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Em Suspense

Crítica: No Fim do Túnel (Al Final Del Túnel, Espanha/Argentina, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: No Fim do Túnel (Al Final Del Túnel, Espanha/Argentina, 2016)
Rating: 4.0. From 1 vote.
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Nota: 4,5/5,0*   

Dirigido e roteirizado por Rodrigo Grande. Elenco com:  Leonardo Sbaraglia, Pablo Echarri, Clara Lago, Javier Godino, Federico Luppi.

Joaquín (Sbaraglia) é um homem cadeirante e técnico de informática, que vive solitariamente em uma escura, e desorganizada casa com seu cachorro Casimiro. Ao decidir alugar um de seus quartos, a stripper Berta (Lago) e sua filha, Betty, aparecem repentinamente e com grandes pressas de se instalarem no local. A dinâmica muda totalmente com a presença das delas, conseguindo criar um vínculo de afeto muito forte com o protagonista.

Paralelamente, Joaquín descobre, ao escutar barulhos do outro lado da parede de seu porão, que o criminoso Galereto (Echarri), comandado por um delegado corrupto Guttman (Luppi) está criando um túnel por baixo da casa, a fim de roubar um banco vizinho. Assim, ele passa a estudar meticulosamente a identidade daqueles homens, assim como o plano para tentar impedir o êxito da operação.

No primeiro ato, vemos que o filme explora muito rapidamente o passado dos personagens, pouco aprofundando a história passada deles. Mas o mais interessante, em relação à construção do caráter é que nenhum deles é completamente um herói. Todos nós somos humanos, portanto, alguns atos que seriam considerados “heróicos” em seu fim, levam à própria repulsa dos meios para atingi-los.

Porém, este longa desenvolve uma narrativa muito impressionante, e pode ser resumida pela teoria da bomba de Hitchcock. Este diretor expõe que, se colocássemos uma bomba embaixo de uma mesa com um casal conversando, mas apenas mostramos a explosão da bomba, o espectador irá ter o momento de choque, mas que cessará rapidamente. No entanto, se o diretor mostrar a contagem regressiva em andamento, e focar na interação dos personagens na mesa, é criado um momento de tensão que perdura.

Esta é exatamente a maneira como todo o filme é conduzido. Sem empregar qualquer artifício de choque momentâneo, o diretor conta com a sua câmara.

A começar pela fotografia e a direção de arte, os ambientes são inteiramente sombrios e escuros desde o início da trama. É notável o jogo de luzes e sombras que resultaram em momentos belíssimos, tais como: a completa escuridão e silêncio ao redor de um único feixe de luz da saída do túnel; as sombras que refletem o conflito entre Berta e Joaquín; Guttman é completamente absorvido pela escuridão do ambiente, entre outros. Apostando bastante em cores pálidas e tons de azul, há poucos momentos onde a claridade se apresenta e as únicas cores mais vivas residem no vermelho intenso do sangue.

Já os movimentos de câmara nos conferem 120 de minutos de constante inquietude: o diretor nos conduz, em um ritmo calmo, a uma sucessão de eventos que envolvem perigo. A astúcia dos vilões e a periculosidade deles intensificam essa experiência (afinal, o objetivo é acabar com um plano de criminosos profissionais): é uma caixa não fechada corretamente, um elemento fora de foco, ou dentro de um ângulo que põe em risco Joaquín ser descoberto a qualquer tempo, deixando poucos momentos de alívio. Ainda, os primeiríssimos planos são eficazes em transmitir o lugar claustrofóbico do túnel; os planos-detalhes, que se concentram repetidamente nos olhos dos personagens, demonstram ora o choque de uma revelação, ora a angústia profunda. No caso, por exemplo, de Berta, querendo fugir de imagens brutais que lhe são mostradas em um vídeo, ela se esquiva da câmara, mas esta a alcança rapidamente, como se estivesse incorporando a situação em que ela se encontrava: impotente e completamente de mãos atadas.

A trilha sonora, por sua vez, é bastante sutil, demonstrando que ela não quer se sobressair, eis que a intenção do suspense é priorizar a narrativa imagética. No entanto, vemos momentos específicos do som que também revelam expressividade, como, por exemplo, o tique-taque do tempo representado pelo som da colher na caneca ou então a faca que corta uma cenoura. A respiração de Joaquín também é muito presente e sempre retratada de uma forma pesada, enaltecendo a experiência da claustrofobia, mencionada anteriormente.

No final, além de uma referência a Cães de Aluguel, o terceiro ato é cheio de reviravoltas. Todos os elementos introduzidos no primeiro e segundo ato acabam sendo úteis ao protagonista – desde o diálogo explicativo até objetos específicos – servindo como pistas plantadas e que, a princípio não seriam tão relevantes, mas que são posteriormente recompensadas de uma forma muito inteligente e, ainda, com naturalidade.

 

Como podemos notar, o filme é riquíssimo em recursos visuais e possui um desenvolvimento muito sólido de história. Isto nos revela uma grande competência e maturidade do trabalho do diretor e roteirista argentino Rodrigo Grande.

Por admin, 14 de novembro de 2016
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