viver (Créditos: IMDb)

Felizmente, O Mínimo Para Viver cumpre seu papel efetivamente de nos aproximarmos da realidade de seus personagens e, principalmente, para aquela de Ellen, e nos ensina como elementos básicos de nosso cotidiano – como comer, no caso – pode ser uma batalha diária como qualquer outro vício, seja ele drogas ou alcoolismo. Da mesma forma, é interessante observar como algumas atitudes egoístas das pessoas em volta levam a subestimar esse distúrbio como, por exemplo, o fato de a madrasta de Ellen fazer um bolo em formato de hambúrguer. Esse lado humano é igualmente muito bem representado pela forma como Noxon desenvolve o protagonismo de Ellen, e de colocá-lo no foco desse estudo ao posicionar a personagem sempre no centro do quadro com cores que contrastam ou se complementam na mise-en-scène, refletindo seu estado emocional; ora de conforto; ora de desconforto no ambiente.

No entanto, a narrativa se perde em suas subtramas. As sessões com a psicóloga são brevemente desenvolvidas, assim como alguns personagens que não tiveram um desfecho apropriado, como, por exemplo, uma bulímica que esconde seu vômito ou o pai de Ellen que parece nem terem se importando de elencar um ator para trabalhar esse relacionamento distante, como o fizeram tão bem com a sua mãe biológica; e também o romance de Ellen com outro paciente que muitas vezes não só tira a atenção, mas também se distancia do objetivo principal que é a jornada da protagonista: que é a de aceitação de ajuda. 

Deste modo, se por um lado você está esperando os caminhos do tratamento e o resultado deles, você poderá se sentir um pouco frustrado ao final, já que o longa, ao invés disso, conta com uma resolução um pouco fácil e de certa forma até confusa. Mas por outro lado, é interessante observar a mensagem principal dessa trama através das atitudes do médico, o qual está tão acostumado com as mentiras dos pacientes para escaparem do tratamento que se recusa a ajudar qualquer um que não está disposto a ser ajudado, afinal, nossa vontade de viver e de vencer nossas dificuldades dependem única e exclusivamente de nós mesmos. Portanto, se Ellen se vitimiza às vezes, esta sensação é rapidamente quebrada por Dr. Beckham.

Mesmo com seus defeitos, ao final, O Mínimo Para Viver acaba valendo seu tempo para ser assistido. Porque longe de romantizar os problemas que advém destes distúrbios, está é uma honesta forma de transmitir consciência para a sociedade.

Por admin, 17 de julho de 2017
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