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Em Fantasia

Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, EUA, 2016)
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Nota: 4,0/5,0*   

Direção de Tim Burton e roteirizado por Jane Goldman. Baseado no livro Miss Peregrine’s Home for Peculiar Childrende Ransom Riggs. Elenco com: Asa Butterfield, Eva Green, Ella Purnell, Samuel L. Jackson, Milo Parker.

Tim Burton tem sua marca registrada quando se trata de explorar o mundo fantástico. Conhecido mundialmente pelos seus filmes como Edward Mãos de Tesoura, Sweeney Todd, A Fantástica Fábrica de Chocolate, A Noiva Cadáver, Beetlejuice, entre outros, estamos aqui diante mais um filme que mistura realidade com fantasia.

Neste seu novo longa, vivemos a história da vida do adolescente Jake (Butterfield), em que, com pais completamente desinteressados, aprendemos que a única referência de toda a sua infância reside nos momentos com seu avô Abe (Stamp): escutando contos de uma época de sua vida em que derrotava monstros em uma guerra e convivia em um lar com pessoas com poderes sobrenaturais que na sua infância jamais imaginaria serem reais.  Morto por circunstâncias muito estranhas Abe expressa, em seus últimos momentos com vida, seu arrependimento de não ter “contado tudo” a Jake e roga-lhe para encontrar a Srta. Peregrine (Green) em uma cidade do interior do País de Gales. Apenas para que a história de seu avô seja revivida por ele novamente.

Lá, Jake parece ser atraído pelo lugar, portando uma curiosidade insaciável. Assim, investigando, ele encontra um fenda temporal, que leva-o até a Srta. Peregrine, ao descobrir uma mansão que uma vez foi atingida por um míssil em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. O espaço físico e temporal foi cuidadosamente escolhido para a proteção e o cuidado de crianças com dotes…peculiares.

Neste local, a fotografia é maravilhosa: ótima profundidade de campo, por meio do 3D, com uma natureza ampla, cores muito vivas e alegres que enaltecem sua beleza. É literalmente um lugar mágico. Em contrapartida, Gales, ou o mundo real, é representado fortemente por uma palheta bastante fria, com tons em azul e preto, demonstrando exatamente a natureza sombria que Burton costuma explorar. Um dos momentos mais bonitos é quando o vilão de Jackson se revela em suas várias formas dentro de uma caverna, em um alto contraste destas cores com sombras intensas e olhos que brilham com mais intensidade ainda, que vem de uma influência muito clara do expressionismo alemão. A direção de arte faz um trabalho excelente em conjunto criando o mundo fantasioso em contraste ao mundo real com o figurino e os cenários, com uma referência muito especial, da qual tratarei mais adiante.

Cada peculiaridade de cada criança é explorada ao longo da narrativa no momento em que é necessário o trabalho em equipe, de modo que cada uma consegue desenvolver seus talentos de uma forma bastante inteligente, tais como: Emma Bloom (Purnell) tem sua força no ar e tem a beleza dos olhos grandes que Burton adora; Milo Parker volta a trabalhar com abelhas desde Sherlock Holmes. Ainda, há o garoto invisível; a pequena menina com uma força desproporcional; a adolescente que precisa usar luvas, pois tudo o que toca pega fogo; os gêmeos, cujos rostos cobertos inteiros por uma roupa especial e com uma máscara que nos deixa curioso acerca das suas habilidades (até o terceiro ato); o menino que dá à vida a objetos inanimados e controla suas ações, como uma espécie de um pequeno Frankenstein.

Em relação à Jake, percebemos que as suas habilidades nos são reveladas conforme o transcorrer da narrativa, deixando ser desenvolvidas por último, e, portanto, constituindo um elemento essencial ao desfecho do filme. Eva Green está magnífica como a Sra. Peregrine, cuja inexpressividade comporta ao mesmo tempo a sua força protetiva, sem abster-se de transparecer o seu carinho por todas aquelas crianças.

Por fim, o vilão Barron, interpretado por Samuel L. Jackson é o líder dos hollows, os quais são famintos por olhos de crianças peculiares para retomar a sua forma humana, após um experimento que deu muito errado. Ele é literalmente caricatura. Ainda que um monstro indesejável e amedrontador é ele quem carrega a maior parte da comicidade do filme.

A narrativa, em geral, se desenvolve com muita naturalidade. Incluindo incríveis referências como a de O Iluminado,desde o figurino de uns dos personagens (retomando o anteriormente comentado), até a tomada da cena mais famosa do filme no terceiro ato. Contudo, o ritmo se perde completamente neste momento. O desfecho em si se torna fraco e acelerado demais a tal ponto de prejudicar um pouco a absorção de tudo pelo espectador, em razão da numerosa quantidade de fatos novos apresentados.

Ainda assim, o mais interessante da história é justamente aprofundar a temática do que é ser “diferente”, ou “peculiar”. Ora, Jake sofre bullying onde quer que esteja e somente é aceito por pessoas tão diferentes quanto ele, mas que ao mesmo tempo se fecham para o mundo, justamente por terem medo de sofrer os mesmo preconceitos que Jake sofre.

O mal, por outro lado, representa aquele pensamento revolucionário de querer se libertar dessa pressão de viver escondendo-se constantemente através de fendas temporais. Porém, pratica perversidades, desvirtuando, portanto, as próprias qualidades.

No final, todos são diferentes, todos possuem alguma peculiaridade, e isto não é algo ruim. Ao contrário, nos fazem singular em um mundo tão grande.

Assim sendo, o filme entrega mais um encantador universo fantasioso, assim como um show de pequenos horrores que é o trabalho do diretor Tim Burton.

Por admin, 14 de novembro de 2016
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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