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Em Suspense

Crítica: O Contador (The Accountant, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: O Contador (The Accountant, EUA, 2016)
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Nota: 2,5/5,0*   

Direção por Gavin O’Connor e roteiro de Bill Dubuque. Elenco com: Ben Affleck, Anna Kendrick, J. K. Simmons, Jon Bernthal, Jeffrey Tambor, John Lithgow.

Ben Affleck interpreta Christian Wolf, um matemático autista que possui um escritório de fachada, para trabalhar de forma autônoma e informal como contador de criminosos perigosos. Certa vez, Lamar Black (Lithgow), fundador de uma empresa de robótica, o convocou para realizar uma perícia contábil, em razão dos erros encontrados pela contadora Dana Cummings (Kendrick). Enquanto isso, o chefe do departamento de crimes financeiros, Raymond King (Simmons) recruta a analista do Tesouro Marybeth Medina (Addai-Robinson) para descobrir a real identidade de Christian antes de se aposentar.

Visualmente, a direção de fotografia utiliza recursos muito bons que engrandeceram diversas cenas, tais como: o enquadramento de Wollf em planos fixos e centralizados do prato de comida, dos talheres na gaveta, assim como sua posição vista de uma janela que reforçaram a ideia do caráter metódico do personagem; a forma como o “choque-terapia” é utilizado por ele, com vários jogos de luzes, sombras, e uma trilha sonora que complementou muito bem a sua intenção de superar todos os fatores que provocam os surtos de ansiedade; os ângulos plongées repetidamente empregados, exatamente quando há alguma lembrança dolorosa.

Entretanto, as subtramas desenvolvidas se perdem rapidamente, haja vista os elementos desnecessários que são inseridos, e dessa forma, ele não consegue manter-se coerente e coeso. Nesta lista temos a personagem de Anna Kendrick, a qual ficou completamente solta na narrativa. A relação entre Dana e Christian é pouco aprofundada, perdendo uma ótima oportunidade de explorar o lado social e afetivo do autista. Inclusive, ela é esquecida na maior parte do filme.

Ainda, tentando valer-se de uma narrativa imagética, ela é ofuscada pelos constantes flashbacks de conteúdo altamente explicativos, principalmente executados por meio da narração de J.K. Simmons, cuja participação efetiva no terceiro ato se prestou unicamente para este fim. Apesar de talentoso e uma ótima interpretação do seu personagem, questiona-se se a conexão entre Christian e Raymond fosse realmente essencial para a trama.

Ben Affleck, por sua vez, conferiu uma bela atuação igualmente, mas o autismo de seu personagem foi enfrentado de maneira grosseira. Na ausência da figura materna, o pai de Christian lidou sozinho com a sua criação, submetendo-o a um (absurdo) treinamento militar quando criança, instigando a violência, apenas com o intuito de enfrentar “bullys”, os quais o repudiavam por ser diferente dos outros. Neste sentido, a imagem heróica do protagonista não tem sua moralidade questionada quando ele se transforma em um assassino, cujos clientes se concentram nos ramos de lavagem de dinheiro, terrorismo ou então no tráfico de drogas, tornando-o, ao invés disto, uma vítima pelo o que ocorreu em sua infância. Os conceitos, portanto, de “bom” e “mau” se misturam em todos os casos mencionados, mas não há a preocupação de firmar uma opinião.

O problema disto reside em um esforço enorme para abordar inúmeros temas diferentes ao mesmo tempo: conflitos familiares, lavagem de dinheiro, os pré conceitos de uma “boa” ou “má” pessoa e de justiça, o próprio autismo, entre outros. Contudo, a direção de O’Connor falha justamente em fazer com que todas essas questões se interligassem.

É como nas cenas iniciais, nas quais vemos Christian montando um quebra-cabeça do lutador de boxe. Uma metáfora da construção de toda a narrativa, a qual é dirigida para a introdução de pedaços que, no final, compõem uma história de luta.

Ocorre que, neste filme, nem todas as peças se encaixam.

Texto originalmente publicado pela crítica Gabriella Tomasi, autora do blog Ícone do Cinema, em coluna do site Cabine Cultural

Por admin, 14 de novembro de 2016
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