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Em Fantasia

Crítica: O Fantasma de Sicília (Sicilian Ghost Story, Itália, 2017)

  • 26 de setembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: O Fantasma de Sicília (Sicilian Ghost Story, Itália, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza. Elenco: Julia Jedlikowska, Gaetano Fernandez, Corinne Musallari, Andrea Falzone, Federico Finocchiaro, Lorenzo Curcio, Vincenzo Amato, Sabine Timoteo, Filippo Luna, Baldassare Tre Re, Gabriele Falsetta

O Fantasma da Sicília é um dos filmes que coloca como centro de seu estudo o controle da máfia naquela região. Se Em Guerra Por Amor nós evidenciamos sua ascensão, aqui se trata de ressaltar os horrores praticados por esse grupo e a opressão que a população enfrentava naquela época. Assim sendo, acompanhamos a história de uma garota de 13 anos chamada Luna que era apaixonada pelo seu colega de classe Giuseppe. Baseado na história real do menino Giuseppe Di Mateo que fora seqüestrado por mafiosos, em razão de que seu pai, ex-chefe da quadrilha se tornou informante da polícia, a trama verídica é narrada por um viés fictício, através dos olhos de sua protagonista. Mantido em cárcere privado durante dois anos, Luna tenta durante este tempo incessantemente encontrar seu amado que parece jamais retornar e, ainda, se incomoda com a falta de mobilização por parte da comunidade para encontrá-lo.

Neste longa, o tom fantástico prevalece em relação ao horror realista na medida em que se exploram em sua maioria os ambientes naturais. Se na natureza, ou no caso, na floresta, nós encontramos belos e inofensivos animais, nos sujeitamos à mais inocentes brincadeiras ou ali se torna o pano de fundo dos mais lindos momentos de nossa vida, como um beijo, o mesmo local pode se tornar angustiante, labiríntico e perigoso como, por exemplo, a presença de um cão raivoso que desconstitui a magia do lugar, representando inclusive essa quebra da alegria pela brutal realidade.

Não é à toa, pois, que os meios naturais em geral se tornam coadjuvantes da frustração de Luna em tentar resgatar o seu amado. Se em um primeiro momento a câmera de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza se concentrava em primeiríssimos planos na dinâmica entre o casal; já quando Luna está sozinha, por sua vez, os planos gerais se tornam mais claustrofóbicos e em uma perspectiva distorcida e grande angulares que nos dá a impressão de confusão e agonia mental da protagonista, ou seja, o sentimento de impotência. Lá também se torna o local onde Luna sonha, deseja, e reconstrói suas vontades em sua mente movida pelo desejo de final de feliz como em um conto de fadas que lhe parece cada vez mais longe de se concretizar, com uma intensidade que até mesmo o espectador passa a questionar o que é verdade ou não.

O Fantasma de Sicília

A fotografia e a seleção de cores para os cenários e figurinos contribuem muito para a sensação do que é real e o que é imaginário. Os tons naturais da floresta se mesclam com tons melancólicos do azul, bege e marrom que indicam um pesadelo tanto para Luna quanto para Giuseppe. O tom branco vivo das vestimentas deste, por sinal, se sobressai na paleta escura do ambiente justamente para ressaltar a figura angelical e a inocência em relação ao seu destino em um primeiro momento, para depois em outro ele vestir roupas cada vez mais cinzentas e pálidas demonstrando sua esperança cada vez menor, motivo pelo qual se apega à carta colorida de Luna deixada para ele.

Tentando ao máximo despertar a preocupação da sociedade em relação ao desaparecimento do garoto, Luna é aqui uma protagonista forte e frágil ao mesmo tempo. Forte, pois enfrenta a situação e não se vitimiza em nenhum momento, mas frágil, tendo em vista que suas tentativas sempre são duramente reprimidas ora pelos seus pais, em especial sua mãe, ora pelas pessoas em geral que parecem não se interessar sobre o ocorrido.

Fato é que às vezes o enfoque exagerado na vida pessoal de Luna, como sua relação com sua melhor amiga, ou com seus pais acaba atrapalhando e se distanciando do objetivo principal da trama que é, na realidade, o seqüestro do garoto e a sua paixão por ele. Mesmo assim, O Fantasma da Sicília é uma bela obra com uma forte carga metafórica como o significado da presença de uma coruja ou então a Lua refletindo sua luz sobre o lago representando tanto a morte quanto o amor partilhado pelos personagens principais. Até que o pessimismo dá espaço para o plano de um lindo sol sob as ondas de um vasto oceano, subvertendo essa imagem negativa das águas, e executada de maneira magistral pelos cineastas.

Filme visto durante a cobertura da 8 ½ Festa do Cinema Italiano no Brasil em 2017 e publicado em coluna para o site Cabine Cultural.

Por admin, 26 de setembro de 2017
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