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Em Cinebiografia

Crítica: O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity, Reino Unido, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity, Reino Unido, 2016)
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Nota: 2,5/5,0*   

Dirigido e roteirizado por Matthew Brown. Elenco com: Dev Patel, Jeremy Irons, Devika Bhise, Toby Jones, Stephen Fry.

Depois da Teoria de Tudo, Uma Mente Brilhante e o Jogo da Imitação, nos deparamos com o mais novo filme dirigido por Matthew Brown sobre mais um gênio da ciência.

De início, temos uma narração do professor G.H. Hardy, interpretado por Jeremy Irons, com intuito de introduzir o nosso protagonista. Baseado em fatos reais, em 1913, ele conta a história de S. Ramanujan (Patel), um indiano matemático sem formação acadêmica, o qual se aventura em uma viagem para a o Colégio Trinity, na Universidade de Cambridge, para tentar publicar suas descobertas e, assim, ter reconhecimento no mundo da ciência. Contudo, ao contrário do que supomos a narrativa muda de direção, parecendo estarmos conhecendo ele através dos olhos de Ramanujan.

Infelizmente, isto já denota que não encontramos em Brown um roteiro ou uma direção que lograsse êxito em conduzir uma narrativa de maneira coesa e coerente que esperaríamos e isto permanece durante todo o filme.

Por exemplo, na sequencia à narração de Irons, adentramos na vida e conhecermos as pessoas que convivem com o personagem principal. Percebemos pela dinâmica dos personagens, que o casamento existente entre Ramanujan e sua esposa Janaki (Bhise) é arranjado, conforme o costume da Índia. Porém, de uma forma abrupta, ambos resolvem declarar seu amor incondicional, sem que este aspecto seja desenvolvido apropriadamente, para que se possa acreditar no afeto entre eles e inclusive torcer para que eles permaneçam juntos. Igualmente, na biblioteca de Trinity, temos a cena em que Hardy mostra a Ramanujan, em um curto e rápido plano detalhe, páginas de um livro de Isaac Newton em exposição e, muito embora aquele momento fosse uma pista bem plantada para o desfecho, não houve o destaque necessário para que aquela imagem em particular ficasse na memória do espectador e, portanto, fazer essa relação ao final.

Pode-se dizer também que o filme perde inúmeras oportunidades de fazer uma crítica ou pelo menos uma reflexão profunda e séria acerca de qualquer um dos temas abordados, eis que pouca importância narrativa lhe foi conferida. Nesse sentido, temos: todo o contexto político de dominação britânica na Índia e o fato de que a Primeira Guerra Mundial também interfere em todo o bullying e preconceito que ele sofre.

Os personagens tampouco são desenvolvidos de maneira adequada: em relação à questão feminina, temos Janaki representando uma mulher forte, com personalidade, e que toma algumas atitudes por si própria, mesmo contrariando à própria religião, mas que é também submissa à sociedade machista e classista indiana que não a permite escrever, ou até se identificar perante seu marido como mais do que uma esposa. Seu marido, por sua vez, é retratado como mais um gênio não apreciado e não reconhecido em seu tempo, mas que trouxe contribuições essenciais para a história da humanidade. Comparado a grandes nomes da ciência e da matemática, sendo a grande referência inglesa residindo em Isaac Newton, o filme não confere mais intensidade à produtividade, não enaltece a rapidez com a qual sua mente trabalha, ou com a qual ele consegue absorver inúmeras informações sem precisar fazer uma única anotação.

A relação entre Hardy e Ramanujan, entretanto, é o destaque da história: homens tão diferentes e cujas personalidades se equilibram. Enquanto este último possui um espírito mais instintivo, aberto, alegre; o primeiro é totalmente introvertido, fechado, mal humorado e calculista. O resultado disso é uma bela amizade, onde ambos se permitem ceder até chegar um ponto em comum, ainda que demore um tempo para que isto aconteça. Além disso, a religiosidade forte de Ramanujan – a qual descobrimos fazer parte também do seu processo laborativo – traz um novo olhar para um universo tão quadrado que é a matemática, e que também vai contra todo o tradicionalismo e conservadorismo da universidade britânica. Tal como Hardy repete sempre: é preciso de provas, inclusive para se provar a existência de um Deus.

Por fim, apostando em uma linguagem mais expositiva do que visual, a fotografia não traz nada muito inovador em relação à movimentação de câmara. Ainda assim, se consegue extrair momentos belíssimos em tela, tais como: o jogo de luzes e sombras em contraste, quando a esposa retorna ao templo para ir ao encontro dos cálculos matemáticos de Ramanujan escritos no chão. Nesse contexto, Devika Bhise fez uma maravilhosa interpretação de uma mulher que tem tanto orgulho da genialidade do marido, mas que ao mesmo tempo a condena, em razão do rumo que a relação tomou, ou melhor, do rumo que ela pensa que tomou. Ou ainda, temos a cena na estação de trem em que, primeiríssimo plano, o rosto de Ramanujan expressa cansaço em relação a tudo, parecendo desistir da própria vida.

Assim sendo, apesar de uma execução problemática do enredo, o filme ainda consolida uma homenagem muito sincera a este grande homem matemático.

Por admin, 14 de novembro de 2016
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