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Em Suspense

Crítica: O Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on The Orient Express, EUA, 2017)

  • 30 de novembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: O Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on The Orient Express, EUA, 2017)
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Dirigido por Kenneth Branagh. Roteirizado por Michael Green. Baseado na história de Murder on the Orient Express de Agatha Christie. Elenco: Kenneth Branagh, Tom Bateman, Lucy Boynton, Olivia Colman, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Manuel Garcia-Rulfo, Derek Jacobi, Marwan Kenzari, Leslie Odom Jr., Michelle Pfeiffer, Sergei Polunin, Daisy Ridley

O ano de 2017 nos concedeu algumas obras desastrosas do gênero policial como Assassino: Primeiro Alvo (que eu espero que não haja continuação) e Boneco de Neve mais recentemente. O Assassinato no Expresso do Oriente, adaptação cinematográfica da obra homônima da famosa “Rainha do Crime” Agatha Christie, não somente traz uma fidelidade à essência do material original, mas também traz elementos novos que não foge de modo algum da proposta.

Primeiramente, gostaria de esclarecer sempre aos meus leitores que não busco comparar o trabalho literário com o da sétima arte, mas ao mesmo tempo não posso deixar de ressaltar o quanto o roteiro manteve o que é indispensável a um bom suspense à la Christie. Neste contexto, os fãs serão pegos de surpresa por novos plot twists e alguns obstáculos novos para desenvolver uma postura mais ativa do detetive até o ponto de, quem sabe, duvidarem do desfecho mesmo quando o já sabem, mas sem que a narrativa tire de foco o principal. Esse efeito também se deve porque Agatha Christie pouco focava seu interesse no final em seu livro, o importante era testemunhar a mente do detetive Hercule Poirot funcionar. Obviamente, este elemento é muito ressaltado por Kenneth Branagh, mas ao contrário, o final é desenvolvido de tal forma a dialogar com a jornada de todos os personagens, inclusive com o próprio Poirot – uma escolha sensacional que trabalha valores morais e o questionamento de até onde o rigorismo de seu trabalho lhe permite ser inflexível.

Aliás, Branagh merece grandes aplausos por não somente fazer um trabalho excepcional como o investigador belga, com seus maneirismos, toques, manias e sotaque impecáveis, mas por uma direção dinâmica e maravilhosa. Muito do próprio trem é explorado: no exterior, planos abertos enaltecem o isolamento de todos os personagens, o orgulho da magnífica e luxuosa estrutura que tanto se gaba Monsieur Bouc (Bateman), além da mudança climática do calor intenso para as gélidas temperaturas que não coincidentemente anunciam a morte do Sr. Rachett (Depp), um dos passageiros; no interior, por sua vez, seja o trem visto de dentro para fora ou vice-versa, sentimos o impacto do confinamento dos corredores estreitos, da limitação dos espaços nos vagões ou na parte do restaurante. Branagh utiliza de planos longos e em sequencia justamente quando quer enaltecer a geografia ou os cenários e planos mais fechados quando nos aproximamos cada vez mais do íntimo. Não é à toa quando vemos Poirot de perto quando está prestes a resolver um caso, ou um casal que é visto pelo detetive através de uma porta estreita. É um casamento perfeito entre claustrofobia e isolamento tanto físico quanto emocional.

O detetive Hercule Poirot em O Assassinato no Expresso do Oriente (Créditos: IMDb)

Todos os atores vestem seus respectivos personagens de modo eficiente e são bem definidos: de fato, todos são suspeitos, todos parecem esconder algo que o roteiro aponta para várias direções, mas que são extremamente relevantes para a resolução do caso. É interessante a maneira como interagem para exporem seus próprios preconceitos ou como a tirada recorrente de chamar Poirot de “Hércules” e não “Hercule”, em uma clara referência à imagem do herói. Na realidade, o roteiro teve o cuidado com esses detalhes, mas também teve uma brilhante ideia de colocar O Assassinato no Expresso do Oriente em meio a dois mistérios terminando com uma possível continuação para a realização de Morte do Nilo.

Infelizmente há alguns detalhes que incomodam, como a artificialidade do trem na neve advinda de um excessivo uso de CGI, assim como uma trilha sonora que não se destaca em nenhum momento para acompanhar a intensidade das cenas.

Mesmo assim, O Assassinato no Expresso do Oriente é definitivamente o melhor filme de investigação do ano até agora. Apenas nos resta esperar por mais aventuras de Hercule Poirot.

Texto originalmente publicado pela autora em sua coluna no site Cabine Cultural

Por admin, 30 de novembro de 2017
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